terça-feira, 2 de dezembro de 2008

ChinChén Itzá ... !!


Quando em Setembro de 2005 me meti num avião a caminho da minha lua-de-mel, nas paisagens paradisiacas de Cancun, México, jamais me passaria pela cabeça a fascinante viagem no tempo na qual iria embarcar.

Como que competindo pela atenção dos turistas (europeus e muitos americanos), com o morno e dócil mar do Golfo do México, encontram-se a poucas centenas de Kms de Cancun, os ultimos vestigios do que outrora foi uma cidade duma das civilizações mais intrigantes e fascinantes da História da Humanidade ... as Ruinas de ChiChén Itza do Império Maia.

É um local mágico, e quase que se consegue cheirar a História. Posso afirmar que foi um privilégio pisar o mesmo chão que 1500 anos antes fora pisado por milhares de guerreiros maias, sacerdotes toltecs e por resmas de virgens para serem sacrificadas.

ChinChén Itza, numa tradução um pouco arcaica, significa “A Boca do Poço de Itzá”, numa clara alusão ao famoso Cenote dos Sacrificios usado pelo povo de Itzá. Os Cenotes, são poços ou buracos naturais que correspondem a respiradoros das inumeras cavernas na sua maioria inundadas que recortam e minam todo o terreno naquela zona do Yucatão.
O Cenote dos Sacrificios, um dos pontos altos do complexo. Ligeiramente afastado do centro do complexo, era o local onde, supostamente, eram feitas as oferendas aos deuses em alturas de seca, sob as formas de peças de joalharia, pedras preciosas e donzelas (virgens ou não, só mesmo o Deus da Agua o saberá dizer). Segundo a História desses rituais, as donzelas eram atiradas vivas para dentro do poço, sendo no entanto, facultada a opção de beberem uma poção antes para “suavizar” a descida ... (pessoalmente acho que haveriam maneiras melhores de sacrificar uma donzela, ... ainda por cima virgem ... mas enfim …)

No entanto, o ponto forte do complexo é sem duvida a Pirâmide de Kukulcan. Situada no Centro de ChinChén Itza, situa-se a imponente construção de perto de 25 metros de altura e 60 metros de diâmetro. Parece que não, mas é alta comó catano … e a vista lá de cima é brutal … quase que jurava que conseguia ver a minha casa lá de cima …
É impressionante a inclinação da Pirâmide, com degraus bem pequeninos, onde mal cabia o meu 41 de lado ... O que vem lançar a suspeita que FF descende dos Maias ...
(aliás, deixem-me colocar-vos um desafio: “Sabem porque é que os mexicanos são um povo baixinho?”)
Toda a estrutura da pirâmide, na qual a escadaria lateral tem um total de 365 degraus, correspondendo aos dias do ano (perdi-me na contagem algures entre os degraus 83, 84 ou 85) assenta em profundas regras matemáticas, e é impressionante como eles já a usavam para coisas tão elaboradas como para a agricultura e astronomia.
A Pirâmide foi construida de forma tal, que em determinados dias do ano o sol bate nas suas paredes de determinado angulo que as sombras que projecta no chão anunciam o final da estação. E assim os Maias já possuiam um esboço mais ou menos complexo das estaçoes do ano, e usavam-nas efectimanente para a obtenção das melhores colheitas durante todo o ano.

Não gostava, no entanto de terminar este texto sem mencionar um outro espaço do complexo repleto de misticismo e de História. O Campo dos Jogos.
Aqui eram disputados jogos dum desporto que era um misto de futebol e basketball. O objectivo de ambas as equipas era introduzir uma bola numa espécie de cesto invertido com o auxilio do que pode ser descrito como uma “concha de pele”. Era um desporto brutal, muito à semelhança das equipas orientadas por Jaime Pacheco, no qual eram frequentes haver lesões graves … mas, no entanto o melhor vinha para o fim … no entanto, neste ponto as opiniões dos historiadores dividem-se. Enquanto uns acham que no final do jogo, a equipa derrotada era sacrificada, uma outra corrente de opinião mais recente afirma que o capitão da equipa vencedora era sacrificado pois com a vitória no jogo ficava a ideia de que era um individuo de extremo valor, e seria uma oferenda melhor a dar aos Deuses.

Outros pontos de interesse são, , o Muro das Caveiras, Templo de Venus, Templo dos Guerreiros, Templo do Jaguar … e o Restaurante Pavarotti.

Em modos de conclusão, gostaria de dizer que muito mais haveria para dizer sobre ChinChén Itzá, e sobre o extraordinário povo que nela habitou … mas que uma certeza subsiste a todos quantos por lá passam ... é um local carregado de magia e misticismo.

Aproveito para deixar um desafio … Já pensaram onde querem ir nas vossas próximas férias?

7 comentários:

FN disse...

Muito bem! Muito lúdico... aprendi muita coisa. 1º descobri que o nosso Nando é um ex-Maia. Agora para ofender alguém posso sempre dizer "havias de ser atirado para um Cenote".

Um excelente post desvirginado por Paulo Silva.

Anónimo disse...

Epah, grande post pá! momentos bastante divertidos, sobretudo na descrição do desporto rei.

Cenote de história, este Paulo Silva, pá!

... disse...

Muito bom. Não só aprendi bastante como senti, aqui sim, o coração de Paulo Silva a debitar cultura e emoção. Não uma mera narração mas uma vivência muito pessoal.
México é ainda uma lacuna nos meus destinos de férias mas assim já posso meter umas colheradas em alguma conversa de ocasião mesmo sem tirar daqui os pés.
Paulo Silva: el PinkY Gonzalez!

PS: desde que o Sam nos deu a conhecer o Maya, senti parecenças comigo; agora está explicado

Anónimo disse...

Bravo Paulo.

Abraço,

RBF

Anónimo disse...

E já agora, pela descrição, os sacrificios usados pelos Maias não variavam muito dos feitos por povos indo-europeus. Pelos vistos eles faziam-nos com virgens, nós (celtas, germanicos, normandos, etc...) com animais.

RBF

Anónimo disse...

Parabens Paulo,
Gostei da rubrica com um cunho pessoal.
Apenas acho que o texto fala em excesso dos sacrificios. Deverias ter enfatizado mais as qualidades desse povo (na minha opinião, fazer sacrificios não é uma qualidade).

Abraço

LL

Rui Caetano disse...

Excelente. mas ainda não pensei.