terça-feira, 2 de dezembro de 2008

ChinChén Itzá ... !!


Quando em Setembro de 2005 me meti num avião a caminho da minha lua-de-mel, nas paisagens paradisiacas de Cancun, México, jamais me passaria pela cabeça a fascinante viagem no tempo na qual iria embarcar.

Como que competindo pela atenção dos turistas (europeus e muitos americanos), com o morno e dócil mar do Golfo do México, encontram-se a poucas centenas de Kms de Cancun, os ultimos vestigios do que outrora foi uma cidade duma das civilizações mais intrigantes e fascinantes da História da Humanidade ... as Ruinas de ChiChén Itza do Império Maia.

É um local mágico, e quase que se consegue cheirar a História. Posso afirmar que foi um privilégio pisar o mesmo chão que 1500 anos antes fora pisado por milhares de guerreiros maias, sacerdotes toltecs e por resmas de virgens para serem sacrificadas.

ChinChén Itza, numa tradução um pouco arcaica, significa “A Boca do Poço de Itzá”, numa clara alusão ao famoso Cenote dos Sacrificios usado pelo povo de Itzá. Os Cenotes, são poços ou buracos naturais que correspondem a respiradoros das inumeras cavernas na sua maioria inundadas que recortam e minam todo o terreno naquela zona do Yucatão.
O Cenote dos Sacrificios, um dos pontos altos do complexo. Ligeiramente afastado do centro do complexo, era o local onde, supostamente, eram feitas as oferendas aos deuses em alturas de seca, sob as formas de peças de joalharia, pedras preciosas e donzelas (virgens ou não, só mesmo o Deus da Agua o saberá dizer). Segundo a História desses rituais, as donzelas eram atiradas vivas para dentro do poço, sendo no entanto, facultada a opção de beberem uma poção antes para “suavizar” a descida ... (pessoalmente acho que haveriam maneiras melhores de sacrificar uma donzela, ... ainda por cima virgem ... mas enfim …)

No entanto, o ponto forte do complexo é sem duvida a Pirâmide de Kukulcan. Situada no Centro de ChinChén Itza, situa-se a imponente construção de perto de 25 metros de altura e 60 metros de diâmetro. Parece que não, mas é alta comó catano … e a vista lá de cima é brutal … quase que jurava que conseguia ver a minha casa lá de cima …
É impressionante a inclinação da Pirâmide, com degraus bem pequeninos, onde mal cabia o meu 41 de lado ... O que vem lançar a suspeita que FF descende dos Maias ...
(aliás, deixem-me colocar-vos um desafio: “Sabem porque é que os mexicanos são um povo baixinho?”)
Toda a estrutura da pirâmide, na qual a escadaria lateral tem um total de 365 degraus, correspondendo aos dias do ano (perdi-me na contagem algures entre os degraus 83, 84 ou 85) assenta em profundas regras matemáticas, e é impressionante como eles já a usavam para coisas tão elaboradas como para a agricultura e astronomia.
A Pirâmide foi construida de forma tal, que em determinados dias do ano o sol bate nas suas paredes de determinado angulo que as sombras que projecta no chão anunciam o final da estação. E assim os Maias já possuiam um esboço mais ou menos complexo das estaçoes do ano, e usavam-nas efectimanente para a obtenção das melhores colheitas durante todo o ano.

Não gostava, no entanto de terminar este texto sem mencionar um outro espaço do complexo repleto de misticismo e de História. O Campo dos Jogos.
Aqui eram disputados jogos dum desporto que era um misto de futebol e basketball. O objectivo de ambas as equipas era introduzir uma bola numa espécie de cesto invertido com o auxilio do que pode ser descrito como uma “concha de pele”. Era um desporto brutal, muito à semelhança das equipas orientadas por Jaime Pacheco, no qual eram frequentes haver lesões graves … mas, no entanto o melhor vinha para o fim … no entanto, neste ponto as opiniões dos historiadores dividem-se. Enquanto uns acham que no final do jogo, a equipa derrotada era sacrificada, uma outra corrente de opinião mais recente afirma que o capitão da equipa vencedora era sacrificado pois com a vitória no jogo ficava a ideia de que era um individuo de extremo valor, e seria uma oferenda melhor a dar aos Deuses.

Outros pontos de interesse são, , o Muro das Caveiras, Templo de Venus, Templo dos Guerreiros, Templo do Jaguar … e o Restaurante Pavarotti.

Em modos de conclusão, gostaria de dizer que muito mais haveria para dizer sobre ChinChén Itzá, e sobre o extraordinário povo que nela habitou … mas que uma certeza subsiste a todos quantos por lá passam ... é um local carregado de magia e misticismo.

Aproveito para deixar um desafio … Já pensaram onde querem ir nas vossas próximas férias?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Casablanca


Quem disse que as histórias de amor obrigatoriamente dão em filmes para gajas e que não interessam para nada está redondamente enganado. Podemos ver e rever Casablanca vezes sem conta sem jamais beliscar os nossos índices de macheza, e é para isso que lá está Humphrey Bogart, um outro actor e o filme de certeza descambava num dramalhão secante, com Bogie jamais. Casablanca é considerado unanimemente um dos melhores filmes de sempre da história do Cinema (3º de sempre do American Film Institute), pessoalmente (que ainda conta mais) um dos melhores que vi.

Realizado em 1942 pelo Húngaro Michael Curtiz, Casablanca leva-nos a uma África desocupada (no início da 2ª Guerra Mundial), e ao reencontro entre o mais famoso par da história do Cinema, Rick (Bogie) e Ilsa (Ingrid Bergman). Rick funde-se na perfeição com Bogie, o eterno gangster, duro, apenas vergado pela sua paixão por Ilsa. Ingrid Bergman limita-se a ser a musa sueca dos anos 40 vencedora de 3 Óscares, um must.

Rick é o proprietário de um clube nocturno onde se misturam nazis, jogadores, refugiados e todo o tipo de gente. É suposto entregar um membro da Resistência Checa que chega a Casablanca aos Nazis em troca de um livre trânsito para a América. Até que descobre que a companheira do Checo é Ilsa, a sua antiga paixão que o abandonou em Paris. A partir daí é aproveitar cada momento do filme, absorver as frases épicas "Here's looking at you, kid" (umas das “lines” mais poderosas da história), "We'll always have Paris."ou "Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship.", que bastante utilidade vos trarão para a vida, e aprender a fórmula certa do que é ser um verdadeiro romântico, sem lamechice e sem lágrimas apenas com estilo.


Tudo isto levou a 3 Óscares, Melhor Filme (Óbvio), Melhor Argumento (Óbvio) e Melhor Realizador (consta que Ridley Scott em Alien usou técnicas de profundidade utilizadas por Curtiz em Casablanca).


Inesquecível também a musica tocada (a fingir) por Sam - As Time Goes Bye - (Dooley Wilson era na realidade baterista), o timbre que marca todo este filme.


Se ainda não viram, arrisquem em ver Casablanca (A Preto e Branco claro) com a vossa Ilsa ao lado e farão um brilharete, passarão por um tipo que até é sensível e aproveitam para ver um dos melhores filmes de sempre do Cinema.


Play it Sam:



segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 16

Rabah Madjer – O Artista

Em 1986, então já com 28 anos, chegou aos nossos relvados e ao do estádio das Antas em particular, aquele que é considerado, juntamente com o peruano Cubillas (nunca vi jogar), o melhor estrangeiro de sempre do FCP.

Depois de começar a carreira na sua Argélia natal, entrou no velho continente pela porta pequena, em 2 modestos clubes franceses: o RC Paris (que viria a depois a ficar mais conhecido enquanto Matra Racing de Paris) e o Tours. E foi aí que o Porto o descobriu. Para mal dos rivais lisboetas para o bem de todos os amantes do futebol.

Madjer era um avançado moderno (para utilizar uma expressão de Quique Flores), com velocidade, inteligência, que jogava preferencialmente sobre as faixas. Misturava o perfume do futebol africano com a competitividade mais europeia. Jogador elegante e de fino recorte técnico, jogava de forma sublime com qualquer dos pés...e em qualquer piso.
Quem não se lembra do golo na final da Taça Intercontinental, em Tóquio, num relvado completamente coberto de neve? E não foi um golo qualquer. Foi uma chapelada como se tivesse em pleno relvado. Digamos que foi a sequela da magia começada em Viena, na final da Champions frente ao Bayern, a tal que ficou conhecida como “aquela do calcanhar do Madjer”. O 2º calcanhar mais conhecido da história. Soberbo.
Em 2 finais das mais importantes da história do FCP “o Artista” esteve nos 4 golos, 2 assinou em nome próprio e os outros 2 deixou para que Juary e o grande Fernando Gomes também tivessem o seu lugar na história.
Partiu da Invicta rumo a Valência já com 30 anos mas as coisas não correram particularmente bem, regressando à casa azul branca para mais 3 anos de sucesso.

Também no seu país é idolatrado. Pela selecção, jogou 14 anos, de 78 a 92 e esteve presente em 2 fases finais de Mundiais (82 e 86). Foi considerado o melhor jogador argelino de todos os tempos, o melhor jogador africano do século juntamnete com Roger Milla) pela União de Futebolistas Africanos e o 5º melhor pela IFFHS.

Deixo-vos com 3 imperdíveis vídeos, uma espécie de homenagem a Madjer com Tesourinhos Deprimentes. Senão vejamos: teremos o calcanhar em Viena pela voz de um ainda imberbe Miguel Prates e o ainda lúcido Ribeiro Cristóvão; o resumo desse mesmo jogo (sem o golo de Madjer ???) comentado por Sua Alteza Gabriel Alves e com declarações de um Artur Jorge ainda com cérebro e farfalhudo bigode; e, finalmente, o resumo da gelada final da Intercontinental com comentários do Bi-Bota Fernando Gomes. Abençoado Youtube







quinta-feira, 20 de novembro de 2008

The Doors


Is everybody in? The Ceremony is about to begin...

Oliver Stone é provavelmente um dos realizadores mais polémicos das décadas de 80 e 90, as suas personagens são carregadas de força, inigualáveis, têm alma, sejam eles um Sargento no Vietnam (Elias - Platoon), um casal de assassinos apaixonados (Mickey and Mallory - Natural Born Killers), um corrector de Wall Street ou uma estrela Rock. Os seus filmes têm o condão de sem qualquer receio pôr o dedo na ferida, abri-la e mostrar ao mundo o que está lá dentro... enquanto muitos diziam "... não sei se devo..." Oliver Stone gritava "ACÇÃO".

The Doors pode não ser o melhor filme de Oliver Stone, que não o é, mas não queria ver a história do líder da minha banda de eleição ser contada por mais ninguém, não o admitia. Daí ser esta a minha escolha perante tantos outros filmes soberbos, posso inclusive assegurar que este se trata do filme mais vezes visto por este vosso amigo.

Lançado em 1991, mostra-nos o caminho vertiginoso de um dos maiores ícones dos anos 70, dá a conhecer ao mundo a história autodestrutiva de Jim Morrisson líder dos Doors. Envolve-nos no ambiente psicadélico dos 70's Americanos contando a história de uma das melhores bandas de sempre. Os concertos épicos, o apogeu, as drogas, o declínio, o deleite de qualquer fã da banda, obrigatório...

No papel de James Douglas Morrisson, está Val Kilmer (mais uma vez em GDF) naquela que é sem dúvida a sua melhor interpretação de sempre. Além de cantar os encores do filme (já em Top Secret o fez), Kilmer funde-se completamente com Jim Morrisson, torna-se no Adónis de calças de couro, encarna completamente o Rei Lagarto... é difícil dissociar a imagem de Jim Morrisson com a de Val Kilmer após ver o filme. A fascinante Meg Ryan interpreta brilhantemente a psicadélica Pamela Morrisson companheira de Jim no seu caminho para a destruição.

Mais que uma história para os fãs da banda, este filme tem o condão dos criar. Se não viram desafio-vos a ver, se não gostam de Doors... que Deus vos perdoe...
Raise your hand if you understand....

Os videos abaixo mostram o quão brilhante Kilmer é neste filme, o 1º é uma cena do filme, o 2º é um Jim Morrisson original:





segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 15

Jean Pierre Papin – Droit au But

Nunca o lema marselhês, Droit au But (Directo ao Golo) foi tão apropriado como para Jean Pierre Papin, ou JPP, para os amigos...que não devem ser muitos, pelo menos entre os GRs (Vitor Baía e Neno “Iglésias” que o digam).

JPP foi Bola de Ouro em 1991 e está na lista dos 100+ da FIFA (a propósito, de Portugal estão, King Eusébio, Luis Figo e Rui Costa) mas, acima de tudo, foi considerado o jogador do século do Olimpique Marselha, o que, seguramente valerá mais que os muitos golos que facturou. E se eles foram muitos. Em 6 épocas no Velodrome (com passagens anteriores pelo Vichy, Valenciennes e Club Brugge), conquistou, a nível colectivo, 4 Championnats consecutivos e, a título pessoal, foi o artilheiro da Ligue 1, em 5 épocas seguidas, com mais de 100 golos marcados.
Para além de uma grande mobilidade e um sentido de oportunidade notáveis, o grade predicado de Papin era claramente o seu pontapé fulminante de pé direito, uma autêntica certidão de óbito para as redes contrárias. Quando embalado e com a bola à mercê desse pé direito, era uma questão apenas de saber se entrava pelo lado direito ou esquerdo, rente à relva ou no cimo da baliza. O seu volley ainda hoje é recordado como o mais letal do futebol mundial, uma espécie de Stefan Edberg do desporto rei. Vários são os exemplos mas logo salta à memória aquele executado no antigo estádio das Antas, já como a camisola do AC Milan. Só por isso já merece a nossa homenagem.
Mas também o Glorioso provou do veneno de JPP. Na meia final da Taça dos Campeões Europeus bateu Neno na vitória marselhesa por 2-1 na 1ª mão. Valeu à lampiada o inferno da Luz, que fez tremer JPP como nenhum guarda-redes o conseguir fazer, e a mão de Vata, para carimbar o passaporte vermelho para Viena.

De Marselha saiu, após a derrota na Final dos Campeões Europeus frente à maravilhosa equipa do Estrela Vermelha de Belgrado (Prosinecky, Pancev, Jugovic, Savicevic e afins), para San Siro. A ideia? Juntar os 2 mais temíveis goleadores da altura: JPP e MVB. Mas as lesões de MVB e alguma inadaptação de JPP não o permitiram na plenitude. Ainda assim, fez 18 golos em 40 jogos no calcio, e foi a 2 finais da Champions. A 1ª perdeu-a... precisamente frente ao Marselha (golo de Basile Boli e fim de carreira de MVB) e a 2ª venceu-a (embora não jogando) na goleada de 4-0 do Milan de Capello ao Dream Team do Barça de Cruijff.

Depois de Itália ainda passou pelo Bayern Munique (Taça UEFA) e Bordeaux, terminando a carreira no modesto Guingamp, já na Ligue 2.
Na selecção apanhou o período negro entre Platini e Zidane, onde a selecção gaulesa falhou os Mundiais de 1990 e 1994 mas, ainda assim, em 54 jogos oficiais, foi Droit au But em 30 ocasiões.

Sejam goleados com o vídeo abaixo (é tanto golo que até cansa), lamentando não estar disponível o volley que fulminou Baia. Mas julgo que com esta amostra, conseguem imaginar.
Allez JPP!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Crónicas estupidas sobre cenas idiotas!!



Dedos nervosos percorrem a parede branca ansiando ...

... num movimento que se parece fundir com o tempo, deslocam-se, movimentando-se em ondas suaves ...

... para cima e para baixo ... para a esquerda e para a direita ... numa sintonia com o universo ...

... de repente ... estancam ... param ... sentem ....

.... eis chegado o tão desejado momento ...

... finalmente foi encontrado o interruptor da luz.

Pois é carissimos amigos ... após algumas semanas de interregno, eis que as crónicas estupidas sobre cenas idiotas retorna a casa.
E que mais belo tema para focar neste regresso, que o interruptor ... o Interruptor da Luz.

Muito há para dizer sobre este tão essencial, e no entanto tão subestimado, “objecto” que provavelmente as minhas linhas não lhe conseguirão prestar a devida homenagem, mas não queria deixar de lhe dedicar algumas palavras ...
Pessoalmente, acho que o interruptor da luz é vitima duma incompreensão tremenda ... e pior ... eu próprio me incluo no leque de pessoas que o menosprezam ..... bem ... pelo menos até hoje ....
Pode-se dizer que abri os olhos para esta realidade nua e cruel num solarengo dia de domingo. Nesse domingo, e para minha extrema alegria o Benfica jogava em casa, mas ainda mais excitante ... o jogo passava em canal aberto (RTP, creio) ... o que só por si, é motivo de extremo entusiasmo (pelo menos para mim, que me recuso veementemente a pagar os perto de 30€uros pelos canais SportTV).
Vinha da garagem, e faltava pouco para o inicio do jogo ... já sentia aquele nervosismo miudinho ... aquela irritação nas extremidades dos dedos ... aquela tremideira no peito ... quando apanhei o elevador.
4 andares, meus amigos ... 4 singelos andares que pareceram 4 prédios .... era o que me separava do meu lugar cativo em plena bancada central do meu Estádio da Luz ... 4 andares ...
Após essa longa viagem, que mais parecia um qualquer filme realizado por Clint Eastwood, finalmente cheguei ao meu andar ...
Ofegante ... chaves na fechadura, e após as 3 voltas que habitualmente dou em cada uma delas, já suava ... rogava pragas ... injuriava a minha vida repleta de azares, do qual este seria o culminar ...
... até que finalmente a porta abriu-se e parece que se fez sol ... parece que tinha renascido ... parecia que Valhala tinha aberto os seus portões após um combate de com um titã... estava ali tão perto .... já conseguia sentir a vibração que as TVs emanam quando se ligam ....
Mas no entanto, assim que coloquei o pé dentro de casa, qual foi a primeira coisa que fiz???
Acendi a luz, pressionando o interruptor ...

Pois é meus amigos ... o interruptor .. cá está ele ...
Alguma vez, fizeram um exercicio mental de imaginar a quantidade de vezes que usamos o interruptor por dia?
E quantas vezes nos lembramos efectivamente dele? Quantas vezes, pensamos ...
“Que diacho ... o interruptor é mesmo importante, faz parte da minha vida e sem ele sentir-me-ia incompleto ...”

Pois é ... seja de noite, seja de dia ... seja em casa, seja no trabalho ... seja para ler, seja para escrever, ... seja para acordar, seja para adormecer ... o interruptor está presente.
E já pensaram no erotismo associado ao interruptor ... e não ... não me refiro apenas ao acto de apagar as luzes para o trungalhunga (como diz o nosso amigo Markl), .... refiro-me a algo muito mais intimo .... algo que está subjacente à própria existência do interruptor ... o estado de ON e OFF.
Acho fascinante o simbolismo do interruptor ligado e desligado. O interruptor quase que se pode dizer que é como um portão ... um portão que tem o poder de nos afastar da luz, ou de nos mostrar o caminho. (bem ... isto se as lampadas não estiverem fundidas)
Bem ... acho sinceramente o interruptor faz parte das nossas vidas e sem ele faltar-nos-ia a luz que nos alumiasse o caminho ...
Um grande bem haja a todos os leitores e ....porque não ... a todos os interruptores deste Mundo.

O PAI TIRANO


A Época de Ouro do cinema Português jamais será esquecida. Nomes como António Silva, Vasco Santana, Fernando Ribeiro (Ribeirinho) e principalmente António Lopes Ribeiro deveriam encher de orgulho toda uma Nação. Nos anos 30 e inicio dos anos 40, foram escritos, produzidos e filmados em Portugal e por Portugueses as mais deliciosas comédias feitas na língua de Camões, que em nada ficam a dever aos Loucos Marx ou até mesmo ao brilhantismo de Chaplin, estrelas da comédia da altura. À cabeça vêm-nos filmes como Canção de Lisboa (1933), o Pátio das Cantigas (1942) ou o Leão da Estrela (1947), carregados de genuinidade, inteligência (fuga à censura) e sobretudo um humor que aproveita ao máximo as curvas e contracurvas da língua Portuguesa, o que os torna de facto filmes só nossos.

De todos esses filmes o meu preferido é sem dúvida O Pai Tirano (1941), realizado e escrito por António Lopes Ribeiro e abrilhantado pelos Enormes Vasco Santana e Ribeirinho, só peca por não contar com António Silva (provavelmente o melhor actor Português de comédia). Trata-se de uma comédia que conta a História de uma farsa, onde Francisco Mega (Ribeirinho) faz-se passar por um Aristocrata para conquistar o coração da sua amada Tatão, para isso utiliza o elenco da companhia de Teatro onde actua (Os Grandelinhas) para se fazerem passar pela sua suposta Abastada Família.
Todo o filme é recheado de linhas, gestos e expressões do mais delicioso que se possa imaginar, para quem conhece relembro o "Oh inclemência! Oh martírio! Estará por ventura periclitante a saúde desse nobre e querido menino que eu ajudei a criar?" ou então "- Pastéis de Bacalhau não temos. - Então são dois copinhos de vinho branco.". Mais de 6 décadas depois dessas linhas serem filmadas, em termos de efeito ainda se mantém actuais, ainda nos fazem rir, ainda nos divertem e isso confere-lhes todo o valor. Engana-se quem toma estes filmes por meras comédias brejeiras, trata-se de humor aveludado...imbeliscável...

Um dos momentos mais altos dos filmes desta geração é o Fado do Estudante, cantado bem afinado e a rigor pelo Vasquinho da Anatomia na Canção de Lisboa.

Se virem o vídeo de certeza que vos traz boas recordações.


Gostas de Fly - Futebol - Jornada 14

Marco Van Basten – O Leonardo Da Vinci

Silêncio...que se vai falar de MVB
Dos que vi jogar, foi seguramente o melhor nº9 e, talvez, a par de Zizou, o melhor jogador de sempre a seguir a Dom Diego.
Fino, elegante, rápido, incisivo e decisivo, porque aparecia sempre nos momentos de grande pressão, nas grandes finais, onde, como se diz no circo da F1, “se distinguem os homens dos rapazes”. E com uma eficácia de finalização idêntica com ambos os pés e no jogo aéreo. Tinha a grande área como habitat natural mas todo os m2 do terreno de jogo lhe eram familiares. Com instinto de golo, não desdenhava uma boa assistência de um colega mas também ele inventava oportunidades.

MVB é natural de Utrecht mas despontou na fábrica do Ajax a nível sénior a partir de 1982. Aí já não enganava, conseguindo a melhor média de golos de sempre dos lanceiros e vencendo 3 Campeonatos, 3 Taças e 1 Taça dos Vencedores das Taças (golo da vitória sobre o Leipzig).
Daí rumou a San Siro, em 1987, numa transferência recorde na época e com a maglia rossoneri conquistou os tiffosi milanistas e todo o calcio italiano e mundial. Nas grandes equipas de Sacchi e Capello, com a constelação de estrela encabeçado pelo trio das tulipas (MVB, Gullit e Rijkaard, exprimiu toda sua classe, conquistando 3 Scudettos, 3 Taças, 2 Champions Leagues (1 ao Glorioso), 2 Supertaças Europeias e 2 Taças Intercontinentais.
A título pessoal, a juntar a infindáveis prémios da FIFA, UEFA e afins, assinou o primeiro poker de sempre na Champions League na goleada do Milan ao Gotemburgo do frenético Tomas Ravelli, com direito a golo de pontapé de bicicleta e tudo

Mas apesar de já estar em Milão foi em 1988 que o seu talento foi mundialmente reconhecido num cenário que, à partida, lhe era desfavorável. No Euro 88, na Alemanha, a Holanda chegava com uma equipa poderosíssima, ao nível da laranja mecânica de Cruiff, Neeskens, Resenbrink e afins, comandada igualmente pelo pai do futebol total, o malogrado Rinus Michels.
A armada holandesa incluía Van Breukelen, Van Tiggelen, os Koeman bros, Rijkaard, Van Aerle, Wouters, Muhren, Vanenburg (o Geraldinho, dado o seu futebol claramente brasileiro), Van’t Schip, Gullit, Bosman, Kieft...um autêntico hall of fame. De tal forma que MVB era suplente de Johnny Bosman, não se antevendo grande epopeia do nosso flyado.
Mas como no jogo inaugural a Holanda saiu derrotada pela URSS, no jogo seguinte, frente à Inglaterra, MVB teve a sua chance e, como sempre, respondeu presente: hat-trick. Daí para a frente, marcou o golo decisivo das meias-finais e um dos melhores golos de sempre a Final, na revanche frente à URSS.

Acabou por terminar a carreira apenas com 31 anos (na verdade acabou com 29 porque nas últimas 2 épocas acabou por não jogar), fruto de uma lesão complicadíssima na zona do calcanhar que obrigou a várias cirurgias sem pleno sucesso. Este seu infortúnio levou a que seja ainda hoje um dos impulsionadores de uma maior punição aos chamados tackles, tendo estado na origem de algumas decisões da FIFA a este respeito.
Deixo-vos com uma das muitas compilações possíveis de golos e também com o vídeo da despedida oficial de San Siro, onde vão poder ver o duro Capello como nunca imaginaram. Como disse Galliani na altura, naquele dia “o futebol perdeu o seu Leonardo da Vinci”...ainda bem que a obra continua exposta.




quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Monty Python and The Holy Grail


Antes de lerem este post peço-vos que limpem os pés e se benzam pois vão entrar em Território Sagrado... Mais do que sobre um filme este post é sobre um conjunto de gente diabólica que desde 1969 (Life can be fine if we both sixty-nine) reensinou ao planeta a nobre arte de fazer humor. São eles a fonte de inspiração para quase tudo o que de bom se fez a partir dessa data.

Os Python têm um pouco e muito de tudo (perdoem-me a antítese): non-sense, físicos, ousados, sádicos, hipócritas, surreais, críticos, musicais, brilhantes em todos esses campos, e é isso que faz deles únicos. Python não existia sem as composições de Idle, sem a horribilidade de Terry Jones a interpretar mulheres feias, sem as pernas compridas de Cleese, sem a censura de Chapman, ou sem a arte de Palin a vender Papagaios Mortos. Criaram um mundo completamente anárquico ilustrado brilhantemente pelos Cartoons de Terry Gilliam, mundo esse que nos ensinou a valiosa lição que a qualquer momento podemos levar com um peso de 8 Toneladas na cabeça, entre outras coisas.

