António Oliveira e Carlos Manuel
Parece presunção iniciar esta nossa tertúlia com 2 jogadores mas acontece que não existem vídeos disponíveis de António Oliveira e tive que recorrer a um plano B. Por um lado, não vos quis privar de visualizar as minhas palavras no terreno de jogo e por outro, nunca abdicaria de apresentar António Oliveira na minha rubrica de abertura.
Como vos disse, são jogadores completamente independentes, sem grandes pontos de contacto entre si (a não ser de pertencerem à mesma geração), mas para mim estarão sempre intimamente ligados.
António Oliveira, o artista genial!
Começou nas camadas jovens do FCP, subiu à equipa principal aos 17 anos e, anos mais tarde, pela mão de José Maria Pedroto ajudou os dragões a quebrar o jejum de 19 anos sem vencer o campeonato – jogou todos os jogos e marcou 19 golos. Teve uma fugaz passagem pelo Bétis de Sevilha e regressou à casa mãe. Tb por pouco tempo, porque, no chamado verão quente das Antas, por problemas internos, bateu com a porta e ingressou no clube da sua terra Natal – o Penafiel. Aí acumulou as funções de jogador com as treinador mas Penafiel era demasiado curto para tanto talento e daí rumou para Lisboa, para o emblema leonino. Sagra-se Campeão nacional num trio de ataque do melhor que Portugal já teve: Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão.
Depois ainda foi também treinador-jogador no SCP mas vieram as lesões e decidiu sair por já não conseguir ser o jogador que habituara os adeptos do bom futebol, terminando a carreira no Marítimo.
Oliveira não era médio, não era avançado, muito menos era extremo, mas conseguia, ao mesmo tempo, ser tudo isso. Um artista que no meio campo ofensivo dominava cada parcela de terreno e tratava a bola com carinho.
Na memória ficará sempre (não sabem a pena que tenho em não haver o vídeo) o Sporting x D. Zagreb de 82, 2ª mão da Taça dos Campeões Europeus (derrota 1-0 na 1ª mão) em que Oliveira eliminou os então jugoslavos. Foram “só” 3-0, com um hat-trick do artista (1 dos golos é fabuloso)...no dia da morte do seu próprio pai!
Foi ele que, juntamente com a pressão do meu avô e um equipamento completo do Sporting (com o nº 10, pois claro – acho que nunca cheguei a vestir mas não tenho a certeza...) me levaram a hesitar entre o Sporting e o GLORIOSO BENFICA por altura dos meus 6 ou 7 anos.
Venceu a chamada do GLORIOSO (está no sangue!) e “conheci” Carlos Manuel – a locomotiva do Barreiro!
Começou na CUF e chegou ao Benfica após 1 época no Barreirense, viveiro encarnado da época, de onde saíram “apenas” Manuel Bento e Fernando Chalana, entre outros. No Barreirense era médio ala mas a sua força e alma não se podia limitar a ocupar uma faixa do terreno. Sem o virtuosismo de Oliveira, fazia da força, da raça, do pulmão e da meia distância, os seus cartões de visita. O chamado jogador à Benfica!
Marcou claramente a década de 80 e com Bento, Diamantino, Veloso, etc, era a garantia da tão falada mística benfiquista. Conquistou títulos uns atrás dos outros e teve nos momentos marcantes da selecção nacional nesta década (Euro 84 e Mundial 86). Foi ele, aliás quem carimbou o passaporte para o México e, em terra dos Incas e dos Maias, não satisfeito, vingou os Magriços 20 anos depois de Wembley, marcando o golo da vitória portuguesa sobre a Inglaterra.
Após quase uma década de águia ao peito e algumas divergências internas, rumou ao futebol suiço, ao Sion, mas apenas por 1 época, voltando depois a Portugal mas ao eterno rival Sporting (disse-se logo na altura que Sion era um mero trampolim). Aí fez 2 épocas, já sem o mesmo brilho, rumando depois ao Bessa (mais 2 épocas), terminando a carreira no Estoril que, regressado á 1ª divisão e orientado por um então jovem Engº Fernando Santos, deu algum espectáculo sob a batuta de Carlão, Mladenov e Bouderbala.
Aqui fica então o início do meu vício futebolístico em palavras e também em vídeo. Vejam ou revejam o golo contra a Alemanha, o golo contra a Inglaterra (com comentários Gabriel Alves) e como extra bónus track, um golo no estádio das Antas que valeu uma taça de Portugal (Pinto da Costa, no início do sistema, conseguiu que uma final de Taça FCP x SLB fosse jogada nas Antas – o chamado campo neutro; o Carlão invadiu o Porto à bomba e mandou mais uma taça para a vitrine do Glorioso).
terça-feira, 29 de julho de 2008
Gostas de Fly - Futebol - Jornada 1
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Lock, Stock and Two Smoking Barrels
Lock, Stock & Two Smoking Barrels (Two Smoking Barrels para os amigos), é um clássico filme para gajos. Tem tudo o que gostamos violência, poker, álcool, gangsters tudo regado com um humor negro fabuloso que faz as nossas vísceras aplaudir de felicidade em cada espancamento, afogamento ou plano engenhoso que enchem este filme. Não é a interpretação que se destaca, é o ritmo a que ele decorre, com reviravoltas constantes capazes de nos dar vontade de entrar no écran e espancar alguém ao mesmo tempo que rimos a bandeiras despregadas. E aí reside o mérito deste escritor/realizador que nos faz passear pelo submundo de Londres duma forma que jamais a conheceremos. Este seria o ritmo que iria marcar o mote para os seus futuros filmes, alguns mais conhecidos como o caso de Snatch.
Nesta altura estaria longe de imaginar que por volta de 2008 estaria prestes a tornar-se o futuro Ex de Madonna (ou não).
sexta-feira, 4 de julho de 2008
The Clash
Álbum: London calling
Música: Train in vain
São essencialmente uma banda punk, mas mais intelectual, militante e idealista que os Sex Pistols. Se os Pistols foram a imagem do punk do final de 70, mais pelos excessos cometidos e pela imagem anti-establishment do que propriamente pelo que diziam, os Clash, por outro lado, foram o cérebro da coisa.
Compare-se, por exemplo, a revolução apocalíptica dos Clash (“The ice age is coming, the sun is zooming in”) com a revolução um quanto básica dos Pistols (“God save the Queen, a fascist regime”) e dá para entender quem tem pena mais refinada.
Quem nunca ouviu o disco “London calling” está longe, longíssimo, de ser um entendido em música. A par com outros álbuns míticos, como o “Pet sounds” dos Beach Boys. o “Elvis is back” do Elvis, o “Closer” dos Joy Division, entre outros, nenhuma prateleira de CDs deverá ter a honra desse nome se não tiver, em posição privilegiada, este brilhante manifesto anarquista. Vou mais longe, se a Anarquia tivesse Constituição, não a ia buscar a outro lado senão aqui.
Esta “Train in vain” foi, curiosamente, colocada como faixa escondida do disco, mas a selecção natural destapou-a e hoje até figura em alguns best-ofs. Punk, ska e pop em três minutos de Verão.