quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Portugal – Albânia, pequena dissertação filosófica

Aquilo de ir a todos os Europeus e Mundiais. Aquilo de chegar longe nas competições. Aquilo de ficar à beira de ser campeão de alguma coisa. Aquilo de sermos temidos como se fossemos a máquina de guerra Germânica em plena segunda guerra. Aquilo de nos respeitarem internacionalmente, inclusive pelos tais Germânicos da máquina de guerra. Aquilo de ganhar jogos fazendo apenas o suficiente. Aquilo de sermos o monstro da eliminação de Ingleses e Holandeses.

Aquilo era, vendo bem, tão pouco português.

Portugal não era aquilo de antes, Portugal é isto de hoje.

Isto de perder tudo em cinco minutos. Isto de tentar compensar a merda que se fez antes. Isto de se desenrascar com aquilo que tem, que normalmente é pouco, nas condições possíveis, que normalmente são más. Isto de ler a lei de Murphy e compreender cada palavra. Isto de acusar tudo e todos por tudo o que aconteceu de mau, e de agradecer a Deus por tudo o que aconteceu de bom.

Isto é o que sempre fomos, e lá nos conseguimos livrar daquilo bem a tempo.

Hoje, finalmente, voltámos a ser Portugal.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Alien


No final da década de 70, a palavra medo ganhou novos contornos na grande tela. Ridley Scott rompe por completo com os filmes de terror da altura, põe de lado os espíritos, demónios e psicopatas e personifica o terror através de uma horda de criaturas jamais vistas na história do Cinema...Alien.
Em 1979 Alien fez a sua 1ª aparição, era aquele tipo de filme que os nossos pais jamais nos deixavam ver, e nós dizíamos "Ahh é só um filme de naves não tem mal, vai-te deitar que eu fico a ver..." e passadas quase duas horas lá íamos nós, todos borradinhos de medo a correr para a cama, a olhar do canto do olho para os cantos escuros do tecto para nos certificarmos que ali não haviam surpresas... aposto que neste momento estão todos a abanar a cabeça e a concordar comigo (cuidado ZA) independentemente da idade, o que demonstra a transversalidade do fenómeno Alien a todas as gerações, é um filme intemporal.

Desde que me lembro já haviam 2 Alien por isso era dose a dobrar.... O 2º filmes da saga - Aliens - é de 1986 realizado por James Cameron, igualmente excelente por isso difícil escolher entre um deles mas pela disrupção ficamos com Alien (o 8º Passageiro). O 3º e principalmente o 4º já são filmes bastante inferiores pelo que apenas merecem a referência. Actualmente a saga foi alargada ao Predador, filmes a anos Luz do misticismo Alien.

Voltando a Alien (e este é que acredito mesmo que não há quem não o tivesse visto, se não viram das duas uma 1 - são uma gaja 2 - parem de ler este post), pela primeira vez o terror era levado à séria num filme de ficção científica, revelando todos os medos que o avanço tecnológico poderia trazer, a história penso que todos conhecem. O dedo de Ridley Scott vê-se no contraste brilhantemente explorado entre a segurança e todo o esplendor da nave Nostromo e a criatura Alien, além do medo são-nos transmitidos outros sentimentos. A sensação de alívio que partilhamos com Ripley quando ela (pensa que) está em segurança é extrema, que quase ansiamos que o filme acabe para o Alien não voltar a aparecer, é quase visceral... Ridley Scott, um dos mais influentes realizadores actuais deu-se assim a conhecer ao Mundo.
A própria criatura é algo de único na história do Cinema e a tensão duplicava quando descobríamos que tinha ácido em vez de sangue e um instinto impiedoso numa forma jamais vista, relembro que estávamos em 1979 e nas versões mais actuais as semelhanças das criaturas com o original são evidentes.

Obviamente que falar de Alien é falar de Signourey Weaver é a linha comum a toda a saga, apesar de todo o sofrimento que os 2 primeiros filmes lhe infligiram, voltou para um 3º e um 4º após ter prometido que não voltaria a fazê-lo (os 11 Milhões de Dólares de Aliens 3 certamente ajudaram), por tudo isso Ellen Ripley tem o estatuto de 8ª melhor personagem de sempre da história do cinema (segundo a Premiere). É a personagem completa, apesar da postura militar e do medo que a consome, em alguns planos mais arrojados de Ridley Scott tem ainda tempo ser sexy, e acreditem que não é pouco.