A História dos Python é fácil de acompanhar, de 1969 a 1974 revolucionaram o Mundo a partir dos estúdios da BBC com o Monty Python's Flying Circus, a bíblia de qualquer comediante, melhor série alguma vez escrita...ponto final, fim da discussão. No grande ano de 1975 (este ano devia ficar para a história) lançam-se no Grande Écran com Em Busca do Graal Sagrado, seguindo-se A Vida de Brian (1979) e o Sentido da Vida (1983), intercalaram os filmes com documentários e fantásticas actuações ao vivo, algumas delas felizmente imortalizadas em Vídeo/DVD (Hollywood Bowl), todos os filmes são escritos por Idle, Palin, Cleese, Chapman, Jones e Gilliam (e realizados pelos 2 últimos). Desde 1969 lançaram mais de 15 CD's com as suas melhores musicas (sim, não se iludam pela cara de parvo de Palin, estes senhores eram uma oleada máquina de marketing).

O Filme de hoje é precisamente a premiére dos Python no Grande Écran, Monty Python and The Holy Grail, uma sátira à cruzada do Rei Artur em busca da Taça utilizada por Jesus na Última Ceia, apesar da história aqui não interessar. O que interessa é que este é o melhor humor que alguma vez foi feito, só igualado talvez por outro filme The Life of Brian ou por alguns sketches do The Meaning of Life, qualquer filme que julguem ser a melhor comédia que já viram...esqueçam, se já escrevi num post anterior que aquela era a melhor comédia...esqueçam. Estamos perante uma Obra dos Deuses, e não se deve mencionar o nome deles em vão.

Orgulho-me de dizer que Python chegou até mim desde muito cedo, sem influências de ninguém, sem qualquer recomendação. Encontrei-os ainda muito jovem nos serões na RTP2 e posteriormente a fechar as emissões da RTP1 (antes do Hino e da Mira Técnica), aí conheci o Flying Circus e foi amor à 1ª vista, conforme escrevi uns meses atrás foi Magnetismo Natural.

Se este Gostas de Fly servir para verem, ou reverem Python, sinto-me verdadeiramente um missionário espalhando a Santa Palavra. Aliás a palavra "Shit" foi dita pela 1ª vez na TV Britânica graças a Eles!

Ámen.

O Vídeo trata-se do Memorial Fúnebre prestado pelos Python Cleese, Palin e Idle a Graham Chapman após a morte deste em 1989. Cleese no seu melhor.



segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 13

Diamantino – O Diamante da Luz

Logo a seguir à locomotiva Carlos Manuel, Diamantino foi, durante muitos anos, o meu jogador preferido do Glorioso. Conhecido pelo Vesgo (por uma deficiência que tem na vista) e por Diamante, o nosso flyado da semana foi um dos jogadores mais marcantes do Benfica e do futebol nacional nos eighties.

Nascido na Moita, portanto, na margem sul que durante anos a fio foi o viveiro benfiquista, Diamantino era (e é) vermelho para além das 4 linhas. A sua orientação política era bem conhecida e a sua personalidade vincada era bastante atreita a alguns conflitos. Era claramente um dos líderes de balneário, fazendo parte do núcleo duro com Carlos Manuel, Bento, Chalana, ente outros, assegurando a tão famigerada mística que hoje é vulgarmente mencionada sem qualquer critério. E essa faceta viu-se igualmente ao serviço da selecção nacional que representou no Euro 84 e no Mundial 86, tendo sido um dos chamados “cabeçilhas” do famoso caso Saltillo.

Nas 4 linhas foi encaraddo como uma promessa desde muito cedo, com presença regular nas selecções jovens mas, como sénior, Diamantino só á 2ª se impõs na Luz, após passagens pelo Amora (então na chamada 1ª Divisão) e para o Boavista para "ganhar calo". Com a chegada de Sven Goran Eriksson o Diamante foi finalmente lapidado, tendo vencido, entre 82 e 90, 4 Campeonatos e 4 Taças de Portugal de águia ao peito, registando ainda a presença na Final perdida da Taça Uefa de 83, frente ao então tubarão europeu, Anderlecht.

Para além das caracteríticas de personalidade, Dianmantino era sobretudo um jogador versátil. Driblava, assistia, marcava golos e cobrava bolas paradas (os célebres livres de folha seca), quase tudo com o mesmo nível de eficácia e com ambos os pés. Uma grande leitura de jogo e uma condução de bola elegante, completavam o ramalhete. Exemplo desta versatilidade é o facto de ter começado como avançado, ter depois brilhado como ala direito e, na fase de maior maturidade, jogar como médio criativo, como pensador de todo o futebol atacante. Um eterno camisa 11 que foi também camisa 7 e camisa 10. Notável.

E o momento mais triste da carreira terá sido quando já actuava como camisa 10. No dia 21 Maio de 1988, o Benfica fazia, contra o Guimarães, o derradeiro ensaio para a Final da Taça dos Campeões Europeus, frente ao PSV. No decorrer do jogo, Diamantino sofreu uma lesão gravíssima, afastando-o dessa final. O Benfica era, nessa fase, uma espécie de Dimantinodependente e isso viu-se em Estugarda. Só Diamantino tinha o mapa do golo e após o 0-0 final, as grandes penalidades levaram a taça para o Phillips Stadium...A mim ninguém me tira da cabeça que com o Diamante em campo, hoje brilhava outra jóia no museu da Luz.

Deixo-vos com imagens de um troféu que, esse sim, hoje mora na Luz, numa gentil oferta do nosso Vesgo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Inspiração e expiração, ou o elogio da respiração

Para quem não sabe, hoje, por volta das 11 da manhã, tivemos uma sessão de meditação. Curioso exercício este, onde nos ensinam a respirar (não vá um gajo esquecer-se), ao som de música de elevador de spa (há quem lhe chame chillout por ter vergonha de a ouvir).
Enquanto praticávamos tal coisa – penso que o substantivo correcto é “respiração” – uma narradora ia atirando descrições paradisíacas com bosques, florestas, rios, gotinhas de água, vento e tudo o que seja cliché da parvoíce.

Quero que inspire e expire de olhos fechados.

Fantástico. Conheço muito boa gente que chama a isso dormir. Eu, por exemplo, adoro inspirar e expirar de olhos fechados cerca de meia-hora por dia, normalmente no sofá ao final da tarde, e depois volto a fazê-lo pela noite dentro, aí durante mais tempo.

Deixe que o vento lhe passe pela cara e que o Sol lhe aqueça o corpo.

É complicado, em sala fechada e com estores corridos. Fazendo uma grande esforço imaginativo consigo ver, vá lá, um saco de plástico cheio de pão saloio lá dentro. Mas vamos lá então dar asas à imaginação, vamos nessa... mais não seja para esquecer a praga da música de elevador que meteste desde que entrei na sala.

Imagine que é uma gotinha de água a correr num rio.

Hmmm, que gozo. Sou uma gotinha de água a fluir com um rio. Que paz. O céu azul. E o amor. Fodasse, que ontem esqueci-me de entregar o dvd no clube de vídeo. Sempre a mesma coisa, todas as semanas, sempre a mesma coisa.

Uma simples gota de água...

Lá vou ter de pagar multa outra vez. Se o filme pelo menos valesse a pena. Mas não.

... a correr rio abaixo, devagar, devagar...

Mais compensa alugar filmes através do MEO. Fica mais caro ao início mas multa nunca pago. Não há é tanta oferta.

... você está num estado de total inconsciência...

Sim, completa inconsciência. Onde é que já se viu - 10 euros por uma merda daquelas.

Vai agora começar a despertar, enquanto faço uma contagem decrescente... vou começar no número 10 e você começa a acordar, lenta, lentamente...

O Joaquin Phoenix quando se mete numa coisa, normalmente é porque é boa. Estranho ter-se metido num filme destes.

...10, 9... você sente o sol na cara... 8, 7... começa a ganhar de novo consciência... 6, pode voltar a mexer os pés e os braços...

Que liberdade. Que liberdade esta de mexer os pés e os braços. Outra grande lição de hoje. Respirar (se não me engano era respirar que se dizia, ou seria respigar?, não, era respirar, é isso, respirar) e mexer pés e braços. Soubesse eu disto antes e era feliz.

5, 4... está quase acordado, 3,2... 1, pode abrir os olhos.

Obrigado Cristiana, vou então abrir os olhos e contar o número de pessoas que se sujeitaram a isto. Ena, ena. Uma data delas Cristiana. Queres ver que esta coisa da respiração pega moda?

Então, foi complicado?

O quê? Respirar? Aquilo da inspiração e da expiração? Um pouco, cansa um bocado sabes. Da minha parte vou voltar ao que era antes e deixar-me disto, mas para quem realmente gosta, que aproveite, e que pague por isso. Coisas destas não têm preço.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Top Gun


A verdadeira passagem pela puberdade da juventude dos anos 80 e 90 teve uma manual de instruções muito especial - Top Gun, aprendeu-se aí o significado de estilo, de rebeldia... não tinha nada que enganar, e até as cenas românticas se aproveitavam, pois metiam Kawasakis, Porshes, o “Take My Breath Away” (valeu um Óscar a Top Gun) e a Kelly McGillis. Um jovem só passava a ser um gajo depois de ver Top Gun.

Desde o ano de 1986, quantos de nós na nossa imberbe juventude não desejaram ser o Maverick, pilotar F14’s e perseguir a Charlie numa Kawazaki Ninja.

Desde o ano de 1986, que os Rayban e o blusões à piloto de avião entraram na moda.

Foi no ano de 1986 que eram elas que arrastavam os namorados para as salas de cinema, para ver um filme de guerra e eles disfarçavam a lágrima quando o Goose morria (o único choro permitido no cinema até hoje é a morte do Goose, máximo 3 lágrimas).

Por tudo isso Top Gun é um dos raros filmes de acção que teve o condão de nos ter posto a sonhar, de ter criado modas e de ter rompido todas as barreiras, arrasando as bilheteiras Americanas e liderando a Box Office nesse ano batendo filmes como Platoon, Aliens ou Crocodilo Dundee. Os Americanos estavam loucos em mostrar o seu poderio Bélico, mas com estilo!

O responsável? Tom Cruise claro. Foi a bordo de um porta aviões da US Navy no Cockpit de um F14, que se deu o verdadeiro lançamento de um dos principais sex simbols da história do Cinema, o único que até hoje foi permitido um gajo ter tido um poster no quarto (desde que devidamente acompanhado pela Charlie e pela Kawasaki Ninja).

Cruise interpreta o Tenente Pete “Maverick” Mitchell que é convidado para a escola de pilotos de elite da US Navy - Top Gun, a partir daí penso que todos conhecem a história e se relembram da Charlie, Goose, Cougar, Jester, Merlin, Iceman (Val Kilmer pela 3ª vez em Gostas de Fly), Slider e claro da Meg Ryan. Muitos filmes de aviões se fizeram depois, lembro-me da saga Águia de Ferro, mas nenhum deles sequer beliscou a fuselagem do F14 de Maverick.

Apesar de ser um excelente actor e na minha opinião o mais injustiçado pela academia de Hollywood que me lembro, neste filme Tom Cruise encontrou a fórmula que definiu a grande maioria dos seus papéis, Jovem – Rebelde – Injustiçado – Revoltado – Incompreendido – Independente, quer se queira quer não este é o verdadeiro Cruise estes são os papéis que o fazem brilhar e lhe assentam que nem uma luva (Top Gun, A Cor do Dinheiro, Cocktail, Rain Man, Nascido a 4 de Julho, Dias de Tempestade, Horizonte Loginquo, Uma questão de Honra, Jerry Maguire – só para referir os 10 anos após Top Gun, sempre o mesmo tipo de personagem).

O realizador é Tony Scott que reencontrou Cruise 4 anos mais tarde em Dias de Tempestade e é o responsável por alguns brilhantes filmes de acção (próximos Fly’s em vista), tocando no extremo oposto realizou o Video de George Michael - One More Try, procurem o video e tentem achar as semelhanças com o Fly de hoje.

Quem não gostou de Top Gun, quem não delirou com a caça aos Mig’s, quem não se emocionou com a morte de Goose, quem não sentiu uma pontinha de inveja de Maverick, que dispare o primeiro rocket.



Este vídeo apesar de desconstruir o que escrevi, é a visão de Tarantino sobre Top Gun, dedicado ao Sam e ZA:

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Gostas deFly - Futebol - Jornada 12

Pep Guardiola – O Passe

A par do já flyado Fernando Redondo, estamos perante o melhor pivot defensivo que já vi jogar. Sim , porque isso do Trinco ou Cabeça de Área é para os jogadores normais, não para Pep Guardiola.

Este menino que, com 19 anos, Cruyff escolheu para comandar o seu batalhão de estrelas, foi o verdadeiro patrão do Dream Team. Inteligente, fortíssimo mentalmente, era um autêntco prolongamento do treinador no campo. E isto, recordo, com apenas 19 anos e numa constelação com Laudrup, Stoichkov, Romário, Bakero, Beguiristain, etc.

O seu posicinamento defensivo era logo um primeiro passo para lançar o ataque. Nada era feito ao acaso. Cada pedaço de relva que pisava tinha um propósito. Mas tudo era feito em soupless. Estamos a falar de um pivot defensivo que, ao invés de se preocupar com a marcação era, ele sim, alvo da marcação do médio ofensivo ou avançado contrário, por forma a cortar à nascença a fonte de todo o jogo blaugrana.

Posso até dizer que Guardiola é o meu tipo de jogador. Não driblava, não fazia muitos golos, não desarmava de carrinho, não “voava sobre os centrais” como diria Rui Veloso e, ainda assim, era um jogador fantástico.
Onde os outros viam pernas, Guardiola via relva, onde os outros viam ruelas, Guardiola via avenidas. Era uma espécie de robot do passe, com um telecomando personalizado, qual primeiro espécime da tribo Meo tão em voga hoje em dia.
Foi o inventor do olhar para um lado e fazer o passe para o outro mas, ao contrário da ostentação dos craques da actualidade que o fazem, para Guardiola era algo tão natural como apertar as botas, fazendo-o unica e exclusivamente para ludibriar os adversários. O mérito dos golos e as estatistícas que ficam nos anais são para os outros. O passe preencia-lhe a alma como os golos preenchiam a de Romário.

No futebol europeu actual vejo 3 jogadores que possuem algo de Guardiola.
Xavi, que foi o seu herdeiro natural numa 1ª fase, possui algumas das suas características mas acabou por não se fixar como pivot defensivo, tornando-se num fantástico médio all around. Andrea Pirlo, que recuou 20 metros no campo mas mantém os pés de veludo de fantasista, a inteligência acima da média e uma capacidade de passe notável.
Miguel Veloso, que, em termos de passe de ruptura e intuição, alternar o jogar curto com o jogar longo, tem alguma coisa de Pep naquele pé esquerdo.

Ao longo da carreira, foi sempre fiel ao seu Barça e assim lá passou quase toda a carreira, de 1990 a 2001, conquistando uma série de títulos, entre eles a, até então, inatingível Taça dos Campeões Europeus, 1 Taça das Taças, 2 Supertaças Europeias e 6 Ligas Espanholas.
Pelo meio liderou a selecção espanhola rumo à medalha de ouro do torneio olímpico do Barcelona 92, numa equipa que tinha também Cañizares, Luis Enrique, Ferrer, Abelard e Kiko.
Depois dos catalães, passou ainda uns anos no calcio (Brescia e Roma), terminando a carreira nos relvados mexicanos.
Hoje em dia, fruto do talento e da saudade que deixou em Camp Nou (e de continuar a ser um protegido de Johan Cruyjff), e após orientar as equipas primavera do Barça, é o treinador da equipa principal. Espera a afficion que deixe, como técnico, um legado semelhante ao que deixou como jogador. Agradece o Barça e o adepto do futebol total.

Se o Barça é “més que un club” Guardiola foi, seguramente, “més que un jugador”.
Deixo-vos 2 vídeos imperdiveis: a arte de Guardiola e um depoimento de Cruyff sobre os elementos que compuseram o Dream Team.



sexta-feira, 24 de outubro de 2008

MARADONA

Aproveito para vos informar que estreia amanhã o filme "Maradona" do realizador Emir Kusturica, já abordado em Gostas de Fly, no festival Doc Lisboa. Em princípio para a semana já estará nas salas de cinema. Não percam, depois dos 10 Mandamentos, A Bíblia, A Paixão de Cristo mais um filme que fala de DEUS.

Que tal celebrarmos a nossa religião com uma ida ao cinema?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Voando Sobre um Ninho de Cucos


Que Jack Nicholson é um génio toda a gente sabe, que é o melhor psicopata/louco/esquizofrénico da história do Cinema, não é novidade para ninguém, mas que deve agradecer o seu 1º de 3 Oscares à Rígida Alfandega da antiga Checoslováquia duvido que muita gente saiba. A prequela real de Voando Sobre um Ninho de Cucos, um filme predestinado que foi guardado para os génios certos no momento certo, é feita de contornos irreais provavelmente intrínsecos aos próprio filme.


Decorria o ano de 1963 quando Kirk Douglas após protagonizar a peça de teatro Voando Sobre um Ninho de Cucos na Broadway, parte com a mesma para a Europa do Leste. Na Checoslováquia conhece Milos Forman um jovem realizador Checo, convidando-o de imediato a realizar a peça no grande écran. Regressado aos Estados Unidos envia-lhe o livro por correio, Forman nunca respondeu.


Douglas não desiste, e mesmo sem Forman decide avançar com o filme, mas os direitos da peça estavam bloqueados. Os anos passaram e Kirk Douglas, já com os direitos da peça, viu-se sem idade para a protagonizar, e passa-a para o seu filho Michael Douglas produzir. Michael Douglas consegue financiar o projecto e ao procurar um realizador, descobre Milos Forman, entretanto a viver em Nova Iorque e já com currículo e fama. Quando o velho Kirk e Milos se reencontram mais de 10 anos depois, chegam à conclusão que Forman nunca recebeu o livro já que o mesmo foi confiscado pela Alfandega Checa, resultado: o filme foi realizado pelo mesmo Formam 13 Anos depois mas com uma diferença... Nicholson.


Quanto ao filme, passa-se num hospício onde McMurphy (Nicholson) dá entrada fazendo-se passar por louco para fugir à condenação por agressões diversas e abuso de menores ("...she was fifteen going on thirty-five...", desculpa-se). A partir daí o filme é pura genialidade, Forman tem esse hábito que é fazer grandes filmes, consegue-nos deslumbrar com a delicadeza com que nos conta cada cena, é inigualável, consegue através da frieza de um hospício e de uma dúzia de lunáticos que o habitam levar-nos num ápice da emoção à gargalhada. O final é memorável uma verdadeira lição de vida. Forman voltará certamente ao Gostas de Fly.


No meio de tudo isto, Nicholson no seu auge (aliás nunca saiu dele), simplesmente frenético, incendiando cada cena em que entra. Neste filme várias vezes nos questionamos se a loucura de McMurphy é real ou ensaiada, na minha opinião Nicholson nunca o revela.

Danny de Vito, Cristopher Lloyd entre outros compõem o insano elenco com interpretações notáveis. Louise Fletcher interpreta a enfermeira chefe que é o oposto à rebeldia de McMurphy e passa uma das mensagens principais do filme, personifica a opressão, a intransigência a tacanhez...e ao que tudo isso conduz.


Uma imperdível celebração da loucura.


Os Oscares de 1975 foram dominados por este filme, Melhor Actor Principal, Melhor Realizador, Melhor Filme, Melhor Actriz Principal e Melhor Argumento Adaptado (um best seller de Ken Kesey), estreia de um grande Oscarizado em Gostas de Fly, o vídeo abaixo é precisamente Nicholson a receber a devida e merecida estatueta:



segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Gostas De Fly - Futebol - Jornada 11

Fernando Gomes – O Bi-Bota

Eis o maior predador de sempre do futebol português. Aquilo a que os mais antigos chamam de número 9, matador ou avançado centro.
Fernando Gomes era letal. Bastavam 2 metros de espaço na grande área e era seguro que a rede ia abanar. O único que vi que com ele concorreu foi Super Mário Jardel mas, ainda assim, the oscar goes to Fernando Gomes.

Gomes era um animal de área mas era, ao mesmo tempo, um jogador elegante e de fino toque. Tinha apenas 1,74 cm mas jogava de forma soberba no espaço aéreo (JVP é um digno sucessor em termos de técnica de cabeceamento). Com movimentos curtos e rápidos em pequenos espaços de terreno, era incisivo, atacava a bola e conseguia quase sempre a antecipação (já Jardel escondia-se nas costas do defesa, no limite do offside). Tinha o faro do golo e normalmente jogava a um só toque, o do golo.

A sua carreira está intimamente ligada ao FC Porto, o seu clube de coração. Aí jogou durante 13 épocas, em 2 períodos distintos, com um par de épocas de permeio, em Gijon, no Sporting local.
Nessas 13 épocas conquistou, a título colectivo, 5 Campeonatos Nacionais, 3 Taças Portugal, 4 Supertaças, 1 Taça Campeões Europeus, 1 Supertaça Europeia e 1 Taça Intercontinental.
Mas a título individual não fez por menos: venceu 6 vezes a chamada Bola de Prata para o melhor marcador do campeonato nacional e consegui 2 Botas de Ouro para o melhor marcador da Europa (daí a alcunha do Bi-Bota). Foi o primeiro português após Eusébio (agora há também Cristiano Ronaldo) e ainda é o único lusitano a vencer o prémio por 2 vezes.
E ainda conquistou a filha de José Maria Pedroto, o treinador....Era ou não letal?

Mas como todas as histórias de Super Heróis, há sempre uns vilões que os tentam destruir. E nesta ele também existiu. Em 1989, Tomislav Ivic (sim, o mesmo que pediu para encurtar o relvado da Luz 2 ou 3 metros em cada lado antes de um jogo com o Salgueiros, para o Benfica pressionar melhor), coadjuvado pelo mítico Octávio Machado, declarou “Gomes Finito!”.
Mas Gomes não concordou e com o brio que sempre se lhe reconheceu durante anos a fio como capitão dos azuis e brancos, foi á procura de outras redes com quem conversar. Encontrou-as em Alvalade e, já com 33 anos, em 2 épocas de leão ao peito, fez 30 golos em 63 jogos no Campeonato...Para croata ver, como diz o povo. (ah, é verdade, esse jogo com o Salgueiros terminou 0-0, como é óbvio).

Remato com 2 pequenos vídeos que não lhe fazem a mínima justiça (o Youtube devia ter surgido 10 anos mais cedo) mas, se quiserem saber como era um golo à Fernando Gomes, vejam o golo de Nuno Gomes ao Nápoles (bónus track). Troquem a camisola vermelha por uma azul e branca, troquem o Nuno pelo Fernando (by the way, Nuno é Gomes no meio futebolístico em homenagem ao nosso herói desta semana), e troquem o Carlos Martins pelo Jaime Magalhães e...voilá!

Afinal estamos a falar de alguém que no campeonato nacional, em 405 jogos, fez 318 golos, ou seja, uma média de 0,78 golos por jogo... Números só de matador, para quem, e passo a citar uma célebre frase sua, “Marcar um golo é como ter um orgasmo”.






quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Portugal – Albânia, pequena dissertação filosófica

Aquilo de ir a todos os Europeus e Mundiais. Aquilo de chegar longe nas competições. Aquilo de ficar à beira de ser campeão de alguma coisa. Aquilo de sermos temidos como se fossemos a máquina de guerra Germânica em plena segunda guerra. Aquilo de nos respeitarem internacionalmente, inclusive pelos tais Germânicos da máquina de guerra. Aquilo de ganhar jogos fazendo apenas o suficiente. Aquilo de sermos o monstro da eliminação de Ingleses e Holandeses.

Aquilo era, vendo bem, tão pouco português.

Portugal não era aquilo de antes, Portugal é isto de hoje.

Isto de perder tudo em cinco minutos. Isto de tentar compensar a merda que se fez antes. Isto de se desenrascar com aquilo que tem, que normalmente é pouco, nas condições possíveis, que normalmente são más. Isto de ler a lei de Murphy e compreender cada palavra. Isto de acusar tudo e todos por tudo o que aconteceu de mau, e de agradecer a Deus por tudo o que aconteceu de bom.

Isto é o que sempre fomos, e lá nos conseguimos livrar daquilo bem a tempo.

Hoje, finalmente, voltámos a ser Portugal.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Alien


No final da década de 70, a palavra medo ganhou novos contornos na grande tela. Ridley Scott rompe por completo com os filmes de terror da altura, põe de lado os espíritos, demónios e psicopatas e personifica o terror através de uma horda de criaturas jamais vistas na história do Cinema...Alien.
Em 1979 Alien fez a sua 1ª aparição, era aquele tipo de filme que os nossos pais jamais nos deixavam ver, e nós dizíamos "Ahh é só um filme de naves não tem mal, vai-te deitar que eu fico a ver..." e passadas quase duas horas lá íamos nós, todos borradinhos de medo a correr para a cama, a olhar do canto do olho para os cantos escuros do tecto para nos certificarmos que ali não haviam surpresas... aposto que neste momento estão todos a abanar a cabeça e a concordar comigo (cuidado ZA) independentemente da idade, o que demonstra a transversalidade do fenómeno Alien a todas as gerações, é um filme intemporal.

Desde que me lembro já haviam 2 Alien por isso era dose a dobrar.... O 2º filmes da saga - Aliens - é de 1986 realizado por James Cameron, igualmente excelente por isso difícil escolher entre um deles mas pela disrupção ficamos com Alien (o 8º Passageiro). O 3º e principalmente o 4º já são filmes bastante inferiores pelo que apenas merecem a referência. Actualmente a saga foi alargada ao Predador, filmes a anos Luz do misticismo Alien.

Voltando a Alien (e este é que acredito mesmo que não há quem não o tivesse visto, se não viram das duas uma 1 - são uma gaja 2 - parem de ler este post), pela primeira vez o terror era levado à séria num filme de ficção científica, revelando todos os medos que o avanço tecnológico poderia trazer, a história penso que todos conhecem. O dedo de Ridley Scott vê-se no contraste brilhantemente explorado entre a segurança e todo o esplendor da nave Nostromo e a criatura Alien, além do medo são-nos transmitidos outros sentimentos. A sensação de alívio que partilhamos com Ripley quando ela (pensa que) está em segurança é extrema, que quase ansiamos que o filme acabe para o Alien não voltar a aparecer, é quase visceral... Ridley Scott, um dos mais influentes realizadores actuais deu-se assim a conhecer ao Mundo.
A própria criatura é algo de único na história do Cinema e a tensão duplicava quando descobríamos que tinha ácido em vez de sangue e um instinto impiedoso numa forma jamais vista, relembro que estávamos em 1979 e nas versões mais actuais as semelhanças das criaturas com o original são evidentes.

Obviamente que falar de Alien é falar de Signourey Weaver é a linha comum a toda a saga, apesar de todo o sofrimento que os 2 primeiros filmes lhe infligiram, voltou para um 3º e um 4º após ter prometido que não voltaria a fazê-lo (os 11 Milhões de Dólares de Aliens 3 certamente ajudaram), por tudo isso Ellen Ripley tem o estatuto de 8ª melhor personagem de sempre da história do cinema (segundo a Premiere). É a personagem completa, apesar da postura militar e do medo que a consome, em alguns planos mais arrojados de Ridley Scott tem ainda tempo ser sexy, e acreditem que não é pouco.

Actualmente a experiência Alien (principalmente o 1 e o 2) só peca por não poder ser vista como merece, numa sala de cinema com os decibéis aos máximo, completamente às escuras, e as nossas namoradas agarradas ao nosso braço petrificadas de medo (e nós também).

In space no one can ear you scream.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bricó quê?

Apercebi-me hoje, por imposições profissionais, que coisas como cortar madeira, pregar algo a uma parede ou usar alicate à bruta podem ser reduzidas a um termo de nome, e agora atenção, Bricolage. Confesso a minha ignorância quanto a este assunto mas a verdade é que, admitindo a falha, acho-a não só desculpável como até compreensível. Dar um nome tão arrogante, tão chauvinista, tão francês, a uma actividade que tresanda a masculinidade faz-me demasiada confusão. Repeti hoje variadas vezes – “bricolage”… “bri-co-la-ge”... “b-r-i-c-o-l-a-g-e”… – e não consigo deixar de pensar em roupa interior de mulher idosa.
Pior: ao indivíduo que a pratica é comum dar-se o nome de bricoleur. Veja-se bem, bricoleur. Um homem de martelo na mão a partir madeira que nem um animal é um bricoleur. Note-se a comparação das palavras: martelo (sim, esse termo que dá nome ao bonito verbo “martelar”) e bricoleur – como é possível ter as palavras martelo e bricoleur na mesma frase ninguém sabe, mas a verdade é que são praticamente sinónimos.

Já manifestada a minha indignação aproveito para dizer que me recuso a usar bricolage ou bricoleur para definir seja o que for, mesmo que seja roupa interior de mulher idosa, e que acabo de inventar novo conceito. Suprimindo a irritante acentuação francesa, substituindo o efeminado i pelo brutamontes u, e acrescentando um m no final para lhe dar uso corrente, ficamos com algo como Brucolagem. Assim mesmo, de sotaque português bem cavado no Ribatejo: Brucolagem. E quem o pratica passa a ser um Brucalojador em vez daquela paneleirice francófona. Agora sim, posso ter uma pá na mão sem me sentir envergonhado, podendo brucalojar aquilo que bem entender.

Gostas de Fly - Made by Man




Auka Buddha

Localização:
Sri Lanka – (Ceilão foi adotada pelo país até 1972), é um país insular asiático, localizado ao largo da extremidade sul do subcontinente indiano. Tem costas para a Baía de Bengala a leste, Oceano Índico a sul e a oeste, e o Estreito de Palk a noroeste, que o separa da Índia. A sua capital é Sri Jayawardenapura-Kotte (ou simplesmente Kotte), subúrbio da antiga capital Colombo, desde a inauguração do novo edifício do parlamento, em 1982.

O Monumento:
Aukana Buddha é o nome dado a esta magnifica Estátua de 13 metros, representando o Buddha.
A estátua, à semelhança dos monumentos Lankatilaka Vihara e Buduruwagala, e de muitas outras pelo Mundo fora, tenta representar os poderes sobrehumanos e transcendentais do Buddha.
É neste momento uma das mais altas estátuas do Buddha (talvez a maior), depois de Bamiyan (Afeganistão) ter tido todas as suas destruidas.
A estátua foi escupida numa única rocha, à qual ainda se encontra ligada, quase imperceptivelmente pela parte traseira.
Diferentemente de outras estátuas erigidas pela ilha, que se encontram na posição “Abhaya Mudra” (não temer nada), Aukana Buddha, encontra-se numa posição de “Asisa Mudra”, ou seja numa posição de “abençoar o visitante”. Essa posição caracteriza-se pela mão direita (a que representa nas Estátuas de Buddha o objectivo ou acção) na posição de abençoar, e a mão esquerda numa posição de segurar o robe como se fosse para passar um rio (simbolizando o Ciclo de Re-Nascimento).
A expressão é duma serenidade extraordinária, e do seu cabelo caracois de chamas emergem, identificando a “siraspata” significando “the ultimate enlightenment”, ou seja o alcançar do UNO Espiritual.

História:
A estátua foi descoberta por Sir James Emerson Tennent, em 1850, enquanto percorria as florestas locais seguindo trilhos de elefantes asiáticos.
A sua edificação remonta do Séc. 5, do Reino do King Dathusena (459-477 AD).
Perto de Aukana Buddha, apenas a 9 Km de distância fica uma outra Estátua semelhante, em Sasseruva. Acredita-se que ambas as estátuas foram construidas em simultaneo por um escultor e pelo seu aprendiz. Diz-se que teria havido uma competição entre os dois, e que o assinalar do final da competição coincidiria com o final da construção da primeira estátua. O escultor terminou primeiro, o que fez com que a estátua do aprendiz ficasse até hoje incompleta.
Hoje, após centenas de anos da sua construção ainda se pode ver os monges budistas, oferecerem ramos de flores apanhadas de manhã e oferecerem à estátua, juntamente com os primeiros raios de sol.
Uma das cerimonias locais mais lindas, é a procissão das crianças, que saem da vila local, subindo o monte até ao complexo onde se encontra a estátua.
Ao longo dos anos, o templo em que a Estátua se insere, tem se vindo a revestir de importância cultural da comunidade usando-a (ou às zonas do Templo) como escolas e locais de aprendizagem.
A estátua representa o Budismo no Sri Lanka. Religião essa que chegou à ilha proveniente da India algures no Séc.III BC, e ficou como religião principal adoptada pela população desde o primeiro grande rei do Sri Lanka, o Rei Anuradhapura.

Curiosidades:
- Aukana significa “Sun eating”, ou “Comendo o Sol”, tentando ilustrar os maravilhosos nascer e pôr do Sol sob a estátua e os efeitos produzidos pelos reflexos.
- É crença local que a Estátua está construida com tal pericia, engenho e objectivo, que em dias de chuva, a pingueira formada pela agua que cai do nariz da estátua, cai precisamente no meio dos dedos dos pés da Estátua.
- Tão admirada pelos habitantes do Sri Lanka, que várias replicas em tamanho menor foram erigidas em vários pontos da ilha.
- É a única estátua do País que, com regularidade, merece honras de estado, quando recebe Homens de Estado quer do Sri Lanka quer estrangeiros.
- Ao se chegar, tem-se uma recepção extremamente calorosa pelos monges locais, professores, alunos … que frequentam o Templo. O povo local é extraordináriamente amável para com os forasteiros.
- É um sitio calmo, e que não recebe muitos turistas ainda, pelo que apresenta-se como um local turistico tranquilo e sereno.
- A estátua foi erigida na mesma altura que o Lago Kala Wewa (lago ou tanque artificialmente criado nas redondezas) foi criado e crê-se que em certas alturas os olhos da Estátua estão ao mesmo nivel da agua do mesmo.

Best time to see:
- A melhor altura para visitar esta maravilha arquitectonica, é ao raiar do dia, quando os primeiros raios de sol nascem do Este, e criam um cenário extraordinário.
- A descrição da estátua feita no livro “The Handbook for the Ceylon Traveller”:
“The best time of day to view this statue is dawn. The first rays of morning sun bring out the rich hues of the rock image and makes it seem to come alive against the deep green of the trees beyond. As the sun rises higher it reveals the serenity of the exquisitely carved face: rising higher still, the sunlight picks out the gracefully carved robe, each pleat of which is a triumph of art.”

Recomendações:
- Dependendo da altura do ano, vestir roupa adequada ao calor ou chuva, mas ter sempre atenção para vestir de forma modesta, sem grandes ostentações. (isto aplica-se também na maior parte dos templos e locais sagrados do Sri Lanka)

Manic Street Preachers - Motorcycle Emptyness

Em 1991 Gales deu ao mundo uma das bandas mais politizadas da história rock. Esteticamente glam e musicalmente entre o air rock e o punk visceral dos Sex Pistols, os Manic Street Preachers tinham tudo para ser polémicos. Richey James, apesar de não ser vocalista e de a sua perícia na guitarra ser muitas vezes troçada nos bastidores, sobressaía-se como ícone da banda – exímio letrista, instável e desequilibrado, ficou conhecido por se auto-flagelar numa entrevista quando questionavam quão autênticos eram realmente os MSP.Em 1992 sai o debutante Generation Terrorists e músicas como You Love Us ou Motorcycle Emptyness começam a chegar às rádios. Por trás do inegável tacto em construir grandes canções rock escondem-se letras altamente subversivas. O álbum é um panfleto de retórica esquerdista e um autêntico regicídio na monarquia do Reino Unido – “repeat after me, fuck Queen and country/ repeat after me, death sentence heritage”. Faixa atrás de faixa disparavam contra o establishment, fosse ele o capitalismo, a apatia das massas, as marcas, a publicidade, a religião ou a coroa Britânica. A crítica gostou da ousadia e recebe-o bem. O hype estava criado pressionando os MSP a voltarem atrás na sua promessa de acabarem com a banda a seguir ao primeiro álbum ser lançado.Seguiu-se Gold Against the Soul, seguimento previsível do primeiro disco, menos inspirado e mais acomodado que o antecessor, mesmo assim mostrando aqui e ali um novo lado dos MSP, mais sinfónico, que seria trabalhado em anos futuros. O que dava que falar, contudo, não era o novo álbum: as fissuras existentes na banda tornaram-se evidentes demais - Richey James estava cada vez mais reduzido ao que sobrava de si próprio, Nicky Wire fazia questão de soltar tiradas inconvenientes dia sim dia não e a banda tocou com apenas três elementos durante grande parte da sua tour (a falta de comparência vinha, claro, da parte de Richey James).Em 1994 chegou Holy Bible, ainda hoje considerado por muitos como o melhor álbum gravado pelos MSP. Holy Bible carregava todo o desencanto que Generation Terrorists tinha mas extremou-o lírica e musicalmente. Goste-se ou não, foi o álbum bomba dos MSP, as guitarras estavam mais ríspidas que nunca e as letras totalitariamente radicalizadas. É, provavelmente, o disco mais furioso e desacreditado da década de 90. Richey explicou tudo o que sentia por lá: versos como “childhood pictures redeem, clean and so serene/ see myself without ruining lines”, “these sunless afternoons I can’t find myself” ou “he's a boy, you want a girl, so tear off his cock, tie his hair in bunches, fuck him, call him Rita if you want” anunciavam o que estava para vir. A promoção do álbum nos Estados Unidos estava próxima mas antes disso Richey James volta a ser notícia pela última vez. A 1 de Fevereiro de 1995 desaparece, tendo o carro sido encontrado junto a uma ponte perto de Bristol, famosa pelos suicídios que recebe. Pouco tempo depois Richey foi considerado morto, embora o seu corpo nunca tenha sido encontrado. A banda ficou devastada com a notícia e temeu-se o seu fim. Para a grande maioria dos fãs, e possivelmente também para os três restantes membros, os Manics deixariam de ter sentido sem Richey que era visto como a alma e o cérebro do grupo – mesmo tendo em conta a sua limitada capacidade musical, a verdade é que era ele que encabeçava toda a raiva política e social conhecida nos MSP. Sean Moore, o pouco mediático baterista da banda, definiu-o da melhor forma, intitulando-o como o seu ministro da propaganda.Mas James Dean Bradfield, que de todos os elementos sempre foi o mais músico, assegurou a continuidade do, agora, trio. Poucos meses depois voltaram a reunir-se para compor novos temas. Agarraram em antigas letras de Richey James, juntaram novas de Nicky Wire e James Dean Bradfield encarregou-se de construir canções rock de tom épico. O resultado foi Everything Must Go (não é preciso mencionar a quem é que o título era dirigido), o álbum que pôs os Manic Street Preachers como estrelas internacionais. Além do aplauso da crítica e das vendas astronómicas que teve, Everything Must Go coleccionou prémios pelo mundo fora. Ainda assim, não se livraram de ser acusados de vendidos pelos fãs de primeira hora, ainda revoltados pela perda do seu elemento mais combativo.E foi a partir deste momento, pós Richey James, que os MSP deram inicio a uma nova fase. É verdade que a veia política está lá e sempre estará, mas estes Manics, os de hoje, estão já muito longe da fúria Marxista de 90. De Everything Must Go (1996) até Send Away The Tigers (2007), os três Galeses envelheceram, amainaram, serenaram e começaram a dar mais importância ao detalhe melódico que à luta política pura e dura. This Is My Truth Tell Me Yours (1998) é paradigmático nesse aspecto: canções calmas, melodiosas e introspectivas, quase caseiras. Mesmo Know Your Enemy (2001), que dos últimos discos é visto como o mais activista, alinha a sua forte posição política com um discurso bem mais leve, ou pelo menos não tão chocante, que as primeiras obras da banda. Ainda houve tempo para prestar uma interessante homenagem aos 80’s dos New Order quando lançaram Lifeblood, em 2004. E agora temos este Send Away The Tigers, acabado de sair, e com um single fresquíssimo de nome Your Love Alone Is Not Enough a dizer-nos que eles estão para durar.

Sean Moore disse que de três em três discos os MSP fazem um álbum de ruptura. Foi assim com Holy Bible, foi assim com Know Your Enemy e, se as contas não me falham, será assim com o próximo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Gosta de Fly - Futebol - Jornada 10

Walter Zenga – O Homem Aranha

Para quem depois viu Preud-Homme, Schmeichel, Baía ou Buffon, pode agora já nem ter Walter Zenga como um dos eleitos mas o certo é que, entre a 2ª metade da década de 80 e a 1ª metade da década de 90 foi, literalmente, o Maior.

Com uma envergadura perfeita para posição (1,88 cm) e com os atributos da grande escola italiana de guarda-redes (vidé Zoff, Tancredi, Peruzzi, Pagliuca, Buffon...), Zenga tinha uma grande colocação entre os postes, dominava bem o espaço aéreo, era ágil e um verdadeiro líder. A tudo isso, juntava ainda toda a postura de um italiano vero: elegante, vaidoso, com cabelo à ponta de lança e sempre de meia preta a condizer com o calção e a bota. Era o meu GR.

Começou nas divisões secundárias e chegou ao Inter em 1982, agarrando a titularidade na 2ª época em San Siro, para ser o rosto da baliza interista até 1994. Jogou ainda 2 épocas na Samp e 1 na Pádova, terminando a carreira nos states ao serviço nos New England Revolution.

Durante a sua estada no Inter, Zenga, mais que ganhar títulos (1 Scudetto e 2 Taças UEFA), ganhou o coração e o respeito dos tiffosi, o que foi bem expresso há umas semanas atrás quando, como treinador do Catania, regressou pela primeira vez a San Siro e foi alvo de uma estrondosa homenagem com uma tarja que dizia somente W 1 Z - Walter Zenga o Nº1.
Mas o reconhecimento não foi só em Itália já que foi 3 vezes consecutivas, 89, 90 e 91, eleito o melhor GR do mundo.

Já na Squadra Azzurra, foi dono e senhor a partir do Euro 88 mas o momento alto aconteceu no Mundial de 90, realizado precisamente em Itália. A minha Itália fez um início de prova fantástico e chegou até às Meias Finais sem sofrer um único golo. Zenga esteve 517 minutos sem sofrer um golo o que, ainda hoje, é recorde em fases finais de Mundiais. Só que, no início da 2ª parte, Caniggia (até com algumas responsabilidades de Zenga) decidiu terminar com o recorde e mudou a história anunciada, restabelecendo a igualdade e levando o jogo até ao desempate por grandes penalidades onde o herói viria a ser o GR argentino Goycochea.
A Itália ficou pelas meias finais sem perder um único jogo e tendo sofrido apenas um golo. O Futebol é ingrato...ás vezes até para os italianos.

Abaixo, deixo-vos um brevíssimo vídeo do referido tributo prestado pelos tiffossi nerazzuri e uma compilação de grandes momentos de Walter Zenga.




quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Nome da Rosa


Dizer que a adaptação ao cinema da famosa obra de Umbeco Eco - O Nome da Rosa - comete a proeza de conseguir acrescentar algo mais a um livro por si só notável, mostra toda a dimensão deste filme.

Relembro, pois não acredito que não haja quem não o tenha visto, que a história começa com uma estranha morte que assola uma abadia beneditina em pleno século XIV Italiano. Mas não é só pela penumbra de crime e mistério que envolvem este filme que ele é notável, é a turba entre a fé e a tentação, a crítica à pobreza e opulência do clero, a mão manipuladora e cruel da Inquisição, a mesquinhez cega das crenças...épico.

Cunhando o filme de uma forma única, o intocável Sean Connery, interpretando o papel de William of Baskerville, um monge Franciscano que ao jeito de Sherlock Holmes é chamado para resolver os mistérios que envolvem as mortes, fazendo-se acompanhar do seu aluno Adso (um dos primeiros papéis de Christian Slater).

Este é um dos primeiros pós James Bond de Connery que praticamente definiu a bitola do resto da sua carreira, é sem duvida um papel "Tailor-Made" para Sir Connery. De destacar ainda as interpretações de F. Murray Abraham no papel do Inquisidor Bernardo de Guy e a tendência de Ron Pealman para interpretar personagens menos convencionais - basta achar o ponto comum entre Salvatore, o Monstro Vincent (da série de TV Bela e o Monstro), Hellboy ou Sayer of the Law (Ilha do Dr. Moreau).

O filme é de 1986 e é brilhantemente realizado pelo Francês Jean-Jacques Annaud, que alguns de vós conhecerão de Inimigo às Portas e muitos de vós de 7 Anos no Tibete.

Desafio-vos assim rever ou ,admitindo que haja alguém que nunca viu, a ver este clássico. Consta nos meus filme preferidos de todos os tempos, rodando várias vezes desde o velhinho VHS até ao DVD. É simplesmente imperdível, pela história, pela época, pelo mistério... Ah! e tem a Rosa...


Fica o trailer: