sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cyndi Lauper - The Goonies r good enough

Cyndi Lauper foi durante poucos anos a única mulher no mundo que se aguentava no mesmo ringue que Madonna. A determinada altura chegou até a superá-la, na medida em que contribuiu, com o seu disco de estreia (e o melhor da sua carreira), para lançar moda nas teenagers americanas – todas se vestiam à la Cyndi Lauper e todas cantavam “Girls just wanna have fun” para os papás com um misto de ternura e independência (a letra deste grito do ipiranga teen diz coisas do género “oh daddy dear you know you’re still number one, but girls just wanna have fun”). Goste-se ou não, e com isto não falo de ninguém em particular, a canção marcou uma geração inteira de raparigas e despertou-as para uma rambóia festiva que elas, até aí, não tinham tido. Depois. Bem, depois foi o desastre. Em vez de continuar ao jeito daquela liderança que tinha junto de miúdas pé descalço à procura de um espaço que fosse seu, entrou para o lado baladeiro e trauliteiro e daí não mais saiu. Até hoje Cyndi Lauper é o disco “She’s so unusual”, aquele que lhe deu 5 milhões de cópias vendidas e pôs discotecas inteiras a berrar histericamente sempre que aqueles sintetizadores nos tiravam da pasmaceira.

A canção principal dos Goonies, filme que deu sonhos à juventude da minha geração e nos fez procurar por mapas de piratas perdidos em baús arcaicos, é esta “The Goonies r good enough”. Pormenor de importância: Cyndi Lauper nunca gostou dela, ao ponto de tentar proibir que a editora a incluísse nos seus best-ofs. Aparte da opinião de quem a cantou, a canção foi um sucesso, e acho-a provavelmente o último bom momento de Lauper antes de se meter em discos irrelevantes e choramingueiros. Nestes três minutos e meio os 80’s que conhecemos, dos fatos lilases aos penteados flocks of seaguls, estão em brasa.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

The Ground Hog Day

Depois de um prato um pouco pesado servido na semana passada, nada como uma doce sobremesa para esta semana, uma Comédia Romântica.

Groundhog Day (O Feitiço do Tempo nos nossos escaparates), é um filme protagonizado pelo enorme Bill Murray, que se limita a fazer o que melhor sabe e bem...Comédia.

Trata-se de mais um filme da década de 90 - 1993.

A linha de comédia de Murray caracteriza-se por personagens completamente egocêntricos e sarcásticos que geralmente escondem um tipo bonzinho e inocente, e neste filme Murray é sublime nesse papel. Apesar de tudo as incursões de Murray noutros tipos de papéis mostram o actor de excelência que ele é. Vede o Lost In Translation por exemplo, onde aquele ar de depressão é digno dos anos 30.

Voltando ao filme, a história é completamente louca - um Meteorologista (O egocêntrico Phil Connors) desloca-se à pequena cidade de Punxsutawney para fazer uma reportagem sobre O Dia da Marmota, ou seja no dia 2 de Fevereiro de todos os anos a Marmota Phil sai da sua toca e ao jeito de Zandinga prevê quanto tempo ainda dura o Inverno. Impedido de ir para casa devido a um nevão, Phil descobre que todos os dias quando acorda está em Punxsutawney, é sempre o Dia da Marmota e todos os dias são exactamente iguais até ao ínfimo pormenor, resumindo fica preso nesse dia. Uma ressalva para O I Got You Babe de Sonny & Cher presença constante no filme.

É envolto neste estado de loucura, nas mil e uma tentativas de Phil Connors fugir do Dia da Marmota e engatar a colega de trabalho que o despreza, que Bill Murray brilha.

A side kick de Murray é a fresca e fofa (para mais passando-se o filme na neve) Andie MacDowell, cujo encanto é impossível resistir neste tipo de papéis (seja ao lado de Bill Murray ou Hugh Grant) apesar de ultimamente andar na 2ª Linha de filmes.

O realizador é nada mais que Harold Ramis, que além de se ter distinguido como Egon o ex companheiro de Murray em Ghostbusters realizou os Analyse This and That.

Este filme é garantia absoluta de divertimento, ideal para verem com a vossa Maria (ou Manel no caso de colegas que não quero referir o nome), uma das melhores comédias que me lembro de ver.

A um nível mais pessoal, este filme foi mais um contributo para moldar o meu sentido de humor, por isso não arrisquem mostra-lo aos vossos filhos! Tenho o filme, é só pedirem.

O trailer apresentado trata-se de Ned Ryerson, o gajo do 1º teaser, uma personagem emblemática do filme que é uma combinação de "chato como o caraças" com "super cola 3", e que todos os dias aparece ao nosso protagonista, esta é uma das reacções a uma das aparições.



quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Mais Cambalhotas

Se o Verão quente de 2008 foi marcado pelo trio Cris Rónale / Nereida / Real Madrid, já a reentre está a ser marcada pelo caso da Cambalhota Cor de Rosa. Todos os dias nos chegam imagens relacionadas com este estranho incidente.
O vídeo abaixo trata-se de um fim de semana de Páscoa em 2003, passado pelo nosso sexionista na barragem do Castelo de Bode.

Gostas de Fly - Futebol - Ed. Especial - Paulo Silva





Assumo que o texto que se segue não é meu mas o plágio justifica-se pela homenagem sentida ao nosso sexionista.


José Carlos da Silva Lemos, nome de guerra: Caio Cambalhota. Entrou para o imaginário dos adeptos de futebol portugueses pelos golos que marcou ao serviço do Amora. O Amora era um clube simpático, mas chato. Levantava sempre muitas dificuldades ao Benfica, particularmente quando jogavam naquele pelado inenarrável da Medideira. Ora bem, Caio Cambalhota já tinha "nome feito" no Brasil antes de vir para o Amora, mas não fez grande coisa depois de ter de lá saído. A lenda deste jogador resume-se, em Portugal (pois no Brasil é diferente), a uma boa época, salvo erro em 1982. Foi nesta mesma época que este Caio pôs os adeptos do Amora a sonhar em pleno Estádio da Luz. Aos 5 minutos já o Amora ganhava com um golo de Caio Cambalhota. O Benfica lá acabou por ganhar por dois a um. Sendo que um dos golos foi marcado pelo Padinha (irmão de uma das “Doce”) e o outro pelo grande Nené. Nesse dia, um tal de José Carlos da Silva Lemos estava endiabrado e quase entrava para a história do futebol português. Mesmo tendo perdido esse jogo, a sua passagem por Portugal não foi inglória.
Aqui fica o “famoso” Caio Cambalhota… só o nome vale um post.



Os médicos são todos uns oportunistas!!

Somos usualmente bombardeados com desgraças nos noticiários. Assaltos, mortes, a saída do Simão Sabrosa do Benfica...enfim...uma série de acontecimentos trágicos. Habituámo-nos, não reagimos. Encaramos como sendo parte integrante da vida e uma fatalidade inerente ao facto de estarmos vivos. Não contraponho.

Porém, neste cenário, há algo que me irrita. Há sempre no meio da desgraça um ou outro individuo que se quer sobressair. Neste caso especifico, refiro-me a uma classe de individuos a quem designamos de "médicos"! Certamente já ouviram falar deles.

Um médico, após socorrer um individuo vitima de uma tragédia (um acidente de viação, uma queimadura...) submete o individuo a uma operação de "altissimo risco", "risco elevado". Fazem-nos querer que nunca existe uma operação de carácter lúdico, "elementar", "facilsinha"...é sempre tudo muita complicado! Uuuuu....mas será mesmo!??

Estou plenamente convencido que se querem sobressair. Querem ouvir na praça publica comentários como "Epah..já viste!? O Eng. Azevedo esteve quase à beira da morte mas o Doutor Castro De Vasconcelos salvou-o!! Dizem que foi uma operação de altissimo risco!...". Hmmm... Começo francamente a duvidar. Cambada de charlatões é o que é. Ninguém me tira da cabeça que a maioria dos acidentes de viação são provocados por eles de propósito só para se sobressairem e terem trabalho.

Mas enquanto o Estado continua a dar subsidios...

O mundo a nossos pés

No seguimento do negócio multimilionário que vos deixei à consideração (falo do barco-bar que dará a volta ao mundo, não aquele que envolve patentear a cor de pele do puto), pedia-vos propostas para bons nomes a dar ao barco. Como sabem, parte do negócio começa aqui. Temos algumas boas sugestões como “estojo”, “bidé” ou “sebenta”, mas mais alternativas são bem-vindas.

Obrigado.

Pensamento da Semana

Se a vida são dois dias só temos uma noite para aproveitar.

Os novos Super Heróis

Um assunto que sempre me incomodou são as velhinhas nos transportes públicos.
É física e humanamente impossível que aqueles corpinhos geriátricos, carcomidos e encarquilhados pelo tempo, no instante em que abre a porta do autocarro / metro / eléctrico (ou qualquer tipo de transporte público que implique a conquista de um lugar sentado à bruta), se esqueçam do reumatismo, febre tifóide, lepra ou beri beri que os atormentam e a uma velocidade Boltiana estão sentadinhos no único lugar que havia disponível mesmo lá ao fundo. No ar deixam um rasto de pisadelas e destruição perfumado com um intenso cheiro a cânfora. Depois de sentados regressa o ar de doente e de desgraça.
Stan Lee nunca teve a visão de descobrir esta horda de super heróis, perigosos transformistas que num segundo aparentam a morte, mas quando se trata de arranjar um lugar deslocam-se à velocidade do Flash com a delicadeza do Hulk.
Evitem-nos.

Porreiro pá, e agora o que é que eu faço com isso?

Ontem soube, pela voz do departamento de informática, que podemos configurar o windows de forma a que a imagem do ecrã apareça invertida, isto é, de cabeça para baixo. Decidi então escrever algo acerca das modernices de hoje, que gostam de gritar ao mundo tudo o que podem fazer, sem sequer se importarem com o facto de ser ou não ser útil.

Neste caso do windows, o tal departamento de informática, que normalmente gosta de ver utilidade em quase tudo o que envolva tecnologia, respondeu-me qualquer coisa do género: “imagina que querias ver qualquer coisa com uma rotação de 180º”, ou seja, de pernas para o ar. Tentei imaginar e tentei também encontrar uma razão que seja para querer ver algo dessa forma. Nada. Talvez a fazer o pino. É isso. Esta opção é boa para quem goste de fazer o pino enquanto está ao computador. Ainda me senti tentado a responder: “Sabes que agora há umas cadeiras porreiras. São tão modernas que carregas num botão e a cadeira fica do avesso, com as rodinhas viradas para cima e o assento virado para baixo. Custam os olhos da cara, mas valem bem a pena.”

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Summertime

Paulo, nem sequer sabia que também davas para trás. Sempre uma surpresa este gajo.

Hang loose

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 3

David Ginola – Le magnifique

A história conta-se em simples mas decisivas palavras para o que haveria de ser a carreira do maior talento francês entre as fases de Michel Platini e Zinedine Zidane (sim, mais talentoso que Eric Cantona).
Ano de 1993, Parque dos Príncipes, último jogo de qualificação da França para o Mundial de 1994 nos EUA, França x Bulgária. À França basta um empate para se qualificar, a Bulgária necessita de vencer. A França sai na frente com um golo de Cantona mas ainda no 1º tempo, Kostadinov restabelece a igualdade. Na 2ª parte, aos 44m e ainda com resultado em 1-1, livre lateral para a França no lado direito do ataque (o chamado canto de mangas arregaçadas), Ginola recebe a bola e, em vez de a segurar até final do jogo, decide cruzá-la para a área. Fá-lo mal e...3 passes depois, Kostadinov faz um golo fabuloso, chuta os gauleses para fora do Mundial (alguém que nos vingue!) e apura os búlgaros para o que viria a ser uma campanha fantástica nos states: semi-finalistas, na tal equipa comandada pelo Cristo búlgaro (Hristo Stoitchkov – melhor marcador da prova), devidamente secundado por Balakov (SCP), Kostadinov (FCP), Penev, Ivanov, Letchkov e Mihailov (CFB).

No balneário francês foi a loucura, Cantona ao seu melhor estilo e Ginola morto com o olhar pelos colegas. O seleccionador Aimé Jacquet decide afastar os 2 jogadores da selecção e priva-os dos sucessos dos bleus nos anos seguintes: campeões do Mundo em 1998 e da Europa em 2000. Decisão muito controversa mas diz-se que foi aí que a França começou a ganhar o Mundial de 1998. Analisando friamente, os resultados falam por si mas para os amantes do futebol, ver a fina-flor sem Ginola e Cantona será sempre um má decisão. Vejam os 3 minutos decisivos do “Ginolagate”.



Mas voltando a Ginola e à sua carreira, ele foi descoberto por Artur Jorge quando esteve a 1ª vez em França, no Matra Racing de Paris, tendo-o depois levado quando orientou o PSG. Aí foi o despontar de Ginola, já com cerca de 26 anos e ocupando a ala esquerda da fabulosa equipa parisiense que contava com Lama, Ricardo, Valdo e Weah. Conseguiram o título e excelentes participações na Europa (memoráveis os 4-1 ao Real Madrid).
Transferiu-se depois para terras de sua Majestade onde todo o seu talento foi aclamado pelo ingleses, tal a diferença do estilo de jogo de Ginola para os tradicionais jogadores ingleses da altura. Um extremo esquerdo (ou melhor, que partia da extrema esquerda) que, embora pudesse ser considerado ambidestro, privilegiava o pé direito (o chamado jogador de pé trocado que agora é frequente mas que, na altura, era raro), e que jogava, passava, marcava, assistia, tudo isto com uma elegância, um beleza estética, um porte, que, com o longo cabelo solto, mais parecia um daquele cavalos selvagens com longa crina.
Comparando com Laudrup, a fasquia está bem elevada e só os Sergei Bubkas do futebol a conseguirão ultrapassar. Ginola não tinha a classe de Laudrup nem teve a carreira que poderia ter tido mas, esteticamente, o seu jogo transmitia um sensação de liberdade, de felicidade, pouco comum no futebol táctico dos nossos dias.

Jogou primeiro no Newcastle de Keegan onde perdeu o campeonato nos últimos jogos para o Man Utd já então de sir Alex, tendo-se transferido 2 anos depois para o Tottenham. Magpies e Spurs seguramente não se esquecerão dele.
Daí transferiu-se para o Villa mas já tinha 33 anos e já estava em curva descendente. Ainda passou depois pelo Everton mas apenas jogou alguns jogos e terminou a carreira. À falta de títulos (apenas na PSG) e presença na grande montra dos Mundiais e Europeus, deixa-nos um legado artístico ao alcance apenas dos eleitos. Aqui ficam 2 vídeos (Tottenham e Newcastle). Have Fun (até a banda sonora é porreira)!




segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Para que se deixe de queixar

Dado Pedro Costa se queixar variadas vezes de nunca lhe pedirmos opinião, levanto aqui questão para que ele possa espraiar livremente o que lhe vai na cabeça.

Pedro, achas que a Abecásia e a Ossétia do Sul devem ser independentes de território Georgiano? Se sim, porquê? Se não, porquê?

Estrutura a tua resposta por pontos por favor.

Obrigado.

Façam atenção

"Recomendo-te a não dares cambalhotas por cima das ondas", Paulo Silva, 22/08/2008

Vou ter em conta a tua recomendação Paulo, e com isso estragaste-me o programa do próximo Sábado.

O amor, segundo Luís Lavrador

É verdade que cada gajo tem a sua fraqueza. Sim, mesmo o mais calmo dos homens tem algo que o faz mudar de expressão. Há quem se vergue ao amor, outros à amizade, ainda outros à morte – existirá sempre um valor moral superior que desliga a racionalidade de uma pessoa.
Luís Lavrador, por exemplo, dá-lhe para a fúria quando o assunto são elevadores. O elevador, diga-se, não é assunto menor nem um valor comparativamente inferior ao amor ou à morte. Consta que quando lhe versavam o chavão “a vida não é nada sem amor”, Luís respondia contundentemente: “então e os elevadores? os elevadores hã? mais aquela malta que está sempre a carregar no botão e não deixa fechar a porta... isso sabes o que é? é falta de amor por quem lá está dentro”.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

THE CURE



Banda: The Cure
Álbum: Kiss me, kiss me, kiss me
Música: Just like heaven





E depois de umas quantas rubricas eis que chega a minha banda de eleição. Os Cure não são apenas um fetichismo meu, são uma das bandas mais importantes da história pop e provavelmente a mais influente nos ainda presentes anos 80. Discos como “Boys don’t cry”, “Faith”, “Desintegration” ou o suicida “Pornography” (uma das peças mais negras e mórbidas de sempre, cuja capa vos enviei ontem no teaser) são objectos únicos de uma geração, relatos de um Robert Smith que alternava entre a mais doce estória de amor e o mais profundo desejo de morte. Isto porque os Cure são Robert Smith, são todas as divagações que viajam pela cabeça deste génio de cabelo desgrenhado e voz anasalada, de tons góticos e lábios de baton.

Ao contrário do que o timing pede, não vou escolher o “Friday, I’m in love”. Não que tenha alguma coisa contra ela – não tenho, nunca tive, nunca vou ter: é uma canção pop quase perfeita, mas há canções maiores – isto é, há canções perfeitas – no repertório Cure. E “Just like heaven”, que lembra “O anzol” dos nossos Rádio Macau, é tiro certeiro – canção de amor em espaço onírico, fantasiosa e colorida, como Smith costuma fazer nos raros casos em que está bem disposto.


“Show me how you do that trick
The one that makes me scream he said
The one that makes me laugh he said
And threw his arms around my neck
Show me how you do it
And I promise you I promise that
I'll run away with you
I'll run away with you”

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

HEAT




A década de 90 foi pródiga em bastantes bons filmes, mas os filmes policiais da altura eram marcados por Seagais e algumas aberrações do género pós Chuck Norris. Até que em 1995 surge um Drama Policial brilhante, Heat. Não é simplesmente um filme de assaltos a bancos, polícias e ladrões, é uma obra prima, o melhor filme do Género, em que Michael Mann reúne pela 1ª vez os dois Génios Italianos De Niro e Pacino desde 1974 (O Padrinho II - o melhor filme de sempre), e onde pela primeira vez desde sempre partilham uma cena em conjunto.

A tela não é suficientemente grande para duas tão brilhantes interpretações em simultâneo, assim Mann coloca-os em pólos distintos, um polícia um ladrão, contando 2 vidas em dois fios de história num jogo do gato e do rato, de dois homens tão iguais que Pacino e De Niro podiam trocar de papéis que o filme saía imaculado.
Quando os fios se cruzam pela 1ª Vez é um momento em que se faz história no Cinema, são brilhantes esses 10 minutos onde o Tenente Hanna e Mc Cauley se encontram num coffe shop de uma auto-estrada, o texto em ritmo de desgarrada é arrebatador e as interpretações deveriam ser um compendio para quem alguma vez queira aspirar a ser actor (o link é precisamente essa cena). Diz-se que esta cena foi filmada num só take.


Outra cena memorável é o assalto ao Banco, timbrado pelas cores, som intenso e planos cheios de adrenalina de Mann, que pinta LA como nunca outro realizador o fez. Se houvesse um prémio para o melhor assalto de sempre da História do Cinema, Heat estaria certamente no lugar mais alto do pódio.

Todo o elenco apresenta-se em grande plano, uma autêntica constelação Tom Sizemore (o eterno bully), Jon Voight (Jolie's Papa), Ashlley Jude (sempre boa... actriz), Natalie Portman (1ºs passos da princesa Leia) e acima de tudo um sex simbol da altura, o irreverente Val Kilmer, que quando decide não dar cabo da cabeça dos realizadores é um actor inigualável (nesse mesmo ano protagonizou o Batman Forever, alguns anos antes do Chris Nolan salvar os Batmans, e reza a história que deu cabo da moleirinha ao Joel Schumacher).

Se ainda não viram o filme, não se aterrorizem pelas quase 3 horas do mesmo, é uma oportunidade de durante esse tempo usufruírem de uma grande obra. Imperdível para qualquer cinéfilo.



terça-feira, 19 de agosto de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 2

Michael Laudrup - Poesia em Movimento

Eleito pela Federação Dinamarquesa como o melhor jogador de sempre da Dinamarca, Michael Laudrup foi um jogador com tanta classe que o seu irmão, Brian Laudrup, (que tb foi um belíssimo jogador), apenas é conhecido como o irmão do Michael Laudrup (daí o espasmo que ia tendo qdo o Neves sugeriu ser esse o nosso player of the week).

Começou no Copenhaga, passando depois para o Brondby onde foi descoberto pela Vecchia Signora. Era, na altura, uma ala velocíssimo e como na Juve jogavam uns tais de Platini e Boniek (e havia limitação de estrangeiros), foi emprestado 2 anos à Lázio. As coisas não correram de forma exuberante mas o talento estava lá e assim que Boniek saiu para a Roma, a Juve fez regressar Laudrup. E em boa hora o fez: foram campeões no ano seguinte.

Passaram mais 3 anos sem títulos em Turim (culpa do Nápoles de Maradona, do Milan do trio de holandeses e do Inter do trio de alemães) e, no final do contrato deu o passo decisivo rumo á imortalidade futebolística.
Rumou a Camp Nou e foi peça decisiva do famoso Dream Team. Ajudou ao titulo de campeão da europa que o Barça perseguia há anos (1-0 à Sampdória de Vialli e Mancini - golo de Ronald Koeman) e, em 5 anos na cidade condal, ganhou os 4 últimos títulos nacionais seguidos. Fartou-se de Cruyff e rumou ao arqui-rival Real Madrid. Resultado? o Real foi campeão no ano seguinte!

Pelo meio participou no Mundial 86, na selecção da chamada “Dinamáquina”. Quem viu não esquece Elkaier-Larssen (fumava 2 ou 3 maços tabaco por dia e fez do Verona...campeão de Itália), de Morten Olsen, de Soren Lerby (o box to box de meias em baixo), de Jesper Olsen (o pequeno esquerdino que parece o Tom Petty). Fantástica equipa!

No final de carreira rumou ao Japão mas ainda voltou á Europa a tempo de jogar 1 época no Ajax. Ah, o resultado? Campeão nacional holandês!

A única desilusão da carreira foi a ausência do Euro 92 por incompatibilidade com o treinador. A Dinamarca, depois de ser repescada, acabou por se sagrar campeã da europa (grande prova do seu irmão) e foi a cereja que faltou em cima do enorme bolo que foi a carreira de Michael Laudrup - sem dúvida no top 10 dos jogadores que já vi jogar.

Abaixo podem ver um vídeo que resume tudo o que era enquanto jogador. Se na jornada anterior, disse que o Oliveira não era médio, nem extremo, nem avançado, Laudrup era tudo isso.
Tirando a qualidade da imagem e da banda sonora (desculpa RBF), o vídeo é excelente. Mostra a fase de talento presente mas ainda por lapidar na Juve, a versatilidade em Barcelona na fase goleadora, o cérebro na selecção da Dinamarca e, finalmente, e a minha preferida, a classe devidamente amadurecida de playmaker no Barça (o baixinho Romário deve ter uma foto do homem no quarto, tantas foram as assistências) e no Real (até podem ver o imberbe Raúl a despontar)