Actualmente a experiência Alien (principalmente o 1 e o 2) só peca por não poder ser vista como merece, numa sala de cinema com os decibéis aos máximo, completamente às escuras, e as nossas namoradas agarradas ao nosso braço petrificadas de medo (e nós também).

In space no one can ear you scream.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bricó quê?

Apercebi-me hoje, por imposições profissionais, que coisas como cortar madeira, pregar algo a uma parede ou usar alicate à bruta podem ser reduzidas a um termo de nome, e agora atenção, Bricolage. Confesso a minha ignorância quanto a este assunto mas a verdade é que, admitindo a falha, acho-a não só desculpável como até compreensível. Dar um nome tão arrogante, tão chauvinista, tão francês, a uma actividade que tresanda a masculinidade faz-me demasiada confusão. Repeti hoje variadas vezes – “bricolage”… “bri-co-la-ge”... “b-r-i-c-o-l-a-g-e”… – e não consigo deixar de pensar em roupa interior de mulher idosa.
Pior: ao indivíduo que a pratica é comum dar-se o nome de bricoleur. Veja-se bem, bricoleur. Um homem de martelo na mão a partir madeira que nem um animal é um bricoleur. Note-se a comparação das palavras: martelo (sim, esse termo que dá nome ao bonito verbo “martelar”) e bricoleur – como é possível ter as palavras martelo e bricoleur na mesma frase ninguém sabe, mas a verdade é que são praticamente sinónimos.

Já manifestada a minha indignação aproveito para dizer que me recuso a usar bricolage ou bricoleur para definir seja o que for, mesmo que seja roupa interior de mulher idosa, e que acabo de inventar novo conceito. Suprimindo a irritante acentuação francesa, substituindo o efeminado i pelo brutamontes u, e acrescentando um m no final para lhe dar uso corrente, ficamos com algo como Brucolagem. Assim mesmo, de sotaque português bem cavado no Ribatejo: Brucolagem. E quem o pratica passa a ser um Brucalojador em vez daquela paneleirice francófona. Agora sim, posso ter uma pá na mão sem me sentir envergonhado, podendo brucalojar aquilo que bem entender.

Gostas de Fly - Made by Man




Auka Buddha

Localização:
Sri Lanka – (Ceilão foi adotada pelo país até 1972), é um país insular asiático, localizado ao largo da extremidade sul do subcontinente indiano. Tem costas para a Baía de Bengala a leste, Oceano Índico a sul e a oeste, e o Estreito de Palk a noroeste, que o separa da Índia. A sua capital é Sri Jayawardenapura-Kotte (ou simplesmente Kotte), subúrbio da antiga capital Colombo, desde a inauguração do novo edifício do parlamento, em 1982.

O Monumento:
Aukana Buddha é o nome dado a esta magnifica Estátua de 13 metros, representando o Buddha.
A estátua, à semelhança dos monumentos Lankatilaka Vihara e Buduruwagala, e de muitas outras pelo Mundo fora, tenta representar os poderes sobrehumanos e transcendentais do Buddha.
É neste momento uma das mais altas estátuas do Buddha (talvez a maior), depois de Bamiyan (Afeganistão) ter tido todas as suas destruidas.
A estátua foi escupida numa única rocha, à qual ainda se encontra ligada, quase imperceptivelmente pela parte traseira.
Diferentemente de outras estátuas erigidas pela ilha, que se encontram na posição “Abhaya Mudra” (não temer nada), Aukana Buddha, encontra-se numa posição de “Asisa Mudra”, ou seja numa posição de “abençoar o visitante”. Essa posição caracteriza-se pela mão direita (a que representa nas Estátuas de Buddha o objectivo ou acção) na posição de abençoar, e a mão esquerda numa posição de segurar o robe como se fosse para passar um rio (simbolizando o Ciclo de Re-Nascimento).
A expressão é duma serenidade extraordinária, e do seu cabelo caracois de chamas emergem, identificando a “siraspata” significando “the ultimate enlightenment”, ou seja o alcançar do UNO Espiritual.

