"Gostas de Fly?" porque houve alguém que o perguntou e houve outro alguém que fez disso mote para uma rubrica que já se estende à música, ao cinema e à bola. E por isso, um muito obrigado HD.
Luc Besson é um dos meninos rebeldes do Cinema Europeu, actualmente completamente “Hollywoodizado” trata-se do realizador Francês (e um dos Europeus) com maiores créditos firmados no Cinema de Acção. Distinguido-se por planos vertiginosos, em filmes repletos de movimento como o são as Sagas Taxi e Transporter ou o “Gaultiézado” Quinto Elemento, teve em 1994 o ponto alto da carreira com um Fantástico Leon. Um filme que ultrapassando a barreira dos Action Movies acaba por ser uma das mais improváveis histórias de amor que o cinema viu, apesar da censura americana ter proibido algumas cenas que achou impróprias para uma garota e um assassino a soldo. A versão europeia está como Besson a pôs ao mundo.
Leon é um Hit Man, interpretado por Jean Reno (um dos actores fetiche de Besson) que se vê obrigado a acolher uma garota impedindo que esta fosse executada por uns polícias corruptos (inesquecível essa cena). A ambiguidade da história é notável pois por um lado é-nos mostrada a relação quase Edipiana entre Mathilda e Leon, e por outro é-nos dado a conhecer Leon na sua pura crueldade (assassino sem remorsos cuja única relação que tinha era uma planta), matando a soldo e treinando Mathilda para que esta possa vingar a sua família.
A bela Natalie Portman (a Princesa Leia dos novos Star Wars) nasce para o Cinema às mãos de Besson como Mathilda e brilha bem alto (apesar de demasiado nova arrasou no casting). Jean Reno confirma os créditos que fazem dele o mais famoso actor francês da Actualidade. O mau da fita (que alguns anos mais tarde voltaria a ser vilão de Besson como o Tirano Zorg no 5º Elemento) é Gary Oldman talhado para este tipo de papéis eleva claramente a fasquia do filme.
Não esperem um filme de acção carregado de tiros, mortes e perseguições (à boa maneira de Besson), adicionem-lhe o factor surpresa que é uma garota de 12 anos e um assassino que a adora, entra claramente nos filmes que este vosso amigo declara como “ Must ver antes de falecer”, um elogio à sétima arte.
A escolha de Ruud Gullit para ser um dos flyados demorou algum tempo porque me é muito complicado falar sobre ele, descrevê-lo. Isso sucede pela admiração e, sobretudo, pela dificuldade em catalogá-lo ou rotulá-lo como jogador. É que mais que um jogador, Gullit era, sobretudo um grande atleta. Creio sinceramente que, se não fosse no desporto rei, Gullit pode ter sido um atleta de eleição em várias outras modalidades. Tinha uma compleição física, uma coordenação motora, uma inteligência e concentração ao nível da elite. Era uma mistura de culturas e influências (pai oriundo do Suriname e mãe holandesa) que resultaram num cocktail explosivo e de difícil definição. Não é seguramente por acso que foi um dos grandes jogadores da história do futebol laranja (e dos anos 80 em particular) que não tinha a escola, o rigor, o modus operandi do Ajax. Era esse lado de "bom selvagem" que eu tanto apreciava no Bob Marley do pontapé na bola.
A sua versatilidade era tal que jogou em posições tão diferentes como médio ofensivo, pivot defensivo, líbero, ala direito ou ponta de lança. E sempre com rendimento de alto nível. Ainda hoje não sei exactamente em que posição rendia mais ou, visto por outro ângulo, em que dava mais espectáculo. Talvez não fosse nota 10 em nenhum dos capítulos do jogo mas também não conhecia classificações abaixo da nota 8. Digamos que, se fosse um país, seria um qualquer país tropical, com baixa amplitude térmica e destino para todo o ano. Impulsão, jogo aéreo, remate, técnica qb, capacidade de pressão, velocidade e perfil de liderança, ou não tivesse sido capitão da Samp, da Chelsea e da selecção Holanda (no Milan havia um tal de Franco Baresi). Embora com características bem diferentes, só me recordo de outro jogador de tão difícil descrição, o espanhol Luis Enrique. Também jogava de lateral direito a ponta esquerda e com uma intensidade de jogo que fazia jus á lendária fúria espanhola, tão habitué da roja.
A nível de clubes, a sua carreira começou no modesto HFC Haarlem, ingressando depois no Feyenoord (1 campeonato), onde alcançou o reconhecimento doméstico. Daí rumou ao PSV (2 campeonatos), clube que lhe permitiu o reconhecimento internacional e levou a que o Milan abrisse os cordões à bolsa para o contratar. No AC Milan, Gullit atingiu o auge da carreira, fazendo parte da, para mim, melhor equipa de sempre (3 scudettos, 2 champions leagues, 2 taças intercontinentais, 2 supertaças europeias e outros títulos domésticos). Era o futebol total do trio holandês adaptado ao futebol científico de Arrigo Sacchi que havia introduzido a marcação à zona. Após 6 anos em San Siro, o seu joelho direito começou a ceder e acabou saindo para a Samp. Ídolo novamente em Génova (taça de Itália, 3ª posição na Serie A e golo decisivo na remontada de 3-2 da Samp frente ao seu Milan), levou a que os rossoneri o resgatassem. Ainda assim, ficou somente meia época, regressando a Génova. Terminava o seu périplo no calcio...mas não no futebol de alta competição. Como pioneiro da tentativa do futebol inglês começar a resgatar grandes talentos europeus para dar outra dimensão e beleza ao seu futebol, Gullit ingressou no Chelsea. Aí permaneceu durante 3 épocas, terminando até como jogador-treinador e vencendo a FA Cup nessa condição. Apesar da idade, ainda deu outro estatuto à então ainda emergente Premier League. Abriu as portas a Zola, Vialli e Bergkamp entre outros e acabou até nomeado com 2º melhor jogador da competição, logo atrás do intratável Eric Cantona.
Também na Selecção deixou a sua marca, capitaneando a selecção laranja para a sua maior (e única) conquista de sempre a nível de selecção A: o Euro 1988. Comandou as tropas e na final, puxou dos galões, marcando o golo inicial e depois, seguramente, batendo palmas ao mais famoso volley da história do futebol, protagonizado por Marco Van Basten.
Longas mas merecidas linhas para alguém que marcou o futebol moderno. Para além dos títulos colectivos, Gullit coleccionou inúmeros prémios individuais, dos quais se destacam 2 FIFA World Player of the Year, 1 Bola de Ouro da France Football e presença nos 100 melhores jogadores de sempre nomeados pela FIFA.
A juntar a tudo isto, estamos perante um dos primeiros fenómenos de marketing. Quem não se lembra dos bonés laranjas, com longas tranças, que invadiram a Alemanha no Euro 88 e que ainda gerou uma bela disputa judicial aquando do seu divórcio (alegava a esposa que a ideia tinha sido dela)?
Para vos tentar passar um pouco da minha admiração e para que a compreendam, deixo-vos 3 vídeos que mostram o quão completo era Gullit e permitem ver a evolução da carreia. Um 1º vídeo com o seu início no PSV, um 2º vídeo com um medley Milan/Samp/Holanda e um vídeo final alusivo à sua estadia em Stamford Bride (último minuto e meio). Total Footbal do inventor da expressão Sexy Football (adjectivando a seleção portuguesa no Euro 96)
Esta mítica competição, também chamada de olimpíadas do 4x4, teve inicio em 1980. Mundialmente conhecida pela sua dureza física para os condutores e muito exigente para as maquinas, esta competição foi um dos suportes da notoriedade da Land Rover no final do século passado.
A para alem da componente “desportiva”, a competição tinha também objectivos de imagem, principalmente pela defesa do meio ambiente e das populações dos locais remotos por onde passava, tais como Sumatra, Madagascar, Tanzania, Papua Nova Guiné, El Salvador, Honduras, Zaire, Burundy, Guyana, Borneu e muitos outros locais longe da civilização.
Apesar das imagens principais serem a transposição de obstáculos “impossíveis” pelas robustas maquinas 4x4 inglesas, pintadas naquele amarelo tão característico, a competição envolvia também provas de bicicleta de montanha, escalada, kayake, etc, por isso a camaradagem e o trabalho de equipa eram fundamentais para o sucesso.
As equipas eram seleccionadas através de pré-eliminatorias locais em cada um dos países que pretendia participar, sendo que os candidatos eram seriamente testados a nível de condução 4x4, engenharia e resistência física.
Para verem a ligação umbilical que existia entre o Camel Trophy e a Land Rover, em 2000 a organização entendeu fazer uma edição em que o transporte não se fazia em 4x4 mas sim em barcos insufláveis a motor.
A competição desportiva foi um sucesso, mas o retorno para os patrocinadores não foi o esperado porque os espectadores não associavam as imagens ao Camel Trophy.
Resultado deste fraco retorno (ou não) a competição acabou, sendo o seu substituto anunciado em 2003, com a competição G4 Challenge.
No entanto esta nova competição perdeu o “charme” da sua antecessora e em virtude da crise económica mundial, em dezembro de 2008 foi anunciado o seu fim.
Pessoalmente adorava participar numa prova destas.
Em 1997 o Realizador Austríaco Michael Haneke escreve e realiza Funny Games, um polémico filme com dúbias interpretações onde a violência e a crueldade espreitam em cada milímetro de película. Sendo mais que pura e gratuita violência, neste filme Haneke tece uma dura crítica à sociedade, foi como que uma antevisão ao cada mais frequente número de jovens psicóticos que entram (por em exemplo) em escolas e desatam a matar, aqui os principais visados são claramente os media com toda a violência que fazem entrar nas nossas casas. Para visões menos periféricas - OK mais um filme violento.
A história é a de dois Jovens que tomam de refém uma família de turistas (Mãe, Pai e um Garoto) e com toda a sobriedade (sentados nos sofá como se assistissem à novela da noite) lhes vão propondo jogos cujo prémio é a vida, chega a ser desesperante assistir a esta tortura. No entanto Haneke consegue momentos brilhantes, em curtos espaços consegue levar-nos da luz ao fundo do túnel de volta ao fundo do poço, relembro (para quem viu) e recomendo (aos restantes) a cena do rewind no telecomando (mais uma clara alusão aos media), brilhante. Todo elenco é alemão composto por actores desconhecidos para o comum do mortal.
Este não é certamente um filme consensual que toda a gente adora, mas mérito seja dado a Haneke pois conseguiu todo o reconhecimento por este filme, entre outros prémios destaca-se a nomeação para a Palma de Ouro 97 de Cannes e um dos Vencedores do nosso Fantasporto 98, no entanto demasiado cruel e crítico para chegar à margem Oeste dos Estados Unidos.
Em 2007 Haneke repete a formula na versão americana do filme, com a diva Naomi Watts, Tim Roth (já era tempo de ser ele a sofrer) e Michael Pitt, um jovem actor que parece talhado para papéis de assassino psicótico. Perdeu-se o glamour, a novidade e a crueza do original.
Não é certamente um filme para todos os gostos, mas vê-lo será uma experiência inesquecível, o trailer deixa um cheirinho:
Ora iniciemos então este primeiro Gostas de Fly - On Weels.
Como já descobriram, esta primeira escolha não é nada obvia e de certo que alguns de vós (se não todos) ficaram desiludidos com a escolha, apesar de achar que no final concordarão comigo. - Não tem história - Não é bonito - Não é performance - Não marcou uma época - Ninguém famoso o celebrizou
O que torna este carro estão especial?
Julgo que, em vez de revolucionar, vai fazer-nos olhar de uma outra forma para os veículos, de duas formas: 1 - O preço de venda 2 – O previsível impacto no ambiente
Este pequeno veiculo de +- 3 metros de comprimento, 1.5 de largura e 580kg de peso é produzido na Índia e destinado essencialmente ao mercado interno. O seu preço... 1500€. O sonho de grande parte dos Indianos está muito próximo. Adeus andar à chuva em duas rodas Adeus grandes molhas na época das monções Olá transporte familiar (razoavelmente) confortável
Claro que isto é à custa de equipamento e materiais básicos, para alem do equipamento de segurança... ser fraquinho
Agora imaginem a Índia, com a sua imensa população, grande parte dela a andar de bicicleta (pollution free), a mudar em grande escala para um veiculo a motor, com tecnologia antiquada. Por outro lado os defensores invocam que o Nano é bastante menos poluente do que as motorizadas e os riquexós, o que será verdade, mas o perigo do aumento exponencial da poluição parece real.
Está prevista também uma versão adaptada ao mercado europeu, a ser lançada em 2010, adaptada para cumprir as normas anti-poluição e de segurança. O seu preço... nunca menos de 5000€. Ainda assim bastante mais barato do que a concorrência actual.
Deixo-vos alguns vídeos, onde podem verificar prós e contras do “bicho”:
No contexto do futebol inglês (do antigo e até, atrevo-me a dizer, do actual), Chris Waddle era uma espécie raríssima. Alguém que fazia da técnica individual, do drible e da finta de corpo o seu cartão de visita não era exactamente o protótipo do futebolista inglês. Num futebol de “kick and rush”, bastava uma recepção de bola ou um duelo 1x1 para se perceber que ali o jogo devia para uns segundos para regalo do olhar. “King of the drible”, diziam eles, raramente tendo possibilidade de assistir ao futebol continental. Mas Waddle até no futebol continental marcava a diferença. Havia mais mas não havia mais virtuosismo.
Quem o percebeu rapidamente foi o então colosso europeu Olimpique Marselha. Na construção da sua melhor equipa de sempre, viram em Waddle alguém que podia fazer a diferença e, juntamente com JPP, Basile Boli, Abedi Pelé e afins formaram um conjunto que, esse sim, fazia jus ao lema do clube “Droit au But”. Em 3 anos no Velodrome (proveniente do Tottenham), Waddle venceu os 3 Championnats e chegou à final da Champions (derrota nas GP frente ao Estrela Vermelha) mas, mais que isso, ganhou o reconhecimento da exigente e fanática plateia marselhesa, sendo votado como o 2º melhor jogador do século do clube (atrás do inevitável JPP).
Só os ingleses não lhe deram o reconhecido valor, já que tudo o que se passe fora da ilha, não acontece. Pura e simplesmente não existe. Ainda para mais, naquela época onde, após o êxodo de Kevin Keegan para o Hamburgo e de Gary Lineker para o Barça, quase nenhum futebolista inglês jogava fora do reino de sua majestade. Mas Waddle jogava e não com um inglês, antes como um extremo latino, holandês ou sul-americano. Foi o primeiro (que me lembro) a jopgar com o pé trocado (como diria o grande Wilson Brasil), ou seja, a jogar no flanco contrário. Canhoto por natureza, alinhava no flanco direito marselhês, inventando fintas de corpo e ganhando metros em diagonais para o meio que desmontavam qualquer defesa. Muito sofreu o Glorioso naquela noite no Velodrome. Durante algum tempo, Wwaddle usou cabelo comprido e era ver os cabelos a balançar para um lado e para o outro, seguindo o seu movimento de corpo e em sentido contrário a um defesa já ansiando por compaixão. Imagens inesquecíveis. Depois da aventura marselhesa e já com 32 anos regressou a Inglaterra para o modesto Sheffield Wednesday e aí assumiu completamente a equipa, mantendo-a na 1ª metade da tabela e chegando a 2 finais da taça e, a título individual, sendo reconhecido como futebolista do ano em 1993.
Na selecção esteve nas fases finais do Euro 88 e dos Mundiais 86 e 90, no último dos quais onde falhou 1 dos pontapés da marca da grande penalidade na semi-final com a Alemanha. Cá está mais uma prova da qualidade de Waddle: são sempre os grandes jogadores que falham nestes momentos.
Como legado futebolístico e tirando o caso excepcional de Ryan Giggs (esse é um fenómeno sem explicação), o mais parecido que vi surgir nos relvados britânicos foi Steve Macmanaman, que alinhoyu no Liverpool e no Real Madrid. Tinha um estilo semelhante, com mais velocidade e com maior sucesso imediato até, mas, para mim, sem aquele plus de toque de bola, de condução de bola, de sexy football e até um charme desengonçado que tinha Waddle. E ainda mais tinha a mania de se divertir em campo e fugir à rigidez táctica e afins, ou não se fosse “The Clown”, o outro dos seus nicknames. Para mim, era colar à televisão e desfrutar. Era ídolo mesmo. See 4 yourself!
Na linha dos filmes "Must ver antes de falecer" o Fly desta semana é a obra prima do Francês Frank Darabont - "The Shawshank Redemption" de 1994, uma adaptação do livro do Super Seller Stephen King, Rita Hayworth and The Shawshank Redemption - Aliás dos cinco Filmes realizados por Darabont, quatro são adaptações de obras do seu amigo pessoal Stephen King (The Woman in the Room, Shawshank Redemption, The Green Mille e o mais recente The Mist).
O habitat natural de Darabont é o Sobrenatural, a Fantasia, o atro, é esse o seu mundo de eleição para escrever/adaptar e realizar. O seu próprio nascimento parece saído de um dos livros de King, pois nasceu num campo de concentração Nazi (Pombo é este o termo?), sendo provavelmente daí que em alguns dos seus filmes os prisioneiros não são criminosos mas sim "anjos".
Pegando no pequeno martelo de escultor e começando a moldar o Fly desta semana, The Shawsahnk Redemption é a História de Andy Dufresne (Tim Robbins) contada pelo seu melhor amigo Red (Morgan Freeman). Dufresne é injustamente atirado para a prisão de Shawshank pela morte da sua mulher onde conhece Red a cumprir pena e é aí o ponto de partida.
Apesar de 95% deste filme se passar na prisão, todo ele é assente numa história muito boa e sobretudo bem contada, que foge muito além das paredes de cimento do pátio da Prisão. Darabont tem o mérito de ser minucioso, pegar em cada personagem (desde os prisioneiros aos guardas) e conferir-lhe uma personalidade única, além disso os pequenos pormenores do filme (desde a presença de Hayworth na tela muito bem relembrada por RBF, ao esvaziar os bolsos no Pátio) não são descurados, tudo faz sentido (chega quase a fazer lembrar Kubrick). Tudo isto é recheado de planos fantásticos (veja-se a foto acima), mas pesando todos estes factores é sem dúvida a História que faz deste filme imponente.
Das estrelas que brilham na tela os créditos principais vão para credível inocência de Tim Robbins, manipulado pelo Director da Prisão e amedrontado por prisioneiros e guardas (está aí a outra chave do filme), mas Morgan Freeman confere-lhe a estabilidade, tal como um velho capitão não deixa o filme ir para águas muito agitadas e deixa que a história siga o seu rumo natural (nomeado para Óscar de melhor actor, entre as 7 nomeações que este filme teve). Morgan Freeman é um actor fantástico, apenas talhado para este registo mas fantástico.
Pela história de King e Darabont e sobretudo pelo final, este filme deve ser visto e revisto. Um dos melhores filmes jamais feitos.
E porque nem tudo tem que ser sério, para quem já viu o filme o video abaixo é imperdível, de ir às lágrimas:
Com a devida permissão de Manuel Galrinho Bento (pausa para uma vénia por parte dos lamps), 1994 viu chegar à Catedral, o melhor guarda-redes da história do Glorioso. Tinha então 35 anos (daí o teaser ter 35 MPH) e vinha de um Mundial dos EUA onde tinha brilhado a grande nível, tendo-lhe sido atribuído o troféu Lev Yashin para melhor guarda-redes da competição e terminando o ano com o título de UEFA Goalkeeper of the Year Veio pela mão de Artur Jorge e deixou muitos estupefactos. Afinal, o que vinha um jogador de 35 anos fazer para o Benfica?! Vinha marcar uma época nas redes portuguesas. Foi o primeiro guarda redes estrangeiro do Glorioso e justificou claramente esse privilégio (ao contrário de um tal Jorge Gomes que foi o primeiro estrangeiro da história do clube e que, aposto, a maioria de vocês nunca ouviu falar). Afinal Artur Jorge, nessa altura, ainda tinha cérebro! O problema veio depois, que lhe colocou as piores equipas da história do clube á sua frente. Ai, o que seria MPH com Ricardo, Mozer como torres de controlo?!
E se, ao fazer um dream team da história das papoilas saltitona, MPH seria o nº1, é porque acredito que, no futebol, há vida para além dos títulos, tal como, em cada fim de semana, para mim, há jogo para além do resultado. Acredito que, há jogadores, há equipas, há jogos que marcam uma época, tanto ou mais que um título. Há quem me faça ver futebol sem vencer e quem, vencendo, não me cativa minimamente. É que Preud Homme, pelo Benfica, apenas venceu uma Supertaça e, no total da carreira, entre Standard Liége e Malines, venceu 3 Ligas belgas, 1 Taça das Taças e 1 Supertaça Europeia (e mais alguns títulos menores na Bélgica), enquanto o “homem de borracha” conta com 8 títulos nacionais e 6 Taças de Portugal no seu palmarés.
Mas MPH era primus inter pares. Tinha um qualidade tão grande que, tímido, quase a tentava esconder. Não era modelo fotográfico, quando muito, modelo de mãos. Era ágil, com reflexos espantosos entre os postes (como muitos) mas dominando também o espaço aéreo (como poucos). Também o jogo com os pés lhe era familiar, apenas com o azar de uma vez colocar a redondinha nos pés de Balakov (agora uma vénia da lagartagem). Elástico mas sóbrio, elegante mas discreto, numa palavra, Classe. E sem idade, porque os Santos, como ficou conhecido SaintMichel, não têm idade. E a prová-lo está o facto de ainda ter ficado 5 épocas, sempre em grande plano, como titular das redes encarnadas. Só saíu aos 40 anos, pelo próprio pé...e com jogo de despedida com direito a 80 mil na Catedral para ver o último milagre do único Santo reconhecido pela lampiada. Na freguesia de Benfica, os santos populares comemoram-se a 24 Janeiro, data do seu nascimento.
Tomem a óstia e vejam a missa abaixo. Há muito milagre para certificar.
Com 14 anos apenas chegou a Milanello alguém que haveria de marcar toda história do AC Milan, de tal modo que foi nomeado o jogador do Século dos rossoneri. Devido à sua baixa estatura, apelidaram-no de “Il Piscinin” (“baixinho”, no dialecto milanês). Pura aparência! Nas 4 linhas, Franco Baresi foi um gigante, de tal modo que foi titular durante 19 épocas consecutivas no único clube da sua carreira. É que ainda há quem saiba exactamente o que é essa coisa do “amor à camisola” que os mais velhos falam...
Durante todo esse período passaram pelo San Siro vários companheiros de sector. Afortunatos, deveriam dizer todos os dias ao partilhar o balneário com Baresi. Afinal, devem ao eterno capitão serem hoje relembrados como grandes jogadores, quando o seu talento não poderia aspirar a tanto. É que Baresi, para além do que jogava, ou, atrevo-me até a dizer, mais do que aquilo que jogava, tinha o dom de elevar ao máximo a qualidade dos seus colegas. Qual Rei Midas, tudo o que tocava virava ouro. Fazia que quem jogava junto de si se transcendesse, talvez pela proximidade do toque divino. Era como que um maestro ou como aqueles que comandam as marionetas, bastando um gesto ou um agitar de cordas para todo o sector se movimentar e fazê-lo de forma harmoniosa. Era a defesa em linha e a marcação à zona em todo o seu esplendor. E sem esforço, apenas inteligência. Por alguma razão Baresi retirou-se apenas aos 37 anos...e ainda como titular (30 jogos na última época)
Ainda hoje, todos os que tiveram o prazer de ver a máquina milanesa do final dos anos 80 e década de 90, consegue articular de seguida a linha defensiva que comandava todo o futebol total de Arrigo Sachi. Ora vamos lá: Mauro Tassoti, Franco Baresi, Alessandro Costacurta e Paolo Maldini (o único realmente com a dimensão de Baresi). Fabuloso! Normalmente, lembramo-nos dos trios atacantes (Futre, Gomes e Madjer), dos 4 avançados do louco futebol dos anos 60 (José Augusto, Eusébio, Torres e Simões) ou dos 5 violinos do futebol lírico (Jesus Correia, Albano, Travassos, Vasques e Peyroteo) mas aqui, apesar de Gullit, Rijkaard e Van Basten, é Baresi e seus discípulos quem marca a história. A mesma história que o compara ao kaiser Beckenbauer e que depois inspirou as gerações vindouras, levando até o então treinador do Benfica, Sven Goran Eriksson, a apelidar o então emergente Rui Bento como “o pequeno Baresi”.
E a história traduz-se em 6 scudettos, 4 supertaças italianas, 3 champions, 2 taças intercontinentais e 3 supertaças europeias, sendo que o maior título de todos é ainda vivido dia-a-dia: o Milan decidiu retirar a eterna maglia 6 como forma de homenagem (também Maldini será alvo de tal distinção com a camisola 3, embora aqui com a hipótese de a mesma vir a ser recuperada caso o seu filho ascenda à primeira equipa milanesa).
Atentem então em 19 anos de carreira e no adeus ao calcio nos vídeos abaixo.
Este trata-se provavelmente do filme mais marcante que até hoje foi flyado. Escrever sobre este filme trás a responsabilidade de não conseguir passar o choque, a crueza, toda a brutalidade que só o ser humano consegue ter. Depois de ver American History X (aka América Proibida), tem-se uma sensação de atropelamento, de dormência, faz-nos parar e meditar no que acabámos de ver.
Este é um filme de 1998 que nos conta a história de Derek Vinyard, um puro e convicto Skin Head (ou Neo Nazi) e a sua viagem que começa no ódio até à tolerância. Toda uma ideologia Nazi é-nos mostrada frontalmente, não em jeito recriminatório, mas de uma forma quase documental, não julgando mas mostrando, deixando o julgamento ao nosso critério. Paralelamente é contada a história da própria família e do jovem irmão de Derek que segue cegamente as suas pisadas, e que acaba por ser a personagem chave do filme.
O destaque vai todo para o ponto de viragem do filme, uma famosa cena protagonizada por uma bota e por um lancil de passeio, não querendo adiantar mais para evitar “spoilers” para quem não viu (porque quem não viu tem mesmo que ver este filme).
À cabeça está Edward Norton num papel notável. Com a precisão de um metromono, Norton consegue fazer evoluir Derek Vinyard numa Paleta de sentimentos distintos, desde o ódio com que exibe as suas tatuagens, do espirito animalesco da cena do lancil, ao desapontamento e à redenção (estou a tentar evitar os spoilers ao máximo). De certa forma Edward Norton volta a repetir a dose de a Raiz do Medo (Primal Fear), dessa vez o hiato entre a(s) sua(s) personagem(s) era esquizofrénico, desta vez a transformação de Derek Vinyard quase o foi (tal como em Fight Club, posteriormente). Os dois primeiros valeram nomeações para Óscar. Destaque também para outro Edward, desta vez Furlong (o John Connor do Inesquecível Terminator II – possível futuro Fly) no papel de jovem Danny, poderoso.
O realizador é o Tony Kaye, mas reconhecido pelos seus documentários sendo esta sem duvida a sua obra prima.