sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Inspiração e expiração, ou o elogio da respiração

Para quem não sabe, hoje, por volta das 11 da manhã, tivemos uma sessão de meditação. Curioso exercício este, onde nos ensinam a respirar (não vá um gajo esquecer-se), ao som de música de elevador de spa (há quem lhe chame chillout por ter vergonha de a ouvir).
Enquanto praticávamos tal coisa – penso que o substantivo correcto é “respiração” – uma narradora ia atirando descrições paradisíacas com bosques, florestas, rios, gotinhas de água, vento e tudo o que seja cliché da parvoíce.

Quero que inspire e expire de olhos fechados.

Fantástico. Conheço muito boa gente que chama a isso dormir. Eu, por exemplo, adoro inspirar e expirar de olhos fechados cerca de meia-hora por dia, normalmente no sofá ao final da tarde, e depois volto a fazê-lo pela noite dentro, aí durante mais tempo.

Deixe que o vento lhe passe pela cara e que o Sol lhe aqueça o corpo.

É complicado, em sala fechada e com estores corridos. Fazendo uma grande esforço imaginativo consigo ver, vá lá, um saco de plástico cheio de pão saloio lá dentro. Mas vamos lá então dar asas à imaginação, vamos nessa... mais não seja para esquecer a praga da música de elevador que meteste desde que entrei na sala.

Imagine que é uma gotinha de água a correr num rio.

Hmmm, que gozo. Sou uma gotinha de água a fluir com um rio. Que paz. O céu azul. E o amor. Fodasse, que ontem esqueci-me de entregar o dvd no clube de vídeo. Sempre a mesma coisa, todas as semanas, sempre a mesma coisa.

Uma simples gota de água...

Lá vou ter de pagar multa outra vez. Se o filme pelo menos valesse a pena. Mas não.

... a correr rio abaixo, devagar, devagar...

Mais compensa alugar filmes através do MEO. Fica mais caro ao início mas multa nunca pago. Não há é tanta oferta.

... você está num estado de total inconsciência...

Sim, completa inconsciência. Onde é que já se viu - 10 euros por uma merda daquelas.

Vai agora começar a despertar, enquanto faço uma contagem decrescente... vou começar no número 10 e você começa a acordar, lenta, lentamente...

O Joaquin Phoenix quando se mete numa coisa, normalmente é porque é boa. Estranho ter-se metido num filme destes.

...10, 9... você sente o sol na cara... 8, 7... começa a ganhar de novo consciência... 6, pode voltar a mexer os pés e os braços...

Que liberdade. Que liberdade esta de mexer os pés e os braços. Outra grande lição de hoje. Respirar (se não me engano era respirar que se dizia, ou seria respigar?, não, era respirar, é isso, respirar) e mexer pés e braços. Soubesse eu disto antes e era feliz.

5, 4... está quase acordado, 3,2... 1, pode abrir os olhos.

Obrigado Cristiana, vou então abrir os olhos e contar o número de pessoas que se sujeitaram a isto. Ena, ena. Uma data delas Cristiana. Queres ver que esta coisa da respiração pega moda?

Então, foi complicado?

O quê? Respirar? Aquilo da inspiração e da expiração? Um pouco, cansa um bocado sabes. Da minha parte vou voltar ao que era antes e deixar-me disto, mas para quem realmente gosta, que aproveite, e que pague por isso. Coisas destas não têm preço.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Top Gun


A verdadeira passagem pela puberdade da juventude dos anos 80 e 90 teve uma manual de instruções muito especial - Top Gun, aprendeu-se aí o significado de estilo, de rebeldia... não tinha nada que enganar, e até as cenas românticas se aproveitavam, pois metiam Kawasakis, Porshes, o “Take My Breath Away” (valeu um Óscar a Top Gun) e a Kelly McGillis. Um jovem só passava a ser um gajo depois de ver Top Gun.

Desde o ano de 1986, quantos de nós na nossa imberbe juventude não desejaram ser o Maverick, pilotar F14’s e perseguir a Charlie numa Kawazaki Ninja.

Desde o ano de 1986, que os Rayban e o blusões à piloto de avião entraram na moda.

Foi no ano de 1986 que eram elas que arrastavam os namorados para as salas de cinema, para ver um filme de guerra e eles disfarçavam a lágrima quando o Goose morria (o único choro permitido no cinema até hoje é a morte do Goose, máximo 3 lágrimas).

Por tudo isso Top Gun é um dos raros filmes de acção que teve o condão de nos ter posto a sonhar, de ter criado modas e de ter rompido todas as barreiras, arrasando as bilheteiras Americanas e liderando a Box Office nesse ano batendo filmes como Platoon, Aliens ou Crocodilo Dundee. Os Americanos estavam loucos em mostrar o seu poderio Bélico, mas com estilo!

O responsável? Tom Cruise claro. Foi a bordo de um porta aviões da US Navy no Cockpit de um F14, que se deu o verdadeiro lançamento de um dos principais sex simbols da história do Cinema, o único que até hoje foi permitido um gajo ter tido um poster no quarto (desde que devidamente acompanhado pela Charlie e pela Kawasaki Ninja).

Cruise interpreta o Tenente Pete “Maverick” Mitchell que é convidado para a escola de pilotos de elite da US Navy - Top Gun, a partir daí penso que todos conhecem a história e se relembram da Charlie, Goose, Cougar, Jester, Merlin, Iceman (Val Kilmer pela 3ª vez em Gostas de Fly), Slider e claro da Meg Ryan. Muitos filmes de aviões se fizeram depois, lembro-me da saga Águia de Ferro, mas nenhum deles sequer beliscou a fuselagem do F14 de Maverick.

Apesar de ser um excelente actor e na minha opinião o mais injustiçado pela academia de Hollywood que me lembro, neste filme Tom Cruise encontrou a fórmula que definiu a grande maioria dos seus papéis, Jovem – Rebelde – Injustiçado – Revoltado – Incompreendido – Independente, quer se queira quer não este é o verdadeiro Cruise estes são os papéis que o fazem brilhar e lhe assentam que nem uma luva (Top Gun, A Cor do Dinheiro, Cocktail, Rain Man, Nascido a 4 de Julho, Dias de Tempestade, Horizonte Loginquo, Uma questão de Honra, Jerry Maguire – só para referir os 10 anos após Top Gun, sempre o mesmo tipo de personagem).

O realizador é Tony Scott que reencontrou Cruise 4 anos mais tarde em Dias de Tempestade e é o responsável por alguns brilhantes filmes de acção (próximos Fly’s em vista), tocando no extremo oposto realizou o Video de George Michael - One More Try, procurem o video e tentem achar as semelhanças com o Fly de hoje.