História:
A estátua foi descoberta por Sir James Emerson Tennent, em 1850, enquanto percorria as florestas locais seguindo trilhos de elefantes asiáticos.
A sua edificação remonta do Séc. 5, do Reino do King Dathusena (459-477 AD).
Perto de Aukana Buddha, apenas a 9 Km de distância fica uma outra Estátua semelhante, em Sasseruva. Acredita-se que ambas as estátuas foram construidas em simultaneo por um escultor e pelo seu aprendiz. Diz-se que teria havido uma competição entre os dois, e que o assinalar do final da competição coincidiria com o final da construção da primeira estátua. O escultor terminou primeiro, o que fez com que a estátua do aprendiz ficasse até hoje incompleta.
Hoje, após centenas de anos da sua construção ainda se pode ver os monges budistas, oferecerem ramos de flores apanhadas de manhã e oferecerem à estátua, juntamente com os primeiros raios de sol.
Uma das cerimonias locais mais lindas, é a procissão das crianças, que saem da vila local, subindo o monte até ao complexo onde se encontra a estátua.
Ao longo dos anos, o templo em que a Estátua se insere, tem se vindo a revestir de importância cultural da comunidade usando-a (ou às zonas do Templo) como escolas e locais de aprendizagem.
A estátua representa o Budismo no Sri Lanka. Religião essa que chegou à ilha proveniente da India algures no Séc.III BC, e ficou como religião principal adoptada pela população desde o primeiro grande rei do Sri Lanka, o Rei Anuradhapura.

Curiosidades:
- Aukana significa “Sun eating”, ou “Comendo o Sol”, tentando ilustrar os maravilhosos nascer e pôr do Sol sob a estátua e os efeitos produzidos pelos reflexos.
- É crença local que a Estátua está construida com tal pericia, engenho e objectivo, que em dias de chuva, a pingueira formada pela agua que cai do nariz da estátua, cai precisamente no meio dos dedos dos pés da Estátua.
- Tão admirada pelos habitantes do Sri Lanka, que várias replicas em tamanho menor foram erigidas em vários pontos da ilha.
- É a única estátua do País que, com regularidade, merece honras de estado, quando recebe Homens de Estado quer do Sri Lanka quer estrangeiros.
- Ao se chegar, tem-se uma recepção extremamente calorosa pelos monges locais, professores, alunos … que frequentam o Templo. O povo local é extraordináriamente amável para com os forasteiros.
- É um sitio calmo, e que não recebe muitos turistas ainda, pelo que apresenta-se como um local turistico tranquilo e sereno.
- A estátua foi erigida na mesma altura que o Lago Kala Wewa (lago ou tanque artificialmente criado nas redondezas) foi criado e crê-se que em certas alturas os olhos da Estátua estão ao mesmo nivel da agua do mesmo.

Best time to see:
- A melhor altura para visitar esta maravilha arquitectonica, é ao raiar do dia, quando os primeiros raios de sol nascem do Este, e criam um cenário extraordinário.
- A descrição da estátua feita no livro “The Handbook for the Ceylon Traveller”:
“The best time of day to view this statue is dawn. The first rays of morning sun bring out the rich hues of the rock image and makes it seem to come alive against the deep green of the trees beyond. As the sun rises higher it reveals the serenity of the exquisitely carved face: rising higher still, the sunlight picks out the gracefully carved robe, each pleat of which is a triumph of art.”

Recomendações:
- Dependendo da altura do ano, vestir roupa adequada ao calor ou chuva, mas ter sempre atenção para vestir de forma modesta, sem grandes ostentações. (isto aplica-se também na maior parte dos templos e locais sagrados do Sri Lanka)

Manic Street Preachers - Motorcycle Emptyness

Em 1991 Gales deu ao mundo uma das bandas mais politizadas da história rock. Esteticamente glam e musicalmente entre o air rock e o punk visceral dos Sex Pistols, os Manic Street Preachers tinham tudo para ser polémicos. Richey James, apesar de não ser vocalista e de a sua perícia na guitarra ser muitas vezes troçada nos bastidores, sobressaía-se como ícone da banda – exímio letrista, instável e desequilibrado, ficou conhecido por se auto-flagelar numa entrevista quando questionavam quão autênticos eram realmente os MSP.Em 1992 sai o debutante Generation Terrorists e músicas como You Love Us ou Motorcycle Emptyness começam a chegar às rádios. Por trás do inegável tacto em construir grandes canções rock escondem-se letras altamente subversivas. O álbum é um panfleto de retórica esquerdista e um autêntico regicídio na monarquia do Reino Unido – “repeat after me, fuck Queen and country/ repeat after me, death sentence heritage”. Faixa atrás de faixa disparavam contra o establishment, fosse ele o capitalismo, a apatia das massas, as marcas, a publicidade, a religião ou a coroa Britânica. A crítica gostou da ousadia e recebe-o bem. O hype estava criado pressionando os MSP a voltarem atrás na sua promessa de acabarem com a banda a seguir ao primeiro álbum ser lançado.Seguiu-se Gold Against the Soul, seguimento previsível do primeiro disco, menos inspirado e mais acomodado que o antecessor, mesmo assim mostrando aqui e ali um novo lado dos MSP, mais sinfónico, que seria trabalhado em anos futuros. O que dava que falar, contudo, não era o novo álbum: as fissuras existentes na banda tornaram-se evidentes demais - Richey James estava cada vez mais reduzido ao que sobrava de si próprio, Nicky Wire fazia questão de soltar tiradas inconvenientes dia sim dia não e a banda tocou com apenas três elementos durante grande parte da sua tour (a falta de comparência vinha, claro, da parte de Richey James).Em 1994 chegou Holy Bible, ainda hoje considerado por muitos como o melhor álbum gravado pelos MSP. Holy Bible carregava todo o desencanto que Generation Terrorists tinha mas extremou-o lírica e musicalmente. Goste-se ou não, foi o álbum bomba dos MSP, as guitarras estavam mais ríspidas que nunca e as letras totalitariamente radicalizadas. É, provavelmente, o disco mais furioso e desacreditado da década de 90. Richey explicou tudo o que sentia por lá: versos como “childhood pictures redeem, clean and so serene/ see myself without ruining lines”, “these sunless afternoons I can’t find myself” ou “he's a boy, you want a girl, so tear off his cock, tie his hair in bunches, fuck him, call him Rita if you want” anunciavam o que estava para vir. A promoção do álbum nos Estados Unidos estava próxima mas antes disso Richey James volta a ser notícia pela última vez. A 1 de Fevereiro de 1995 desaparece, tendo o carro sido encontrado junto a uma ponte perto de Bristol, famosa pelos suicídios que recebe. Pouco tempo depois Richey foi considerado morto, embora o seu corpo nunca tenha sido encontrado. A banda ficou devastada com a notícia e temeu-se o seu fim. Para a grande maioria dos fãs, e possivelmente também para os três restantes membros, os Manics deixariam de ter sentido sem Richey que era visto como a alma e o cérebro do grupo – mesmo tendo em conta a sua limitada capacidade musical, a verdade é que era ele que encabeçava toda a raiva política e social conhecida nos MSP. Sean Moore, o pouco mediático baterista da banda, definiu-o da melhor forma, intitulando-o como o seu ministro da propaganda.Mas James Dean Bradfield, que de todos os elementos sempre foi o mais músico, assegurou a continuidade do, agora, trio. Poucos meses depois voltaram a reunir-se para compor novos temas. Agarraram em antigas letras de Richey James, juntaram novas de Nicky Wire e James Dean Bradfield encarregou-se de construir canções rock de tom épico. O resultado foi Everything Must Go (não é preciso mencionar a quem é que o título era dirigido), o álbum que pôs os Manic Street Preachers como estrelas internacionais. Além do aplauso da crítica e das vendas astronómicas que teve, Everything Must Go coleccionou prémios pelo mundo fora. Ainda assim, não se livraram de ser acusados de vendidos pelos fãs de primeira hora, ainda revoltados pela perda do seu elemento mais combativo.E foi a partir deste momento, pós Richey James, que os MSP deram inicio a uma nova fase. É verdade que a veia política está lá e sempre estará, mas estes Manics, os de hoje, estão já muito longe da fúria Marxista de 90. De Everything Must Go (1996) até Send Away The Tigers (2007), os três Galeses envelheceram, amainaram, serenaram e começaram a dar mais importância ao detalhe melódico que à luta política pura e dura. This Is My Truth Tell Me Yours (1998) é paradigmático nesse aspecto: canções calmas, melodiosas e introspectivas, quase caseiras. Mesmo Know Your Enemy (2001), que dos últimos discos é visto como o mais activista, alinha a sua forte posição política com um discurso bem mais leve, ou pelo menos não tão chocante, que as primeiras obras da banda. Ainda houve tempo para prestar uma interessante homenagem aos 80’s dos New Order quando lançaram Lifeblood, em 2004. E agora temos este Send Away The Tigers, acabado de sair, e com um single fresquíssimo de nome Your Love Alone Is Not Enough a dizer-nos que eles estão para durar.

Sean Moore disse que de três em três discos os MSP fazem um álbum de ruptura. Foi assim com Holy Bible, foi assim com Know Your Enemy e, se as contas não me falham, será assim com o próximo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Gosta de Fly - Futebol - Jornada 10

Walter Zenga – O Homem Aranha

Para quem depois viu Preud-Homme, Schmeichel, Baía ou Buffon, pode agora já nem ter Walter Zenga como um dos eleitos mas o certo é que, entre a 2ª metade da década de 80 e a 1ª metade da década de 90 foi, literalmente, o Maior.

Com uma envergadura perfeita para posição (1,88 cm) e com os atributos da grande escola italiana de guarda-redes (vidé Zoff, Tancredi, Peruzzi, Pagliuca, Buffon...), Zenga tinha uma grande colocação entre os postes, dominava bem o espaço aéreo, era ágil e um verdadeiro líder. A tudo isso, juntava ainda toda a postura de um italiano vero: elegante, vaidoso, com cabelo à ponta de lança e sempre de meia preta a condizer com o calção e a bota. Era o meu GR.

Começou nas divisões secundárias e chegou ao Inter em 1982, agarrando a titularidade na 2ª época em San Siro, para ser o rosto da baliza interista até 1994. Jogou ainda 2 épocas na Samp e 1 na Pádova, terminando a carreira nos states ao serviço nos New England Revolution.

Durante a sua estada no Inter, Zenga, mais que ganhar títulos (1 Scudetto e 2 Taças UEFA), ganhou o coração e o respeito dos tiffosi, o que foi bem expresso há umas semanas atrás quando, como treinador do Catania, regressou pela primeira vez a San Siro e foi alvo de uma estrondosa homenagem com uma tarja que dizia somente W 1 Z - Walter Zenga o Nº1.
Mas o reconhecimento não foi só em Itália já que foi 3 vezes consecutivas, 89, 90 e 91, eleito o melhor GR do mundo.

Já na Squadra Azzurra, foi dono e senhor a partir do Euro 88 mas o momento alto aconteceu no Mundial de 90, realizado precisamente em Itália. A minha Itália fez um início de prova fantástico e chegou até às Meias Finais sem sofrer um único golo. Zenga esteve 517 minutos sem sofrer um golo o que, ainda hoje, é recorde em fases finais de Mundiais. Só que, no início da 2ª parte, Caniggia (até com algumas responsabilidades de Zenga) decidiu terminar com o recorde e mudou a história anunciada, restabelecendo a igualdade e levando o jogo até ao desempate por grandes penalidades onde o herói viria a ser o GR argentino Goycochea.
A Itália ficou pelas meias finais sem perder um único jogo e tendo sofrido apenas um golo. O Futebol é ingrato...ás vezes até para os italianos.

Abaixo, deixo-vos um brevíssimo vídeo do referido tributo prestado pelos tiffossi nerazzuri e uma compilação de grandes momentos de Walter Zenga.




quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Nome da Rosa


Dizer que a adaptação ao cinema da famosa obra de Umbeco Eco - O Nome da Rosa - comete a proeza de conseguir acrescentar algo mais a um livro por si só notável, mostra toda a dimensão deste filme.

Relembro, pois não acredito que não haja quem não o tenha visto, que a história começa com uma estranha morte que assola uma abadia beneditina em pleno século XIV Italiano. Mas não é só pela penumbra de crime e mistério que envolvem este filme que ele é notável, é a turba entre a fé e a tentação, a crítica à pobreza e opulência do clero, a mão manipuladora e cruel da Inquisição, a mesquinhez cega das crenças...épico.

Cunhando o filme de uma forma única, o intocável Sean Connery, interpretando o papel de William of Baskerville, um monge Franciscano que ao jeito de Sherlock Holmes é chamado para resolver os mistérios que envolvem as mortes, fazendo-se acompanhar do seu aluno Adso (um dos primeiros papéis de Christian Slater).

Este é um dos primeiros pós James Bond de Connery que praticamente definiu a bitola do resto da sua carreira, é sem duvida um papel "Tailor-Made" para Sir Connery. De destacar ainda as interpretações de F. Murray Abraham no papel do Inquisidor Bernardo de Guy e a tendência de Ron Pealman para interpretar personagens menos convencionais - basta achar o ponto comum entre Salvatore, o Monstro Vincent (da série de TV Bela e o Monstro), Hellboy ou Sayer of the Law (Ilha do Dr. Moreau).

O filme é de 1986 e é brilhantemente realizado pelo Francês Jean-Jacques Annaud, que alguns de vós conhecerão de Inimigo às Portas e muitos de vós de 7 Anos no Tibete.

Desafio-vos assim rever ou ,admitindo que haja alguém que nunca viu, a ver este clássico. Consta nos meus filme preferidos de todos os tempos, rodando várias vezes desde o velhinho VHS até ao DVD. É simplesmente imperdível, pela história, pela época, pelo mistério... Ah! e tem a Rosa...


Fica o trailer: