quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Casablanca


Quem disse que as histórias de amor obrigatoriamente dão em filmes para gajas e que não interessam para nada está redondamente enganado. Podemos ver e rever Casablanca vezes sem conta sem jamais beliscar os nossos índices de macheza, e é para isso que lá está Humphrey Bogart, um outro actor e o filme de certeza descambava num dramalhão secante, com Bogie jamais. Casablanca é considerado unanimemente um dos melhores filmes de sempre da história do Cinema (3º de sempre do American Film Institute), pessoalmente (que ainda conta mais) um dos melhores que vi.

Realizado em 1942 pelo Húngaro Michael Curtiz, Casablanca leva-nos a uma África desocupada (no início da 2ª Guerra Mundial), e ao reencontro entre o mais famoso par da história do Cinema, Rick (Bogie) e Ilsa (Ingrid Bergman). Rick funde-se na perfeição com Bogie, o eterno gangster, duro, apenas vergado pela sua paixão por Ilsa. Ingrid Bergman limita-se a ser a musa sueca dos anos 40 vencedora de 3 Óscares, um must.

Rick é o proprietário de um clube nocturno onde se misturam nazis, jogadores, refugiados e todo o tipo de gente. É suposto entregar um membro da Resistência Checa que chega a Casablanca aos Nazis em troca de um livre trânsito para a América. Até que descobre que a companheira do Checo é Ilsa, a sua antiga paixão que o abandonou em Paris. A partir daí é aproveitar cada momento do filme, absorver as frases épicas "Here's looking at you, kid" (umas das “lines” mais poderosas da história), "We'll always have Paris."ou "Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship.", que bastante utilidade vos trarão para a vida, e aprender a fórmula certa do que é ser um verdadeiro romântico, sem lamechice e sem lágrimas apenas com estilo.


Tudo isto levou a 3 Óscares, Melhor Filme (Óbvio), Melhor Argumento (Óbvio) e Melhor Realizador (consta que Ridley Scott em Alien usou técnicas de profundidade utilizadas por Curtiz em Casablanca).


Inesquecível também a musica tocada (a fingir) por Sam - As Time Goes Bye - (Dooley Wilson era na realidade baterista), o timbre que marca todo este filme.


Se ainda não viram, arrisquem em ver Casablanca (A Preto e Branco claro) com a vossa Ilsa ao lado e farão um brilharete, passarão por um tipo que até é sensível e aproveitam para ver um dos melhores filmes de sempre do Cinema.


Play it Sam:



segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 16

Rabah Madjer – O Artista

Em 1986, então já com 28 anos, chegou aos nossos relvados e ao do estádio das Antas em particular, aquele que é considerado, juntamente com o peruano Cubillas (nunca vi jogar), o melhor estrangeiro de sempre do FCP.

Depois de começar a carreira na sua Argélia natal, entrou no velho continente pela porta pequena, em 2 modestos clubes franceses: o RC Paris (que viria a depois a ficar mais conhecido enquanto Matra Racing de Paris) e o Tours. E foi aí que o Porto o descobriu. Para mal dos rivais lisboetas para o bem de todos os amantes do futebol.

Madjer era um avançado moderno (para utilizar uma expressão de Quique Flores), com velocidade, inteligência, que jogava preferencialmente sobre as faixas. Misturava o perfume do futebol africano com a competitividade mais europeia. Jogador elegante e de fino recorte técnico, jogava de forma sublime com qualquer dos pés...e em qualquer piso.
Quem não se lembra do golo na final da Taça Intercontinental, em Tóquio, num relvado completamente coberto de neve? E não foi um golo qualquer. Foi uma chapelada como se tivesse em pleno relvado. Digamos que foi a sequela da magia começada em Viena, na final da Champions frente ao Bayern, a tal que ficou conhecida como “aquela do calcanhar do Madjer”. O 2º calcanhar mais conhecido da história. Soberbo.
Em 2 finais das mais importantes da história do FCP “o Artista” esteve nos 4 golos, 2 assinou em nome próprio e os outros 2 deixou para que Juary e o grande Fernando Gomes também tivessem o seu lugar na história.
Partiu da Invicta rumo a Valência já com 30 anos mas as coisas não correram particularmente bem, regressando à casa azul branca para mais 3 anos de sucesso.

Também no seu país é idolatrado. Pela selecção, jogou 14 anos, de 78 a 92 e esteve presente em 2 fases finais de Mundiais (82 e 86). Foi considerado o melhor jogador argelino de todos os tempos, o melhor jogador africano do século juntamnete com Roger Milla) pela União de Futebolistas Africanos e o 5º melhor pela IFFHS.

Deixo-vos com 3 imperdíveis vídeos, uma espécie de homenagem a Madjer com Tesourinhos Deprimentes. Senão vejamos: teremos o calcanhar em Viena pela voz de um ainda imberbe Miguel Prates e o ainda lúcido Ribeiro Cristóvão; o resumo desse mesmo jogo (sem o golo de Madjer ???) comentado por Sua Alteza Gabriel Alves e com declarações de um Artur Jorge ainda com cérebro e farfalhudo bigode; e, finalmente, o resumo da gelada final da Intercontinental com comentários do Bi-Bota Fernando Gomes. Abençoado Youtube







quinta-feira, 20 de novembro de 2008

The Doors


Is everybody in? The Ceremony is about to begin...

Oliver Stone é provavelmente um dos realizadores mais polémicos das décadas de 80 e 90, as suas personagens são carregadas de força, inigualáveis, têm alma, sejam eles um Sargento no Vietnam (Elias - Platoon), um casal de assassinos apaixonados (Mickey and Mallory - Natural Born Killers), um corrector de Wall Street ou uma estrela Rock. Os seus filmes têm o condão de sem qualquer receio pôr o dedo na ferida, abri-la e mostrar ao mundo o que está lá dentro... enquanto muitos diziam "... não sei se devo..." Oliver Stone gritava "ACÇÃO".

The Doors pode não ser o melhor filme de Oliver Stone, que não o é, mas não queria ver a história do líder da minha banda de eleição ser contada por mais ninguém, não o admitia. Daí ser esta a minha escolha perante tantos outros filmes soberbos, posso inclusive assegurar que este se trata do filme mais vezes visto por este vosso amigo.

Lançado em 1991, mostra-nos o caminho vertiginoso de um dos maiores ícones dos anos 70, dá a conhecer ao mundo a história autodestrutiva de Jim Morrisson líder dos Doors. Envolve-nos no ambiente psicadélico dos 70's Americanos contando a história de uma das melhores bandas de sempre. Os concertos épicos, o apogeu, as drogas, o declínio, o deleite de qualquer fã da banda, obrigatório...

No papel de James Douglas Morrisson, está Val Kilmer (mais uma vez em GDF) naquela que é sem dúvida a sua melhor interpretação de sempre. Além de cantar os encores do filme (já em Top Secret o fez), Kilmer funde-se completamente com Jim Morrisson, torna-se no Adónis de calças de couro, encarna completamente o Rei Lagarto... é difícil dissociar a imagem de Jim Morrisson com a de Val Kilmer após ver o filme. A fascinante Meg Ryan interpreta brilhantemente a psicadélica Pamela Morrisson companheira de Jim no seu caminho para a destruição.

Mais que uma história para os fãs da banda, este filme tem o condão dos criar. Se não viram desafio-vos a ver, se não gostam de Doors... que Deus vos perdoe...
Raise your hand if you understand....

Os videos abaixo mostram o quão brilhante Kilmer é neste filme, o 1º é uma cena do filme, o 2º é um Jim Morrisson original:





segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 15

Jean Pierre Papin – Droit au But

Nunca o lema marselhês, Droit au But (Directo ao Golo) foi tão apropriado como para Jean Pierre Papin, ou JPP, para os amigos...que não devem ser muitos, pelo menos entre os GRs (Vitor Baía e Neno “Iglésias” que o digam).

JPP foi Bola de Ouro em 1991 e está na lista dos 100+ da FIFA (a propósito, de Portugal estão, King Eusébio, Luis Figo e Rui Costa) mas, acima de tudo, foi considerado o jogador do século do Olimpique Marselha, o que, seguramente valerá mais que os muitos golos que facturou. E se eles foram muitos. Em 6 épocas no Velodrome (com passagens anteriores pelo Vichy, Valenciennes e Club Brugge), conquistou, a nível colectivo, 4 Championnats consecutivos e, a título pessoal, foi o artilheiro da Ligue 1, em 5 épocas seguidas, com mais de 100 golos marcados.
Para além de uma grande mobilidade e um sentido de oportunidade notáveis, o grade predicado de Papin era claramente o seu pontapé fulminante de pé direito, uma autêntica certidão de óbito para as redes contrárias. Quando embalado e com a bola à mercê desse pé direito, era uma questão apenas de saber se entrava pelo lado direito ou esquerdo, rente à relva ou no cimo da baliza. O seu volley ainda hoje é recordado como o mais letal do futebol mundial, uma espécie de Stefan Edberg do desporto rei. Vários são os exemplos mas logo salta à memória aquele executado no antigo estádio das Antas, já como a camisola do AC Milan. Só por isso já merece a nossa homenagem.
Mas também o Glorioso provou do veneno de JPP. Na meia final da Taça dos Campeões Europeus bateu Neno na vitória marselhesa por 2-1 na 1ª mão. Valeu à lampiada o inferno da Luz, que fez tremer JPP como nenhum guarda-redes o conseguir fazer, e a mão de Vata, para carimbar o passaporte vermelho para Viena.

De Marselha saiu, após a derrota na Final dos Campeões Europeus frente à maravilhosa equipa do Estrela Vermelha de Belgrado (Prosinecky, Pancev, Jugovic, Savicevic e afins), para San Siro. A ideia? Juntar os 2 mais temíveis goleadores da altura: JPP e MVB. Mas as lesões de MVB e alguma inadaptação de JPP não o permitiram na plenitude. Ainda assim, fez 18 golos em 40 jogos no calcio, e foi a 2 finais da Champions. A 1ª perdeu-a... precisamente frente ao Marselha (golo de Basile Boli e fim de carreira de MVB) e a 2ª venceu-a (embora não jogando) na goleada de 4-0 do Milan de Capello ao Dream Team do Barça de Cruijff.

Depois de Itália ainda passou pelo Bayern Munique (Taça UEFA) e Bordeaux, terminando a carreira no modesto Guingamp, já na Ligue 2.
Na selecção apanhou o período negro entre Platini e Zidane, onde a selecção gaulesa falhou os Mundiais de 1990 e 1994 mas, ainda assim, em 54 jogos oficiais, foi Droit au But em 30 ocasiões.

Sejam goleados com o vídeo abaixo (é tanto golo que até cansa), lamentando não estar disponível o volley que fulminou Baia. Mas julgo que com esta amostra, conseguem imaginar.
Allez JPP!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Crónicas estupidas sobre cenas idiotas!!



Dedos nervosos percorrem a parede branca ansiando ...

... num movimento que se parece fundir com o tempo, deslocam-se, movimentando-se em ondas suaves ...

... para cima e para baixo ... para a esquerda e para a direita ... numa sintonia com o universo ...

... de repente ... estancam ... param ... sentem ....

.... eis chegado o tão desejado momento ...

... finalmente foi encontrado o interruptor da luz.

Pois é carissimos amigos ... após algumas semanas de interregno, eis que as crónicas estupidas sobre cenas idiotas retorna a casa.
E que mais belo tema para focar neste regresso, que o interruptor ... o Interruptor da Luz.

Muito há para dizer sobre este tão essencial, e no entanto tão subestimado, “objecto” que provavelmente as minhas linhas não lhe conseguirão prestar a devida homenagem, mas não queria deixar de lhe dedicar algumas palavras ...
Pessoalmente, acho que o interruptor da luz é vitima duma incompreensão tremenda ... e pior ... eu próprio me incluo no leque de pessoas que o menosprezam ..... bem ... pelo menos até hoje ....
Pode-se dizer que abri os olhos para esta realidade nua e cruel num solarengo dia de domingo. Nesse domingo, e para minha extrema alegria o Benfica jogava em casa, mas ainda mais excitante ... o jogo passava em canal aberto (RTP, creio) ... o que só por si, é motivo de extremo entusiasmo (pelo menos para mim, que me recuso veementemente a pagar os perto de 30€uros pelos canais SportTV).
Vinha da garagem, e faltava pouco para o inicio do jogo ... já sentia aquele nervosismo miudinho ... aquela irritação nas extremidades dos dedos ... aquela tremideira no peito ... quando apanhei o elevador.
4 andares, meus amigos ... 4 singelos andares que pareceram 4 prédios .... era o que me separava do meu lugar cativo em plena bancada central do meu Estádio da Luz ... 4 andares ...
Após essa longa viagem, que mais parecia um qualquer filme realizado por Clint Eastwood, finalmente cheguei ao meu andar ...
Ofegante ... chaves na fechadura, e após as 3 voltas que habitualmente dou em cada uma delas, já suava ... rogava pragas ... injuriava a minha vida repleta de azares, do qual este seria o culminar ...
... até que finalmente a porta abriu-se e parece que se fez sol ... parece que tinha renascido ... parecia que Valhala tinha aberto os seus portões após um combate de com um titã... estava ali tão perto .... já conseguia sentir a vibração que as TVs emanam quando se ligam ....
Mas no entanto, assim que coloquei o pé dentro de casa, qual foi a primeira coisa que fiz???
Acendi a luz, pressionando o interruptor ...

Pois é meus amigos ... o interruptor .. cá está ele ...
Alguma vez, fizeram um exercicio mental de imaginar a quantidade de vezes que usamos o interruptor por dia?
E quantas vezes nos lembramos efectivamente dele? Quantas vezes, pensamos ...
“Que diacho ... o interruptor é mesmo importante, faz parte da minha vida e sem ele sentir-me-ia incompleto ...”

Pois é ... seja de noite, seja de dia ... seja em casa, seja no trabalho ... seja para ler, seja para escrever, ... seja para acordar, seja para adormecer ... o interruptor está presente.
E já pensaram no erotismo associado ao interruptor ... e não ... não me refiro apenas ao acto de apagar as luzes para o trungalhunga (como diz o nosso amigo Markl), .... refiro-me a algo muito mais intimo .... algo que está subjacente à própria existência do interruptor ... o estado de ON e OFF.
Acho fascinante o simbolismo do interruptor ligado e desligado. O interruptor quase que se pode dizer que é como um portão ... um portão que tem o poder de nos afastar da luz, ou de nos mostrar o caminho. (bem ... isto se as lampadas não estiverem fundidas)
Bem ... acho sinceramente o interruptor faz parte das nossas vidas e sem ele faltar-nos-ia a luz que nos alumiasse o caminho ...
Um grande bem haja a todos os leitores e ....porque não ... a todos os interruptores deste Mundo.

O PAI TIRANO


A Época de Ouro do cinema Português jamais será esquecida. Nomes como António Silva, Vasco Santana, Fernando Ribeiro (Ribeirinho) e principalmente António Lopes Ribeiro deveriam encher de orgulho toda uma Nação. Nos anos 30 e inicio dos anos 40, foram escritos, produzidos e filmados em Portugal e por Portugueses as mais deliciosas comédias feitas na língua de Camões, que em nada ficam a dever aos Loucos Marx ou até mesmo ao brilhantismo de Chaplin, estrelas da comédia da altura. À cabeça vêm-nos filmes como Canção de Lisboa (1933), o Pátio das Cantigas (1942) ou o Leão da Estrela (1947), carregados de genuinidade, inteligência (fuga à censura) e sobretudo um humor que aproveita ao máximo as curvas e contracurvas da língua Portuguesa, o que os torna de facto filmes só nossos.

De todos esses filmes o meu preferido é sem dúvida O Pai Tirano (1941), realizado e escrito por António Lopes Ribeiro e abrilhantado pelos Enormes Vasco Santana e Ribeirinho, só peca por não contar com António Silva (provavelmente o melhor actor Português de comédia). Trata-se de uma comédia que conta a História de uma farsa, onde Francisco Mega (Ribeirinho) faz-se passar por um Aristocrata para conquistar o coração da sua amada Tatão, para isso utiliza o elenco da companhia de Teatro onde actua (Os Grandelinhas) para se fazerem passar pela sua suposta Abastada Família.
Todo o filme é recheado de linhas, gestos e expressões do mais delicioso que se possa imaginar, para quem conhece relembro o "Oh inclemência! Oh martírio! Estará por ventura periclitante a saúde desse nobre e querido menino que eu ajudei a criar?" ou então "- Pastéis de Bacalhau não temos. - Então são dois copinhos de vinho branco.". Mais de 6 décadas depois dessas linhas serem filmadas, em termos de efeito ainda se mantém actuais, ainda nos fazem rir, ainda nos divertem e isso confere-lhes todo o valor. Engana-se quem toma estes filmes por meras comédias brejeiras, trata-se de humor aveludado...imbeliscável...

Um dos momentos mais altos dos filmes desta geração é o Fado do Estudante, cantado bem afinado e a rigor pelo Vasquinho da Anatomia na Canção de Lisboa.

Se virem o vídeo de certeza que vos traz boas recordações.


Gostas de Fly - Futebol - Jornada 14

Marco Van Basten – O Leonardo Da Vinci

Silêncio...que se vai falar de MVB
Dos que vi jogar, foi seguramente o melhor nº9 e, talvez, a par de Zizou, o melhor jogador de sempre a seguir a Dom Diego.
Fino, elegante, rápido, incisivo e decisivo, porque aparecia sempre nos momentos de grande pressão, nas grandes finais, onde, como se diz no circo da F1, “se distinguem os homens dos rapazes”. E com uma eficácia de finalização idêntica com ambos os pés e no jogo aéreo. Tinha a grande área como habitat natural mas todo os m2 do terreno de jogo lhe eram familiares. Com instinto de golo, não desdenhava uma boa assistência de um colega mas também ele inventava oportunidades.

MVB é natural de Utrecht mas despontou na fábrica do Ajax a nível sénior a partir de 1982. Aí já não enganava, conseguindo a melhor média de golos de sempre dos lanceiros e vencendo 3 Campeonatos, 3 Taças e 1 Taça dos Vencedores das Taças (golo da vitória sobre o Leipzig).
Daí rumou a San Siro, em 1987, numa transferência recorde na época e com a maglia rossoneri conquistou os tiffosi milanistas e todo o calcio italiano e mundial. Nas grandes equipas de Sacchi e Capello, com a constelação de estrela encabeçado pelo trio das tulipas (MVB, Gullit e Rijkaard, exprimiu toda sua classe, conquistando 3 Scudettos, 3 Taças, 2 Champions Leagues (1 ao Glorioso), 2 Supertaças Europeias e 2 Taças Intercontinentais.
A título pessoal, a juntar a infindáveis prémios da FIFA, UEFA e afins, assinou o primeiro poker de sempre na Champions League na goleada do Milan ao Gotemburgo do frenético Tomas Ravelli, com direito a golo de pontapé de bicicleta e tudo

Mas apesar de já estar em Milão foi em 1988 que o seu talento foi mundialmente reconhecido num cenário que, à partida, lhe era desfavorável. No Euro 88, na Alemanha, a Holanda chegava com uma equipa poderosíssima, ao nível da laranja mecânica de Cruiff, Neeskens, Resenbrink e afins, comandada igualmente pelo pai do futebol total, o malogrado Rinus Michels.
A armada holandesa incluía Van Breukelen, Van Tiggelen, os Koeman bros, Rijkaard, Van Aerle, Wouters, Muhren, Vanenburg (o Geraldinho, dado o seu futebol claramente brasileiro), Van’t Schip, Gullit, Bosman, Kieft...um autêntico hall of fame. De tal forma que MVB era suplente de Johnny Bosman, não se antevendo grande epopeia do nosso flyado.
Mas como no jogo inaugural a Holanda saiu derrotada pela URSS, no jogo seguinte, frente à Inglaterra, MVB teve a sua chance e, como sempre, respondeu presente: hat-trick. Daí para a frente, marcou o golo decisivo das meias-finais e um dos melhores golos de sempre a Final, na revanche frente à URSS.

Acabou por terminar a carreira apenas com 31 anos (na verdade acabou com 29 porque nas últimas 2 épocas acabou por não jogar), fruto de uma lesão complicadíssima na zona do calcanhar que obrigou a várias cirurgias sem pleno sucesso. Este seu infortúnio levou a que seja ainda hoje um dos impulsionadores de uma maior punição aos chamados tackles, tendo estado na origem de algumas decisões da FIFA a este respeito.
Deixo-vos com uma das muitas compilações possíveis de golos e também com o vídeo da despedida oficial de San Siro, onde vão poder ver o duro Capello como nunca imaginaram. Como disse Galliani na altura, naquele dia “o futebol perdeu o seu Leonardo da Vinci”...ainda bem que a obra continua exposta.




quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Monty Python and The Holy Grail


Antes de lerem este post peço-vos que limpem os pés e se benzam pois vão entrar em Território Sagrado... Mais do que sobre um filme este post é sobre um conjunto de gente diabólica que desde 1969 (Life can be fine if we both sixty-nine) reensinou ao planeta a nobre arte de fazer humor. São eles a fonte de inspiração para quase tudo o que de bom se fez a partir dessa data.

Os Python têm um pouco e muito de tudo (perdoem-me a antítese): non-sense, físicos, ousados, sádicos, hipócritas, surreais, críticos, musicais, brilhantes em todos esses campos, e é isso que faz deles únicos. Python não existia sem as composições de Idle, sem a horribilidade de Terry Jones a interpretar mulheres feias, sem as pernas compridas de Cleese, sem a censura de Chapman, ou sem a arte de Palin a vender Papagaios Mortos. Criaram um mundo completamente anárquico ilustrado brilhantemente pelos Cartoons de Terry Gilliam, mundo esse que nos ensinou a valiosa lição que a qualquer momento podemos levar com um peso de 8 Toneladas na cabeça, entre outras coisas.

A História dos Python é fácil de acompanhar, de 1969 a 1974 revolucionaram o Mundo a partir dos estúdios da BBC com o Monty Python's Flying Circus, a bíblia de qualquer comediante, melhor série alguma vez escrita...ponto final, fim da discussão. No grande ano de 1975 (este ano devia ficar para a história) lançam-se no Grande Écran com Em Busca do Graal Sagrado, seguindo-se A Vida de Brian (1979) e o Sentido da Vida (1983), intercalaram os filmes com documentários e fantásticas actuações ao vivo, algumas delas felizmente imortalizadas em Vídeo/DVD (Hollywood Bowl), todos os filmes são escritos por Idle, Palin, Cleese, Chapman, Jones e Gilliam (e realizados pelos 2 últimos). Desde 1969 lançaram mais de 15 CD's com as suas melhores musicas (sim, não se iludam pela cara de parvo de Palin, estes senhores eram uma oleada máquina de marketing).

O Filme de hoje é precisamente a premiére dos Python no Grande Écran, Monty Python and The Holy Grail, uma sátira à cruzada do Rei Artur em busca da Taça utilizada por Jesus na Última Ceia, apesar da história aqui não interessar. O que interessa é que este é o melhor humor que alguma vez foi feito, só igualado talvez por outro filme The Life of Brian ou por alguns sketches do The Meaning of Life, qualquer filme que julguem ser a melhor comédia que já viram...esqueçam, se já escrevi num post anterior que aquela era a melhor comédia...esqueçam. Estamos perante uma Obra dos Deuses, e não se deve mencionar o nome deles em vão.

Orgulho-me de dizer que Python chegou até mim desde muito cedo, sem influências de ninguém, sem qualquer recomendação. Encontrei-os ainda muito jovem nos serões na RTP2 e posteriormente a fechar as emissões da RTP1 (antes do Hino e da Mira Técnica), aí conheci o Flying Circus e foi amor à 1ª vista, conforme escrevi uns meses atrás foi Magnetismo Natural.

Se este Gostas de Fly servir para verem, ou reverem Python, sinto-me verdadeiramente um missionário espalhando a Santa Palavra. Aliás a palavra "Shit" foi dita pela 1ª vez na TV Britânica graças a Eles!

Ámen.

O Vídeo trata-se do Memorial Fúnebre prestado pelos Python Cleese, Palin e Idle a Graham Chapman após a morte deste em 1989. Cleese no seu melhor.



segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 13

Diamantino – O Diamante da Luz

Logo a seguir à locomotiva Carlos Manuel, Diamantino foi, durante muitos anos, o meu jogador preferido do Glorioso. Conhecido pelo Vesgo (por uma deficiência que tem na vista) e por Diamante, o nosso flyado da semana foi um dos jogadores mais marcantes do Benfica e do futebol nacional nos eighties.

Nascido na Moita, portanto, na margem sul que durante anos a fio foi o viveiro benfiquista, Diamantino era (e é) vermelho para além das 4 linhas. A sua orientação política era bem conhecida e a sua personalidade vincada era bastante atreita a alguns conflitos. Era claramente um dos líderes de balneário, fazendo parte do núcleo duro com Carlos Manuel, Bento, Chalana, ente outros, assegurando a tão famigerada mística que hoje é vulgarmente mencionada sem qualquer critério. E essa faceta viu-se igualmente ao serviço da selecção nacional que representou no Euro 84 e no Mundial 86, tendo sido um dos chamados “cabeçilhas” do famoso caso Saltillo.

Nas 4 linhas foi encaraddo como uma promessa desde muito cedo, com presença regular nas selecções jovens mas, como sénior, Diamantino só á 2ª se impõs na Luz, após passagens pelo Amora (então na chamada 1ª Divisão) e para o Boavista para "ganhar calo". Com a chegada de Sven Goran Eriksson o Diamante foi finalmente lapidado, tendo vencido, entre 82 e 90, 4 Campeonatos e 4 Taças de Portugal de águia ao peito, registando ainda a presença na Final perdida da Taça Uefa de 83, frente ao então tubarão europeu, Anderlecht.

Para além das caracteríticas de personalidade, Dianmantino era sobretudo um jogador versátil. Driblava, assistia, marcava golos e cobrava bolas paradas (os célebres livres de folha seca), quase tudo com o mesmo nível de eficácia e com ambos os pés. Uma grande leitura de jogo e uma condução de bola elegante, completavam o ramalhete. Exemplo desta versatilidade é o facto de ter começado como avançado, ter depois brilhado como ala direito e, na fase de maior maturidade, jogar como médio criativo, como pensador de todo o futebol atacante. Um eterno camisa 11 que foi também camisa 7 e camisa 10. Notável.

E o momento mais triste da carreira terá sido quando já actuava como camisa 10. No dia 21 Maio de 1988, o Benfica fazia, contra o Guimarães, o derradeiro ensaio para a Final da Taça dos Campeões Europeus, frente ao PSV. No decorrer do jogo, Diamantino sofreu uma lesão gravíssima, afastando-o dessa final. O Benfica era, nessa fase, uma espécie de Dimantinodependente e isso viu-se em Estugarda. Só Diamantino tinha o mapa do golo e após o 0-0 final, as grandes penalidades levaram a taça para o Phillips Stadium...A mim ninguém me tira da cabeça que com o Diamante em campo, hoje brilhava outra jóia no museu da Luz.

Deixo-vos com imagens de um troféu que, esse sim, hoje mora na Luz, numa gentil oferta do nosso Vesgo.