quarta-feira, 6 de maio de 2009

GDF - Futebol - Jornada 25

Paul Gascoigne – Crazy Football

Quando alguém com o estatuto e méritos reconhecidos como Sir Alex Ferguson confessa que o maior erro da sua carreira foi não ter contratado Gascoigne ao Newcastle, então com 21 anos, parece-me um excelente certificado de qualidade, uma ISO 9001. Dizia o técnico escocês “we gotta have this boy, is the best I’ve seen for years and years”.
Já nessa altura, Sir Alex estava certo. Desde o tempo de Bobby Charlton que não se viu um futebolista que encantasse e criasse tanto euforia no reino de sua Majestade. Nem mesmo Keegan conseguiu criar tanta excitação. E entre Charlton e os recentes casos de Beckam, Lampard, Gerard e Rooney, creio poder afirmar que Gascoigne foi o melhor jogador inglês desses 30 anos.

Olhando para o seu currículo a nível de clubes (Newcastle, Tottenham, Lazio, Rangers, Boro, Everton, Burnley e algum exotismo asiático) e a nível de títulos colectivos (1 FA Cup, 2 Scotish Leagues, 1 Scotish Cup e 1 Scotish League Cup) isso não é comprovável mas, a marca que deixou em todos aqueles que gostam de futebol, essa vai para além dos “canecos”. Fica para todo o sempre e na memória de cada um. Como diria António Oliveira “quem não viu, não volta a ver”.

Gascoigne era um jogador electrizante, de alta voltagem, de elevada rotação. Apesar de um talento LP, nas velhinhas aparelhagens teríamos que o ouvir com um single, em 45 rotações. O seu futebol era a extensão da sua personalidade, louca, imprevisível, insconsciente, com tudo o que isso tem de positivo e negativo. Se estamos perante um jogador que, se nem ele tem ideia do que vai fazer a seguir, então como será possível antecipar o movimento e contrariá-lo. Esqueçam as observações e os relatórios sobre os adversários. A lógica não será uma batata mas um louco inglês com fogo nas botas e corrente eléctrica por todo o corpo. Um médio todo o terreno, com velocidade, capacidade de drible, condução de bola e remate de meia distância com ambos os pés. Um rompedor mas também organizador e cobrador de bolas paradas. Sprint, drible, tackle, pressing, tudo a 100 à hora.

O Mundial de 90 foi talvez o seu ponto mais alto, antes de todas as lesões que condicionaram a sua ida para a Lazio e a restante carreira (em 91 sofre uma grave lesão nos ligamentos cruzados e um ano depois, quando começava a voltar a jogar, fractura num treino a tibia e o perónio). Carregou a selecção inglesa até ás meia finais, onde viria a perder frente à Alemanha no desempate por grandes penalidades. Mas o que mais ficou desse jogo não foi o resultado final, foram as lágrimas, em pleno relvado, que Gascoigne verteu quando foi admoestado com o cartão amarelo que o afastava da final, assim a Inglaterra lá chegasse. São imagens inesquecíveis, que correram mundo, ao nível das de Eusébio no Mundial de 66.
Era a Gazzamania no seu auge, assim descrita por LF Lobo, “finalmente a Inglaterra tinha um jogador capaz de tirar o fôlego a toda uma nação que tradicionalmente contêm as suas emoções. Com ele, a “velha albion” exultou, sofreu, riu, chorou e descobriu que o futebol dos tempos modernos é paixão, génio, noite e dia, crespúsculo e alvorada, tudo ao mesmo tempo, durante noventa minutos”.

Tento retratar todos estes capítulos e convertê-los a esta causa, através de 3 vídeos: pelas palavras de Sir Alex Ferguson, pelos olhos do amante do futebol e pelo coração do povo inglês.






2 comentários:

FN disse...

Lendo o teu post, vendo os vídeos e puxando um pouco pela memória, Gazza deve ser dos últimos românticos do Beautiful Game. Jogava sempre na raça, apesar de ter aquele ar de Bully amava as camisolas com que jogava, celebrava os golos como se fossem finais, chorava em campo de desgosto e no final ganhou muito pouco para o que valia.

A atitude dele faz-me lembrar os Grandes Tenistas pré Lendl (na onda do Borg, Mc Enroe, etc), eternos boémios que quando entravam no court espalhavam magia, apesar de não terem feito um único treino por semana, eram predestinados.

Grande post... Mais um.

Fatassa disse...

Epah que grande jogador, aquele golo contra a escocia foi qq coisa de espectacular! Deixava tudo o que tinha no campo. Vendo os videos lembrei-me de muitos dos golos que viamos aos domingos à noite.

Este GDF é dos melhores de todos os tempos.