Quem não gostou de Top Gun, quem não delirou com a caça aos Mig’s, quem não se emocionou com a morte de Goose, quem não sentiu uma pontinha de inveja de Maverick, que dispare o primeiro rocket.



Este vídeo apesar de desconstruir o que escrevi, é a visão de Tarantino sobre Top Gun, dedicado ao Sam e ZA:

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Gostas deFly - Futebol - Jornada 12

Pep Guardiola – O Passe

A par do já flyado Fernando Redondo, estamos perante o melhor pivot defensivo que já vi jogar. Sim , porque isso do Trinco ou Cabeça de Área é para os jogadores normais, não para Pep Guardiola.

Este menino que, com 19 anos, Cruyff escolheu para comandar o seu batalhão de estrelas, foi o verdadeiro patrão do Dream Team. Inteligente, fortíssimo mentalmente, era um autêntco prolongamento do treinador no campo. E isto, recordo, com apenas 19 anos e numa constelação com Laudrup, Stoichkov, Romário, Bakero, Beguiristain, etc.

O seu posicinamento defensivo era logo um primeiro passo para lançar o ataque. Nada era feito ao acaso. Cada pedaço de relva que pisava tinha um propósito. Mas tudo era feito em soupless. Estamos a falar de um pivot defensivo que, ao invés de se preocupar com a marcação era, ele sim, alvo da marcação do médio ofensivo ou avançado contrário, por forma a cortar à nascença a fonte de todo o jogo blaugrana.

Posso até dizer que Guardiola é o meu tipo de jogador. Não driblava, não fazia muitos golos, não desarmava de carrinho, não “voava sobre os centrais” como diria Rui Veloso e, ainda assim, era um jogador fantástico.
Onde os outros viam pernas, Guardiola via relva, onde os outros viam ruelas, Guardiola via avenidas. Era uma espécie de robot do passe, com um telecomando personalizado, qual primeiro espécime da tribo Meo tão em voga hoje em dia.
Foi o inventor do olhar para um lado e fazer o passe para o outro mas, ao contrário da ostentação dos craques da actualidade que o fazem, para Guardiola era algo tão natural como apertar as botas, fazendo-o unica e exclusivamente para ludibriar os adversários. O mérito dos golos e as estatistícas que ficam nos anais são para os outros. O passe preencia-lhe a alma como os golos preenchiam a de Romário.

No futebol europeu actual vejo 3 jogadores que possuem algo de Guardiola.
Xavi, que foi o seu herdeiro natural numa 1ª fase, possui algumas das suas características mas acabou por não se fixar como pivot defensivo, tornando-se num fantástico médio all around. Andrea Pirlo, que recuou 20 metros no campo mas mantém os pés de veludo de fantasista, a inteligência acima da média e uma capacidade de passe notável.
Miguel Veloso, que, em termos de passe de ruptura e intuição, alternar o jogar curto com o jogar longo, tem alguma coisa de Pep naquele pé esquerdo.

Ao longo da carreira, foi sempre fiel ao seu Barça e assim lá passou quase toda a carreira, de 1990 a 2001, conquistando uma série de títulos, entre eles a, até então, inatingível Taça dos Campeões Europeus, 1 Taça das Taças, 2 Supertaças Europeias e 6 Ligas Espanholas.
Pelo meio liderou a selecção espanhola rumo à medalha de ouro do torneio olímpico do Barcelona 92, numa equipa que tinha também Cañizares, Luis Enrique, Ferrer, Abelard e Kiko.
Depois dos catalães, passou ainda uns anos no calcio (Brescia e Roma), terminando a carreira nos relvados mexicanos.
Hoje em dia, fruto do talento e da saudade que deixou em Camp Nou (e de continuar a ser um protegido de Johan Cruyjff), e após orientar as equipas primavera do Barça, é o treinador da equipa principal. Espera a afficion que deixe, como técnico, um legado semelhante ao que deixou como jogador. Agradece o Barça e o adepto do futebol total.

Se o Barça é “més que un club” Guardiola foi, seguramente, “més que un jugador”.
Deixo-vos 2 vídeos imperdiveis: a arte de Guardiola e um depoimento de Cruyff sobre os elementos que compuseram o Dream Team.



sexta-feira, 24 de outubro de 2008

MARADONA

Aproveito para vos informar que estreia amanhã o filme "Maradona" do realizador Emir Kusturica, já abordado em Gostas de Fly, no festival Doc Lisboa. Em princípio para a semana já estará nas salas de cinema. Não percam, depois dos 10 Mandamentos, A Bíblia, A Paixão de Cristo mais um filme que fala de DEUS.

Que tal celebrarmos a nossa religião com uma ida ao cinema?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Voando Sobre um Ninho de Cucos


Que Jack Nicholson é um génio toda a gente sabe, que é o melhor psicopata/louco/esquizofrénico da história do Cinema, não é novidade para ninguém, mas que deve agradecer o seu 1º de 3 Oscares à Rígida Alfandega da antiga Checoslováquia duvido que muita gente saiba. A prequela real de Voando Sobre um Ninho de Cucos, um filme predestinado que foi guardado para os génios certos no momento certo, é feita de contornos irreais provavelmente intrínsecos aos próprio filme.


Decorria o ano de 1963 quando Kirk Douglas após protagonizar a peça de teatro Voando Sobre um Ninho de Cucos na Broadway, parte com a mesma para a Europa do Leste. Na Checoslováquia conhece Milos Forman um jovem realizador Checo, convidando-o de imediato a realizar a peça no grande écran. Regressado aos Estados Unidos envia-lhe o livro por correio, Forman nunca respondeu.


Douglas não desiste, e mesmo sem Forman decide avançar com o filme, mas os direitos da peça estavam bloqueados. Os anos passaram e Kirk Douglas, já com os direitos da peça, viu-se sem idade para a protagonizar, e passa-a para o seu filho Michael Douglas produzir. Michael Douglas consegue financiar o projecto e ao procurar um realizador, descobre Milos Forman, entretanto a viver em Nova Iorque e já com currículo e fama. Quando o velho Kirk e Milos se reencontram mais de 10 anos depois, chegam à conclusão que Forman nunca recebeu o livro já que o mesmo foi confiscado pela Alfandega Checa, resultado: o filme foi realizado pelo mesmo Formam 13 Anos depois mas com uma diferença... Nicholson.


Quanto ao filme, passa-se num hospício onde McMurphy (Nicholson) dá entrada fazendo-se passar por louco para fugir à condenação por agressões diversas e abuso de menores ("...she was fifteen going on thirty-five...", desculpa-se). A partir daí o filme é pura genialidade, Forman tem esse hábito que é fazer grandes filmes, consegue-nos deslumbrar com a delicadeza com que nos conta cada cena, é inigualável, consegue através da frieza de um hospício e de uma dúzia de lunáticos que o habitam levar-nos num ápice da emoção à gargalhada. O final é memorável uma verdadeira lição de vida. Forman voltará certamente ao Gostas de Fly.


No meio de tudo isto, Nicholson no seu auge (aliás nunca saiu dele), simplesmente frenético, incendiando cada cena em que entra. Neste filme várias vezes nos questionamos se a loucura de McMurphy é real ou ensaiada, na minha opinião Nicholson nunca o revela.

Danny de Vito, Cristopher Lloyd entre outros compõem o insano elenco com interpretações notáveis. Louise Fletcher interpreta a enfermeira chefe que é o oposto à rebeldia de McMurphy e passa uma das mensagens principais do filme, personifica a opressão, a intransigência a tacanhez...e ao que tudo isso conduz.


Uma imperdível celebração da loucura.


Os Oscares de 1975 foram dominados por este filme, Melhor Actor Principal, Melhor Realizador, Melhor Filme, Melhor Actriz Principal e Melhor Argumento Adaptado (um best seller de Ken Kesey), estreia de um grande Oscarizado em Gostas de Fly, o vídeo abaixo é precisamente Nicholson a receber a devida e merecida estatueta:



segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Gostas De Fly - Futebol - Jornada 11

Fernando Gomes – O Bi-Bota

Eis o maior predador de sempre do futebol português. Aquilo a que os mais antigos chamam de número 9, matador ou avançado centro.
Fernando Gomes era letal. Bastavam 2 metros de espaço na grande área e era seguro que a rede ia abanar. O único que vi que com ele concorreu foi Super Mário Jardel mas, ainda assim, the oscar goes to Fernando Gomes.

Gomes era um animal de área mas era, ao mesmo tempo, um jogador elegante e de fino toque. Tinha apenas 1,74 cm mas jogava de forma soberba no espaço aéreo (JVP é um digno sucessor em termos de técnica de cabeceamento). Com movimentos curtos e rápidos em pequenos espaços de terreno, era incisivo, atacava a bola e conseguia quase sempre a antecipação (já Jardel escondia-se nas costas do defesa, no limite do offside). Tinha o faro do golo e normalmente jogava a um só toque, o do golo.

A sua carreira está intimamente ligada ao FC Porto, o seu clube de coração. Aí jogou durante 13 épocas, em 2 períodos distintos, com um par de épocas de permeio, em Gijon, no Sporting local.
Nessas 13 épocas conquistou, a título colectivo, 5 Campeonatos Nacionais, 3 Taças Portugal, 4 Supertaças, 1 Taça Campeões Europeus, 1 Supertaça Europeia e 1 Taça Intercontinental.
Mas a título individual não fez por menos: venceu 6 vezes a chamada Bola de Prata para o melhor marcador do campeonato nacional e consegui 2 Botas de Ouro para o melhor marcador da Europa (daí a alcunha do Bi-Bota). Foi o primeiro português após Eusébio (agora há também Cristiano Ronaldo) e ainda é o único lusitano a vencer o prémio por 2 vezes.
E ainda conquistou a filha de José Maria Pedroto, o treinador....Era ou não letal?

Mas como todas as histórias de Super Heróis, há sempre uns vilões que os tentam destruir. E nesta ele também existiu. Em 1989, Tomislav Ivic (sim, o mesmo que pediu para encurtar o relvado da Luz 2 ou 3 metros em cada lado antes de um jogo com o Salgueiros, para o Benfica pressionar melhor), coadjuvado pelo mítico Octávio Machado, declarou “Gomes Finito!”.
Mas Gomes não concordou e com o brio que sempre se lhe reconheceu durante anos a fio como capitão dos azuis e brancos, foi á procura de outras redes com quem conversar. Encontrou-as em Alvalade e, já com 33 anos, em 2 épocas de leão ao peito, fez 30 golos em 63 jogos no Campeonato...Para croata ver, como diz o povo. (ah, é verdade, esse jogo com o Salgueiros terminou 0-0, como é óbvio).

Remato com 2 pequenos vídeos que não lhe fazem a mínima justiça (o Youtube devia ter surgido 10 anos mais cedo) mas, se quiserem saber como era um golo à Fernando Gomes, vejam o golo de Nuno Gomes ao Nápoles (bónus track). Troquem a camisola vermelha por uma azul e branca, troquem o Nuno pelo Fernando (by the way, Nuno é Gomes no meio futebolístico em homenagem ao nosso herói desta semana), e troquem o Carlos Martins pelo Jaime Magalhães e...voilá!

Afinal estamos a falar de alguém que no campeonato nacional, em 405 jogos, fez 318 golos, ou seja, uma média de 0,78 golos por jogo... Números só de matador, para quem, e passo a citar uma célebre frase sua, “Marcar um golo é como ter um orgasmo”.






quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Portugal – Albânia, pequena dissertação filosófica

Aquilo de ir a todos os Europeus e Mundiais. Aquilo de chegar longe nas competições. Aquilo de ficar à beira de ser campeão de alguma coisa. Aquilo de sermos temidos como se fossemos a máquina de guerra Germânica em plena segunda guerra. Aquilo de nos respeitarem internacionalmente, inclusive pelos tais Germânicos da máquina de guerra. Aquilo de ganhar jogos fazendo apenas o suficiente. Aquilo de sermos o monstro da eliminação de Ingleses e Holandeses.

Aquilo era, vendo bem, tão pouco português.

Portugal não era aquilo de antes, Portugal é isto de hoje.

Isto de perder tudo em cinco minutos. Isto de tentar compensar a merda que se fez antes. Isto de se desenrascar com aquilo que tem, que normalmente é pouco, nas condições possíveis, que normalmente são más. Isto de ler a lei de Murphy e compreender cada palavra. Isto de acusar tudo e todos por tudo o que aconteceu de mau, e de agradecer a Deus por tudo o que aconteceu de bom.

Isto é o que sempre fomos, e lá nos conseguimos livrar daquilo bem a tempo.

Hoje, finalmente, voltámos a ser Portugal.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Alien


No final da década de 70, a palavra medo ganhou novos contornos na grande tela. Ridley Scott rompe por completo com os filmes de terror da altura, põe de lado os espíritos, demónios e psicopatas e personifica o terror através de uma horda de criaturas jamais vistas na história do Cinema...Alien.
Em 1979 Alien fez a sua 1ª aparição, era aquele tipo de filme que os nossos pais jamais nos deixavam ver, e nós dizíamos "Ahh é só um filme de naves não tem mal, vai-te deitar que eu fico a ver..." e passadas quase duas horas lá íamos nós, todos borradinhos de medo a correr para a cama, a olhar do canto do olho para os cantos escuros do tecto para nos certificarmos que ali não haviam surpresas... aposto que neste momento estão todos a abanar a cabeça e a concordar comigo (cuidado ZA) independentemente da idade, o que demonstra a transversalidade do fenómeno Alien a todas as gerações, é um filme intemporal.

Desde que me lembro já haviam 2 Alien por isso era dose a dobrar.... O 2º filmes da saga - Aliens - é de 1986 realizado por James Cameron, igualmente excelente por isso difícil escolher entre um deles mas pela disrupção ficamos com Alien (o 8º Passageiro). O 3º e principalmente o 4º já são filmes bastante inferiores pelo que apenas merecem a referência. Actualmente a saga foi alargada ao Predador, filmes a anos Luz do misticismo Alien.

Voltando a Alien (e este é que acredito mesmo que não há quem não o tivesse visto, se não viram das duas uma 1 - são uma gaja 2 - parem de ler este post), pela primeira vez o terror era levado à séria num filme de ficção científica, revelando todos os medos que o avanço tecnológico poderia trazer, a história penso que todos conhecem. O dedo de Ridley Scott vê-se no contraste brilhantemente explorado entre a segurança e todo o esplendor da nave Nostromo e a criatura Alien, além do medo são-nos transmitidos outros sentimentos. A sensação de alívio que partilhamos com Ripley quando ela (pensa que) está em segurança é extrema, que quase ansiamos que o filme acabe para o Alien não voltar a aparecer, é quase visceral... Ridley Scott, um dos mais influentes realizadores actuais deu-se assim a conhecer ao Mundo.
A própria criatura é algo de único na história do Cinema e a tensão duplicava quando descobríamos que tinha ácido em vez de sangue e um instinto impiedoso numa forma jamais vista, relembro que estávamos em 1979 e nas versões mais actuais as semelhanças das criaturas com o original são evidentes.

Obviamente que falar de Alien é falar de Signourey Weaver é a linha comum a toda a saga, apesar de todo o sofrimento que os 2 primeiros filmes lhe infligiram, voltou para um 3º e um 4º após ter prometido que não voltaria a fazê-lo (os 11 Milhões de Dólares de Aliens 3 certamente ajudaram), por tudo isso Ellen Ripley tem o estatuto de 8ª melhor personagem de sempre da história do cinema (segundo a Premiere). É a personagem completa, apesar da postura militar e do medo que a consome, em alguns planos mais arrojados de Ridley Scott tem ainda tempo ser sexy, e acreditem que não é pouco.

Actualmente a experiência Alien (principalmente o 1 e o 2) só peca por não poder ser vista como merece, numa sala de cinema com os decibéis aos máximo, completamente às escuras, e as nossas namoradas agarradas ao nosso braço petrificadas de medo (e nós também).

In space no one can ear you scream.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bricó quê?

Apercebi-me hoje, por imposições profissionais, que coisas como cortar madeira, pregar algo a uma parede ou usar alicate à bruta podem ser reduzidas a um termo de nome, e agora atenção, Bricolage. Confesso a minha ignorância quanto a este assunto mas a verdade é que, admitindo a falha, acho-a não só desculpável como até compreensível. Dar um nome tão arrogante, tão chauvinista, tão francês, a uma actividade que tresanda a masculinidade faz-me demasiada confusão. Repeti hoje variadas vezes – “bricolage”… “bri-co-la-ge”... “b-r-i-c-o-l-a-g-e”… – e não consigo deixar de pensar em roupa interior de mulher idosa.
Pior: ao indivíduo que a pratica é comum dar-se o nome de bricoleur. Veja-se bem, bricoleur. Um homem de martelo na mão a partir madeira que nem um animal é um bricoleur. Note-se a comparação das palavras: martelo (sim, esse termo que dá nome ao bonito verbo “martelar”) e bricoleur – como é possível ter as palavras martelo e bricoleur na mesma frase ninguém sabe, mas a verdade é que são praticamente sinónimos.

Já manifestada a minha indignação aproveito para dizer que me recuso a usar bricolage ou bricoleur para definir seja o que for, mesmo que seja roupa interior de mulher idosa, e que acabo de inventar novo conceito. Suprimindo a irritante acentuação francesa, substituindo o efeminado i pelo brutamontes u, e acrescentando um m no final para lhe dar uso corrente, ficamos com algo como Brucolagem. Assim mesmo, de sotaque português bem cavado no Ribatejo: Brucolagem. E quem o pratica passa a ser um Brucalojador em vez daquela paneleirice francófona. Agora sim, posso ter uma pá na mão sem me sentir envergonhado, podendo brucalojar aquilo que bem entender.

Gostas de Fly - Made by Man




Auka Buddha

Localização:
Sri Lanka – (Ceilão foi adotada pelo país até 1972), é um país insular asiático, localizado ao largo da extremidade sul do subcontinente indiano. Tem costas para a Baía de Bengala a leste, Oceano Índico a sul e a oeste, e o Estreito de Palk a noroeste, que o separa da Índia. A sua capital é Sri Jayawardenapura-Kotte (ou simplesmente Kotte), subúrbio da antiga capital Colombo, desde a inauguração do novo edifício do parlamento, em 1982.

O Monumento:
Aukana Buddha é o nome dado a esta magnifica Estátua de 13 metros, representando o Buddha.
A estátua, à semelhança dos monumentos Lankatilaka Vihara e Buduruwagala, e de muitas outras pelo Mundo fora, tenta representar os poderes sobrehumanos e transcendentais do Buddha.
É neste momento uma das mais altas estátuas do Buddha (talvez a maior), depois de Bamiyan (Afeganistão) ter tido todas as suas destruidas.
A estátua foi escupida numa única rocha, à qual ainda se encontra ligada, quase imperceptivelmente pela parte traseira.
Diferentemente de outras estátuas erigidas pela ilha, que se encontram na posição “Abhaya Mudra” (não temer nada), Aukana Buddha, encontra-se numa posição de “Asisa Mudra”, ou seja numa posição de “abençoar o visitante”. Essa posição caracteriza-se pela mão direita (a que representa nas Estátuas de Buddha o objectivo ou acção) na posição de abençoar, e a mão esquerda numa posição de segurar o robe como se fosse para passar um rio (simbolizando o Ciclo de Re-Nascimento).
A expressão é duma serenidade extraordinária, e do seu cabelo caracois de chamas emergem, identificando a “siraspata” significando “the ultimate enlightenment”, ou seja o alcançar do UNO Espiritual.

História:
A estátua foi descoberta por Sir James Emerson Tennent, em 1850, enquanto percorria as florestas locais seguindo trilhos de elefantes asiáticos.
A sua edificação remonta do Séc. 5, do Reino do King Dathusena (459-477 AD).
Perto de Aukana Buddha, apenas a 9 Km de distância fica uma outra Estátua semelhante, em Sasseruva. Acredita-se que ambas as estátuas foram construidas em simultaneo por um escultor e pelo seu aprendiz. Diz-se que teria havido uma competição entre os dois, e que o assinalar do final da competição coincidiria com o final da construção da primeira estátua. O escultor terminou primeiro, o que fez com que a estátua do aprendiz ficasse até hoje incompleta.
Hoje, após centenas de anos da sua construção ainda se pode ver os monges budistas, oferecerem ramos de flores apanhadas de manhã e oferecerem à estátua, juntamente com os primeiros raios de sol.
Uma das cerimonias locais mais lindas, é a procissão das crianças, que saem da vila local, subindo o monte até ao complexo onde se encontra a estátua.
Ao longo dos anos, o templo em que a Estátua se insere, tem se vindo a revestir de importância cultural da comunidade usando-a (ou às zonas do Templo) como escolas e locais de aprendizagem.
A estátua representa o Budismo no Sri Lanka. Religião essa que chegou à ilha proveniente da India algures no Séc.III BC, e ficou como religião principal adoptada pela população desde o primeiro grande rei do Sri Lanka, o Rei Anuradhapura.

Curiosidades:
- Aukana significa “Sun eating”, ou “Comendo o Sol”, tentando ilustrar os maravilhosos nascer e pôr do Sol sob a estátua e os efeitos produzidos pelos reflexos.
- É crença local que a Estátua está construida com tal pericia, engenho e objectivo, que em dias de chuva, a pingueira formada pela agua que cai do nariz da estátua, cai precisamente no meio dos dedos dos pés da Estátua.
- Tão admirada pelos habitantes do Sri Lanka, que várias replicas em tamanho menor foram erigidas em vários pontos da ilha.
- É a única estátua do País que, com regularidade, merece honras de estado, quando recebe Homens de Estado quer do Sri Lanka quer estrangeiros.
- Ao se chegar, tem-se uma recepção extremamente calorosa pelos monges locais, professores, alunos … que frequentam o Templo. O povo local é extraordináriamente amável para com os forasteiros.
- É um sitio calmo, e que não recebe muitos turistas ainda, pelo que apresenta-se como um local turistico tranquilo e sereno.
- A estátua foi erigida na mesma altura que o Lago Kala Wewa (lago ou tanque artificialmente criado nas redondezas) foi criado e crê-se que em certas alturas os olhos da Estátua estão ao mesmo nivel da agua do mesmo.

Best time to see:
- A melhor altura para visitar esta maravilha arquitectonica, é ao raiar do dia, quando os primeiros raios de sol nascem do Este, e criam um cenário extraordinário.
- A descrição da estátua feita no livro “The Handbook for the Ceylon Traveller”:
“The best time of day to view this statue is dawn. The first rays of morning sun bring out the rich hues of the rock image and makes it seem to come alive against the deep green of the trees beyond. As the sun rises higher it reveals the serenity of the exquisitely carved face: rising higher still, the sunlight picks out the gracefully carved robe, each pleat of which is a triumph of art.”

Recomendações:
- Dependendo da altura do ano, vestir roupa adequada ao calor ou chuva, mas ter sempre atenção para vestir de forma modesta, sem grandes ostentações. (isto aplica-se também na maior parte dos templos e locais sagrados do Sri Lanka)

Manic Street Preachers - Motorcycle Emptyness

Em 1991 Gales deu ao mundo uma das bandas mais politizadas da história rock. Esteticamente glam e musicalmente entre o air rock e o punk visceral dos Sex Pistols, os Manic Street Preachers tinham tudo para ser polémicos. Richey James, apesar de não ser vocalista e de a sua perícia na guitarra ser muitas vezes troçada nos bastidores, sobressaía-se como ícone da banda – exímio letrista, instável e desequilibrado, ficou conhecido por se auto-flagelar numa entrevista quando questionavam quão autênticos eram realmente os MSP.Em 1992 sai o debutante Generation Terrorists e músicas como You Love Us ou Motorcycle Emptyness começam a chegar às rádios. Por trás do inegável tacto em construir grandes canções rock escondem-se letras altamente subversivas. O álbum é um panfleto de retórica esquerdista e um autêntico regicídio na monarquia do Reino Unido – “repeat after me, fuck Queen and country/ repeat after me, death sentence heritage”. Faixa atrás de faixa disparavam contra o establishment, fosse ele o capitalismo, a apatia das massas, as marcas, a publicidade, a religião ou a coroa Britânica. A crítica gostou da ousadia e recebe-o bem. O hype estava criado pressionando os MSP a voltarem atrás na sua promessa de acabarem com a banda a seguir ao primeiro álbum ser lançado.Seguiu-se Gold Against the Soul, seguimento previsível do primeiro disco, menos inspirado e mais acomodado que o antecessor, mesmo assim mostrando aqui e ali um novo lado dos MSP, mais sinfónico, que seria trabalhado em anos futuros. O que dava que falar, contudo, não era o novo álbum: as fissuras existentes na banda tornaram-se evidentes demais - Richey James estava cada vez mais reduzido ao que sobrava de si próprio, Nicky Wire fazia questão de soltar tiradas inconvenientes dia sim dia não e a banda tocou com apenas três elementos durante grande parte da sua tour (a falta de comparência vinha, claro, da parte de Richey James).Em 1994 chegou Holy Bible, ainda hoje considerado por muitos como o melhor álbum gravado pelos MSP. Holy Bible carregava todo o desencanto que Generation Terrorists tinha mas extremou-o lírica e musicalmente. Goste-se ou não, foi o álbum bomba dos MSP, as guitarras estavam mais ríspidas que nunca e as letras totalitariamente radicalizadas. É, provavelmente, o disco mais furioso e desacreditado da década de 90. Richey explicou tudo o que sentia por lá: versos como “childhood pictures redeem, clean and so serene/ see myself without ruining lines”, “these sunless afternoons I can’t find myself” ou “he's a boy, you want a girl, so tear off his cock, tie his hair in bunches, fuck him, call him Rita if you want” anunciavam o que estava para vir. A promoção do álbum nos Estados Unidos estava próxima mas antes disso Richey James volta a ser notícia pela última vez. A 1 de Fevereiro de 1995 desaparece, tendo o carro sido encontrado junto a uma ponte perto de Bristol, famosa pelos suicídios que recebe. Pouco tempo depois Richey foi considerado morto, embora o seu corpo nunca tenha sido encontrado. A banda ficou devastada com a notícia e temeu-se o seu fim. Para a grande maioria dos fãs, e possivelmente também para os três restantes membros, os Manics deixariam de ter sentido sem Richey que era visto como a alma e o cérebro do grupo – mesmo tendo em conta a sua limitada capacidade musical, a verdade é que era ele que encabeçava toda a raiva política e social conhecida nos MSP. Sean Moore, o pouco mediático baterista da banda, definiu-o da melhor forma, intitulando-o como o seu ministro da propaganda.Mas James Dean Bradfield, que de todos os elementos sempre foi o mais músico, assegurou a continuidade do, agora, trio. Poucos meses depois voltaram a reunir-se para compor novos temas. Agarraram em antigas letras de Richey James, juntaram novas de Nicky Wire e James Dean Bradfield encarregou-se de construir canções rock de tom épico. O resultado foi Everything Must Go (não é preciso mencionar a quem é que o título era dirigido), o álbum que pôs os Manic Street Preachers como estrelas internacionais. Além do aplauso da crítica e das vendas astronómicas que teve, Everything Must Go coleccionou prémios pelo mundo fora. Ainda assim, não se livraram de ser acusados de vendidos pelos fãs de primeira hora, ainda revoltados pela perda do seu elemento mais combativo.E foi a partir deste momento, pós Richey James, que os MSP deram inicio a uma nova fase. É verdade que a veia política está lá e sempre estará, mas estes Manics, os de hoje, estão já muito longe da fúria Marxista de 90. De Everything Must Go (1996) até Send Away The Tigers (2007), os três Galeses envelheceram, amainaram, serenaram e começaram a dar mais importância ao detalhe melódico que à luta política pura e dura. This Is My Truth Tell Me Yours (1998) é paradigmático nesse aspecto: canções calmas, melodiosas e introspectivas, quase caseiras. Mesmo Know Your Enemy (2001), que dos últimos discos é visto como o mais activista, alinha a sua forte posição política com um discurso bem mais leve, ou pelo menos não tão chocante, que as primeiras obras da banda. Ainda houve tempo para prestar uma interessante homenagem aos 80’s dos New Order quando lançaram Lifeblood, em 2004. E agora temos este Send Away The Tigers, acabado de sair, e com um single fresquíssimo de nome Your Love Alone Is Not Enough a dizer-nos que eles estão para durar.

Sean Moore disse que de três em três discos os MSP fazem um álbum de ruptura. Foi assim com Holy Bible, foi assim com Know Your Enemy e, se as contas não me falham, será assim com o próximo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Gosta de Fly - Futebol - Jornada 10

Walter Zenga – O Homem Aranha

Para quem depois viu Preud-Homme, Schmeichel, Baía ou Buffon, pode agora já nem ter Walter Zenga como um dos eleitos mas o certo é que, entre a 2ª metade da década de 80 e a 1ª metade da década de 90 foi, literalmente, o Maior.

Com uma envergadura perfeita para posição (1,88 cm) e com os atributos da grande escola italiana de guarda-redes (vidé Zoff, Tancredi, Peruzzi, Pagliuca, Buffon...), Zenga tinha uma grande colocação entre os postes, dominava bem o espaço aéreo, era ágil e um verdadeiro líder. A tudo isso, juntava ainda toda a postura de um italiano vero: elegante, vaidoso, com cabelo à ponta de lança e sempre de meia preta a condizer com o calção e a bota. Era o meu GR.

Começou nas divisões secundárias e chegou ao Inter em 1982, agarrando a titularidade na 2ª época em San Siro, para ser o rosto da baliza interista até 1994. Jogou ainda 2 épocas na Samp e 1 na Pádova, terminando a carreira nos states ao serviço nos New England Revolution.

Durante a sua estada no Inter, Zenga, mais que ganhar títulos (1 Scudetto e 2 Taças UEFA), ganhou o coração e o respeito dos tiffosi, o que foi bem expresso há umas semanas atrás quando, como treinador do Catania, regressou pela primeira vez a San Siro e foi alvo de uma estrondosa homenagem com uma tarja que dizia somente W 1 Z - Walter Zenga o Nº1.
Mas o reconhecimento não foi só em Itália já que foi 3 vezes consecutivas, 89, 90 e 91, eleito o melhor GR do mundo.

Já na Squadra Azzurra, foi dono e senhor a partir do Euro 88 mas o momento alto aconteceu no Mundial de 90, realizado precisamente em Itália. A minha Itália fez um início de prova fantástico e chegou até às Meias Finais sem sofrer um único golo. Zenga esteve 517 minutos sem sofrer um golo o que, ainda hoje, é recorde em fases finais de Mundiais. Só que, no início da 2ª parte, Caniggia (até com algumas responsabilidades de Zenga) decidiu terminar com o recorde e mudou a história anunciada, restabelecendo a igualdade e levando o jogo até ao desempate por grandes penalidades onde o herói viria a ser o GR argentino Goycochea.
A Itália ficou pelas meias finais sem perder um único jogo e tendo sofrido apenas um golo. O Futebol é ingrato...ás vezes até para os italianos.

Abaixo, deixo-vos um brevíssimo vídeo do referido tributo prestado pelos tiffossi nerazzuri e uma compilação de grandes momentos de Walter Zenga.




quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Nome da Rosa


Dizer que a adaptação ao cinema da famosa obra de Umbeco Eco - O Nome da Rosa - comete a proeza de conseguir acrescentar algo mais a um livro por si só notável, mostra toda a dimensão deste filme.

Relembro, pois não acredito que não haja quem não o tenha visto, que a história começa com uma estranha morte que assola uma abadia beneditina em pleno século XIV Italiano. Mas não é só pela penumbra de crime e mistério que envolvem este filme que ele é notável, é a turba entre a fé e a tentação, a crítica à pobreza e opulência do clero, a mão manipuladora e cruel da Inquisição, a mesquinhez cega das crenças...épico.

Cunhando o filme de uma forma única, o intocável Sean Connery, interpretando o papel de William of Baskerville, um monge Franciscano que ao jeito de Sherlock Holmes é chamado para resolver os mistérios que envolvem as mortes, fazendo-se acompanhar do seu aluno Adso (um dos primeiros papéis de Christian Slater).

Este é um dos primeiros pós James Bond de Connery que praticamente definiu a bitola do resto da sua carreira, é sem duvida um papel "Tailor-Made" para Sir Connery. De destacar ainda as interpretações de F. Murray Abraham no papel do Inquisidor Bernardo de Guy e a tendência de Ron Pealman para interpretar personagens menos convencionais - basta achar o ponto comum entre Salvatore, o Monstro Vincent (da série de TV Bela e o Monstro), Hellboy ou Sayer of the Law (Ilha do Dr. Moreau).

O filme é de 1986 e é brilhantemente realizado pelo Francês Jean-Jacques Annaud, que alguns de vós conhecerão de Inimigo às Portas e muitos de vós de 7 Anos no Tibete.

Desafio-vos assim rever ou ,admitindo que haja alguém que nunca viu, a ver este clássico. Consta nos meus filme preferidos de todos os tempos, rodando várias vezes desde o velhinho VHS até ao DVD. É simplesmente imperdível, pela história, pela época, pelo mistério... Ah! e tem a Rosa...


Fica o trailer:





segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Ralo .... da Banheira !!


Queria começar este meu Post com um breve texto, que intitulei de “A sensualidade do Ralo da Banheira.”:
“ ... o liquido tanslucido e morno, desce suavemente pelas margens brancas e amenas da banheira ... docemente como se se tratasse de caricias de dedos sensuais a deslizar nos seios desnudados duma mulher ...
... vai descendo, no seu rumo morno e terno, e à medida que se aproxima, o que era suave começa a tornar-se mais agitado ... como se esses mesmos dedos vibrassem de excitação ao descerem de encontro ao ventre exposto ...
... de repente, no meio já de aguas tumultuosas, vislumbra-se o destino tépido e cruel ... tal como se os dedos mergulhassem nos lábios humidos e repletos de sensualidade duma mulher.”



É extraordinária a capacidade do ser humano em tomar a maior parte das coisas por garantidas.
A complexidade de tudo o que nos rodeia é tão simples, que muitas vezes nos passa pelos olhos sem tomarmos real consciência de que existe.

O Ralo da Banheira !!!! Mas o que é isso do Ralo da Banheira??
Será que merece a pena falar no Ralo da Banheira?
Pessoalmente acho que não. Acho que é uma perda de tempo, e simultaneamente uma estupidez, mas uma vez que já comecei a escrever, vou terminar.

Primeiro acho que temos de nos perguntar “O que é o Ralo da Banheira”?
- Pois é. Por definição é a zona por onde a agua da banheira se escoa, ou como muitas vezes descrito pelo povo, como o “sitio onde fica a m***a retida”.
Eh pá ... mas, será que é apenas isso? Será que não há nada mais além? Será que o Ralo da Banheira é apenas um escoadoro para a trampa?
Pois é caros amigos ... eu acho que sim. O Ralo da Banheira é apenas um simples e sem interesse filtro de trampa.
Mas também acho que há algo mais. Algo muito mais profundo que nos liga intimamente a esse mero ponto de passagem.
O Ralo de Banheira é um amigo que nos ouve os lamentos, as queixas e jamais se importa ou riposta.
É um verdadeiro camarada, que pacientemente escuta as nossas cantarolices no banho sem nunca se queixar, nem se importando quando acrescentamos ao Refrão, um ou dois peidos, daqueles bem sonoros, que muitas vezes até que dão um toque de classe à musica.
Já repararam que o Ralo jamais se importa se se peidam, cospem, assoam, ou mesmo “agitam o iogurte” ... é mais que um amigo ... e está lá para todas as alturas.

No entanto, continuamos a fazer sofrer os Ralos da Banheira deste Mundo, e muitas vezes com requintes de malvadez.
Quando o Ralo entope, lá vem a ventosa (desentupidor) e …. pumba, pumba, pumba …
(vocês não gostariam também de, quanto estivessem de prisão de ventre que alguem vos espetasse uma ventosa no cu, para largarem o cócó, pois não?)
E a quantidade e diversidade de porcaria que obrigamos o ralo a engolir.
Pois é … Nós Jogamos à bola, nós vamos ao BTT, vamos ao PaintBall, e quando chega a altura de nos limparmos e tornarmos de novo a pessoa apresentavel, quem é que paga a factura?
Claro está … O Ralo da Banheira.
Pois é … é terra, é lama, é suor, é nhanha, … já imaginaram o que nós impingimos ao Ralo da Banheira? E alguem se importa com isso?
Nããã…
Pois é … o Ralo da Banheira é sem sombra de duvida um injustiçado e incompreendido.
Eu não consigo imaginar um Mundo sem Ralos de Banheira. E vocês?

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 9

Bruno Conti – Il Marazico

Na linha do nosso Paulo Futre, Conti era um extremo explosivo e intenso. Mas era de outro nível. Mais completo, com maior capacidade de drible e com um pé direito que não servia apenas para subir para o autocarro. Misturava classe com irreverência, talento com poder físico e personalidade forte, apimentada pelo tradicional sangue quente dos latinos.

Foi um vero romanista, a verdadeira bandeira dos giallorosso, já que apenas jogou na Roma entre 1973 e 1990, somente com 2 épocas de interregno por empréstimo ao Génova. É o jogador mais idolatrado da história da Roma, sendo hoje em dia bem secundado por Francesco Totti (os líderes dos scudettos romanos), isto depois de um “reinado” interessante de Giussepe Giannini, o “Príncipe Perfeito”.
Durante esse período, conquistou 1 Scudetto e 4 Copas de Itália e para muitos italianos, é considerado "l'ala più forte di tutti i tempi del calcio italiano". Para mim, foi talvez a maior razão de ser hoje um romanista convicto.

Mas foi na selecção que atingiu o reconhecimento que o seu talento exigia. No Mundial de 1982 em Espanha, pintou a manta e carregou a Itália até ao título Mundial. Se Rossi foi o artilheiro da prova a grande figura foi, sem dúvidas, Bruno Conti. Ficou conhecido como “Il Marazico”, ou seja, um mistura explosiva de Maradona e Zico.
E até os adversários se renderam. A propósito da sua prestação, disse Pelé: É Bruno Conti o verdadeiro brasileiro do Mundial; o melhor de todos os jogadores que vi na Espanha. Acreditava que jogadores como ele não nasciam mais”.
Já Karl-Heinz Rummenigge, seu adversário na Final, fez questão de ficar com a camisola de Conti, afirmado: “Italia ha vinto meritatamente. Il più grande in assoluto? Per me Bruno Conti; è stado un onore per me scambiare con lui la maglia dopo la finalissima. La conserverò come ricordo di un grandissimo campione".

I miei amici, gli presento Bruno Conti.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Burial - Archangel

Ou porque ama demasiado a liberdade ou porque é demasiado eremita, dele nada se sabe. Apenas que é Londrino e que é um génio do dub. Até pode ser mulher, inclusivamente, ou um miúdo de quinze anos. Disse numa entrevista (por telefone, obviamente), que apenas 4 ou 5 pessoas da sua própria família sabem que ele compõe música e nenhuma delas o liga ao projecto Burial.
O que realmente se sabe é que em dois anos fez dois discos, e em dois discos fez duas obras-primas urbanas, nocturnas e eremitas. É provavelmente o único artista que consegue elevar a música electrónica a um patamar superior de misticismo.

Penso que será difícil pôr-vos a ouvir electrónica – não é, de todo, um género unanimemente aceite – mas arrisco a opção porque precisam de enriquecer os vossos ouvidos e a diferença nunca fez mal a ninguém.
A canção que apresento funciona como introdução ao último álbum, “Untrue”. Seria melhor colocar todo o disco em anexo, porque Burial deve ser ouvido de uma ponta à outra, mas é o que se arranja e serve bem – é banda sonora para uma Londres assombrosa e em decadência com luzes de tom escuro a iluminar pouco mais que a lua. O beat da música é das melhores coisas que a electrónica fez.

CHOPPER
This is a 100kph rollercoaster of a movie that must be seen. This makes lock stock and snatch (films I love) look like a film for little kiddies!
Fucking hilarious, nuts and bad ass. That pretty much sums up Mark "Chopper" Read. Hollywood could never have told this thug's story so well.
Eric Bana brilliantly plays (best performance up until now) the role of psychopathic Mark "Chopper" Read, a legendary criminal who wrote his best-selling autobiography, while serving a murder sentence in the maximum security Melbourne prison. Alternately wickedly funny and grotesque, CHOPPER gives no easy answer to the question of Chopper Read's motives to kill, but his method is clear, "Ya bash people for no reason, just to get a name for yourself." He is indeed, you guessed it, the new Ned Kelly.
I am not going to spoil it for you by writing a synopsis of the film, as I am sure you will all definitely want to see it. All I can say is that it is not difficult to understand why Brad Pitt and others signed up to the director's (Andrew Dominik) Jesse James film, already considered a masterpiece.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Gostas de Fly - Australia - 1

Evonne Goolagong


Evonne Fay Goolagong was born on July 31, 1951, in the town of Barellan, in New South Wales, Australia. She was the third of Kenneth and Linda Goolagong's eight children. Though they were not fully Aboriginal, each parent had native Aborigine ancesters. Evonne grew up in a poor but happy family. Her father was a farm laborer, performing tasks such as sheep shearing and fixing farm machinery, while her mother stayed home and took care of Evonne and her seven brothers and sisters (Evonne was the third of the eight children).
Goolagong left Australia at the age of nineteen to begin her first international tour in 1970. Having turned professional in 1971, wasting no time after gaining her pro status, she won that year's French Open and her first Wimbledon. She was the first Australian Aboriginal woman to achieve international fame in sport and the first Aboriginal person to do so in any sport other than Australian football or boxing.
During the 1970s, Goolagong won the women's singles title at the
Australian Open four times. She was also the runner-up at Wimbledon three times. At the US Open, she lost in the final four consecutive years (1973-1976), never winning the title.
From 1971 through 1976, Goolagong reached the final in 16 of the 24 Grand Slam singles tournaments that were held, winning five of them. A little like SL Benfica reaching the UEFA Champion's league finals 5 times and only winning 2.
After the birth of her 1st child in 1977, Goolagong decided to retire. This decision was short lived, as she returned to the courts, aged 29, in 1980, to win Wimbledon again. The is the only mother to win Wimbledon since 1914.
In conclusion, Goolagong could be characterized a warrior that never threw in the towel. She was graceful and fast, which helped her cover the whole court with some ease. Her only real fault or enemy was her lack of concentration in decisive moments.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O amor é uma coisa bonita...


"Filipe,

Não me lembro de alguma vez ter amado alguém com a mesma intensidade com que te amo a ti. Como tal, já li. Aliás, como sempre."

by Puto

Gostas de Fly- Martina Colombari


Para ficarem ainda mais elucidados acerca do canhão de que se fala...atentem a seguinte foto:


Gostas de Fly- Mulheres







Martina Colombari, nasceu a 10 de Julho de 1975 na província de Rimini, em Riccione.
Teve um namorico com Alberto Tomba (para quem conhece óptimo, para quem não conhece, pesquisem), e terminada essa relação conheceu Alessandro Costacurta ( o tal Billy) com que casou em 7 de Junho de 2004, de quem tem um filho, de seu nome Achille.

Martina foi eleita Miss Itália com apenas 17 anos no ano de 1991. Desde cedo nasceu para a fama, com a eleição de miss vieram os contratos publicitários, as passagens de modelos, e mais tarde entrou no mundo da televisão onde tem vindo a desempenhar o papel de actriz (em alguns filmes e séries), bem como de apresentadora em algumas ocasiões.

Martina Colombari quer se queira quer não é sem dúvida o protótipo da beleza italiana, e para quem já foi às grandes cidades italianas sabe do que falo.

O Billy safou-se à grande, sortudo!



The Lost Boys



The Lost Boys acompanha a onda da década de 80 de filmes feitos por Teenagers para Teenagers. Quem foi jovem nessa altura jamais esquecerá filmes como Karate Kid, Goonies ou The Never Ending Storie onde espíritos obstinados de jovens iguaizinhos a nós se transformavam em heróis, viviam incríveis aventuras e punham-nos a sonhar.
Joel Schumacher foi mais longe, pegou na Fórmula de: "Jovens - Cidade Nova - Praia - Aventuras - Gaja Boa", mas substituiu os institucionalizados mestres, treinos, barcos piratas e tipos mauzinhos por nada mais que Vampiros, Casacos de Cabedal, Harleys e Motards.

Este filme é uma boa oportunidade de relembrarmos as aventuras dos anos 80, mas com uma irreverência esmagadora, muito mais pintada a negro, a afirmação da geração rock da próxima década, tudo isto até então nunca visto em filmes de teenagers. Não esperem encontrar um Nosferatu de Murnau ou um Dracula de Coppola, este é um filme para jovens. É uma boa oportunidade de verem despontar Jason Patric num dos seus primeiros filmes e Kiefer Sunderland, que apesar dos caninos proeminentes está igual a si próprio. Corey Haim e Corey Feldman (Ex-Goonie), Super Estrelas da altura do Cinema Teen Americano também entram no filme. Nota ainda para a banda sonora onde se podem deliciar com o enorme "People Are Strange" dos Doors.


The Lost Boys foi o primeiro filme que me lembro de Terror deste género, com um elenco imberbe (os Gremlins nem deu para assustar). Muitos se seguiram desde a saga Screams, I Know What You Did Last Summer, etc.

Se ainda esboçam um sorriso quando a meio do zapping, vêem o Daniel San ganhar o torneio ou o Chunk fazer o Truffle Shuffle em Goonies, ainda não esqueceram os 80's, ainda estão a tempo de juntar uns Vampiros, a vossa veia Rockeira e ver The Lost Boys.

Abaixo podem ver trailer do filme: