Rabah Madjer – O Artista
Em 1986, então já com 28 anos, chegou aos nossos relvados e ao do estádio das Antas em particular, aquele que é considerado, juntamente com o peruano Cubillas (nunca vi jogar), o melhor estrangeiro de sempre do FCP.
Depois de começar a carreira na sua Argélia natal, entrou no velho continente pela porta pequena, em 2 modestos clubes franceses: o RC Paris (que viria a depois a ficar mais conhecido enquanto Matra Racing de Paris) e o Tours. E foi aí que o Porto o descobriu. Para mal dos rivais lisboetas para o bem de todos os amantes do futebol.
Madjer era um avançado moderno (para utilizar uma expressão de Quique Flores), com velocidade, inteligência, que jogava preferencialmente sobre as faixas. Misturava o perfume do futebol africano com a competitividade mais europeia. Jogador elegante e de fino recorte técnico, jogava de forma sublime com qualquer dos pés...e em qualquer piso.
Quem não se lembra do golo na final da Taça Intercontinental, em Tóquio, num relvado completamente coberto de neve? E não foi um golo qualquer. Foi uma chapelada como se tivesse em pleno relvado. Digamos que foi a sequela da magia começada em Viena, na final da Champions frente ao Bayern, a tal que ficou conhecida como “aquela do calcanhar do Madjer”. O 2º calcanhar mais conhecido da história. Soberbo.
Em 2 finais das mais importantes da história do FCP “o Artista” esteve nos 4 golos, 2 assinou em nome próprio e os outros 2 deixou para que Juary e o grande Fernando Gomes também tivessem o seu lugar na história.
Partiu da Invicta rumo a Valência já com 30 anos mas as coisas não correram particularmente bem, regressando à casa azul branca para mais 3 anos de sucesso.
Também no seu país é idolatrado. Pela selecção, jogou 14 anos, de 78 a 92 e esteve presente em 2 fases finais de Mundiais (82 e 86). Foi considerado o melhor jogador argelino de todos os tempos, o melhor jogador africano do século juntamnete com Roger Milla) pela União de Futebolistas Africanos e o 5º melhor pela IFFHS.
Deixo-vos com 3 imperdíveis vídeos, uma espécie de homenagem a Madjer com Tesourinhos Deprimentes. Senão vejamos: teremos o calcanhar em Viena pela voz de um ainda imberbe Miguel Prates e o ainda lúcido Ribeiro Cristóvão; o resumo desse mesmo jogo (sem o golo de Madjer ???) comentado por Sua Alteza Gabriel Alves e com declarações de um Artur Jorge ainda com cérebro e farfalhudo bigode; e, finalmente, o resumo da gelada final da Intercontinental com comentários do Bi-Bota Fernando Gomes. Abençoado Youtube
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
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4 comentários:
Chamo a atenção para os 2:38 do 2º vídeo, o nó que o Madjer dá ao alemão para oferecer o 2º golo ao Juari. Reza a lenda que esse defesa ficou com os olhos tortos...
Este jogador traz-me à memória o domínio absoluto do FCP do final dos anos 80 e anos 90, o que não é nada agradável. Apesar daquele espírito tripeiro (lembro-me de uma entrada a matar ao Douglas em Alvalade que nem falta foi marcada), era de uma qualidade que não pode ser posta em causa. Um jogador completo.
Excelente post FF.
Se o do Madjer é o 2º calcanhar mais famoso do mundo futebolistico, qual é o primeiro?
Belo jogador. uma pena que não tivesse vestido de verde e branco.
LL
"...já não há capacidade de penetração nas linhas traseiras do FC Porto..."
Aí está ... o grande Gabriel Alves no seu melhor.
Devo dizer sinceramente que este jogador nunca me atraiu muito .... talvez, por ser adepto do Benfica... não sei.
No entanto, tenho de me render às evidências e admitir que este jogador foi, sem duvida um marco para o FC Porto ... um marco para o Futebol Português ... um Marco para o Futebol Mundial.
Mais um belo Post de FF.
De qualquer forma, queria deixar umas linhas também dedicadas, não só aos restantes colegas de equipa de Madjer (e que equipa forte que era), aos dirigentes do FC Porto (que para o bem ou para o mal, estiveram lá), e para esse gentleman do futebol mundial, muitas vezes incompreendido, que dá por nome de Artur Jorge.
A minha unica magoa é que tal como AJ diz e bem no rescaldo da final da LC, como treinador tem de rectificar as coisas que estão mal, que não o tenha conseguido fazer no ninho da Águia, alguns anos mais adiante.
Caro LL, é o 2º mais conhecido da história, não somente do meio do pontapé na bola. é o 2º pq o 1º é o do Aquiles, o do Teaser...mas, se quiseres, e só pq é para ti, o 1º pode ser o do Djaló contra o Trofense (foi Trofense, não foi?)
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