terça-feira, 29 de julho de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 1

António Oliveira e Carlos Manuel
Parece presunção iniciar esta nossa tertúlia com 2 jogadores mas acontece que não existem vídeos disponíveis de António Oliveira e tive que recorrer a um plano B. Por um lado, não vos quis privar de visualizar as minhas palavras no terreno de jogo e por outro, nunca abdicaria de apresentar António Oliveira na minha rubrica de abertura.
Como vos disse, são jogadores completamente independentes, sem grandes pontos de contacto entre si (a não ser de pertencerem à mesma geração), mas para mim estarão sempre intimamente ligados.

António Oliveira, o artista genial!
Começou nas camadas jovens do FCP, subiu à equipa principal aos 17 anos e, anos mais tarde, pela mão de José Maria Pedroto ajudou os dragões a quebrar o jejum de 19 anos sem vencer o campeonato – jogou todos os jogos e marcou 19 golos. Teve uma fugaz passagem pelo Bétis de Sevilha e regressou à casa mãe. Tb por pouco tempo, porque, no chamado verão quente das Antas, por problemas internos, bateu com a porta e ingressou no clube da sua terra Natal – o Penafiel. Aí acumulou as funções de jogador com as treinador mas Penafiel era demasiado curto para tanto talento e daí rumou para Lisboa, para o emblema leonino. Sagra-se Campeão nacional num trio de ataque do melhor que Portugal já teve: Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão.
Depois ainda foi também treinador-jogador no SCP mas vieram as lesões e decidiu sair por já não conseguir ser o jogador que habituara os adeptos do bom futebol, terminando a carreira no Marítimo.

Oliveira não era médio, não era avançado, muito menos era extremo, mas conseguia, ao mesmo tempo, ser tudo isso. Um artista que no meio campo ofensivo dominava cada parcela de terreno e tratava a bola com carinho.
Na memória ficará sempre (não sabem a pena que tenho em não haver o vídeo) o Sporting x D. Zagreb de 82, 2ª mão da Taça dos Campeões Europeus (derrota 1-0 na 1ª mão) em que Oliveira eliminou os então jugoslavos. Foram “só” 3-0, com um hat-trick do artista (1 dos golos é fabuloso)...no dia da morte do seu próprio pai!
Foi ele que, juntamente com a pressão do meu avô e um equipamento completo do Sporting (com o nº 10, pois claro – acho que nunca cheguei a vestir mas não tenho a certeza...) me levaram a hesitar entre o Sporting e o GLORIOSO BENFICA por altura dos meus 6 ou 7 anos.


Venceu a chamada do GLORIOSO (está no sangue!) e “conheci” Carlos Manuel – a locomotiva do Barreiro!
Começou na CUF e chegou ao Benfica após 1 época no Barreirense, viveiro encarnado da época, de onde saíram “apenas” Manuel Bento e Fernando Chalana, entre outros. No Barreirense era médio ala mas a sua força e alma não se podia limitar a ocupar uma faixa do terreno. Sem o virtuosismo de Oliveira, fazia da força, da raça, do pulmão e da meia distância, os seus cartões de visita. O chamado jogador à Benfica!
Marcou claramente a década de 80 e com Bento, Diamantino, Veloso, etc, era a garantia da tão falada mística benfiquista. Conquistou títulos uns atrás dos outros e teve nos momentos marcantes da selecção nacional nesta década (Euro 84 e Mundial 86). Foi ele, aliás quem carimbou o passaporte para o México e, em terra dos Incas e dos Maias, não satisfeito, vingou os Magriços 20 anos depois de Wembley, marcando o golo da vitória portuguesa sobre a Inglaterra.

Após quase uma década de águia ao peito e algumas divergências internas, rumou ao futebol suiço, ao Sion, mas apenas por 1 época, voltando depois a Portugal mas ao eterno rival Sporting (disse-se logo na altura que Sion era um mero trampolim). Aí fez 2 épocas, já sem o mesmo brilho, rumando depois ao Bessa (mais 2 épocas), terminando a carreira no Estoril que, regressado á 1ª divisão e orientado por um então jovem Engº Fernando Santos, deu algum espectáculo sob a batuta de Carlão, Mladenov e Bouderbala.


Aqui fica então o início do meu vício futebolístico em palavras e também em vídeo. Vejam ou revejam o golo contra a Alemanha, o golo contra a Inglaterra (com comentários Gabriel Alves) e como extra bónus track, um golo no estádio das Antas que valeu uma taça de Portugal (Pinto da Costa, no início do sistema, conseguiu que uma final de Taça FCP x SLB fosse jogada nas Antas – o chamado campo neutro; o Carlão invadiu o Porto à bomba e mandou mais uma taça para a vitrine do Glorioso).







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