quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Crónicas estupidas sobre cenas idiotas!!



Dedos nervosos percorrem a parede branca ansiando ...

... num movimento que se parece fundir com o tempo, deslocam-se, movimentando-se em ondas suaves ...

... para cima e para baixo ... para a esquerda e para a direita ... numa sintonia com o universo ...

... de repente ... estancam ... param ... sentem ....

.... eis chegado o tão desejado momento ...

... finalmente foi encontrado o interruptor da luz.

Pois é carissimos amigos ... após algumas semanas de interregno, eis que as crónicas estupidas sobre cenas idiotas retorna a casa.
E que mais belo tema para focar neste regresso, que o interruptor ... o Interruptor da Luz.

Muito há para dizer sobre este tão essencial, e no entanto tão subestimado, “objecto” que provavelmente as minhas linhas não lhe conseguirão prestar a devida homenagem, mas não queria deixar de lhe dedicar algumas palavras ...
Pessoalmente, acho que o interruptor da luz é vitima duma incompreensão tremenda ... e pior ... eu próprio me incluo no leque de pessoas que o menosprezam ..... bem ... pelo menos até hoje ....
Pode-se dizer que abri os olhos para esta realidade nua e cruel num solarengo dia de domingo. Nesse domingo, e para minha extrema alegria o Benfica jogava em casa, mas ainda mais excitante ... o jogo passava em canal aberto (RTP, creio) ... o que só por si, é motivo de extremo entusiasmo (pelo menos para mim, que me recuso veementemente a pagar os perto de 30€uros pelos canais SportTV).
Vinha da garagem, e faltava pouco para o inicio do jogo ... já sentia aquele nervosismo miudinho ... aquela irritação nas extremidades dos dedos ... aquela tremideira no peito ... quando apanhei o elevador.
4 andares, meus amigos ... 4 singelos andares que pareceram 4 prédios .... era o que me separava do meu lugar cativo em plena bancada central do meu Estádio da Luz ... 4 andares ...
Após essa longa viagem, que mais parecia um qualquer filme realizado por Clint Eastwood, finalmente cheguei ao meu andar ...
Ofegante ... chaves na fechadura, e após as 3 voltas que habitualmente dou em cada uma delas, já suava ... rogava pragas ... injuriava a minha vida repleta de azares, do qual este seria o culminar ...
... até que finalmente a porta abriu-se e parece que se fez sol ... parece que tinha renascido ... parecia que Valhala tinha aberto os seus portões após um combate de com um titã... estava ali tão perto .... já conseguia sentir a vibração que as TVs emanam quando se ligam ....
Mas no entanto, assim que coloquei o pé dentro de casa, qual foi a primeira coisa que fiz???
Acendi a luz, pressionando o interruptor ...

Pois é meus amigos ... o interruptor .. cá está ele ...
Alguma vez, fizeram um exercicio mental de imaginar a quantidade de vezes que usamos o interruptor por dia?
E quantas vezes nos lembramos efectivamente dele? Quantas vezes, pensamos ...
“Que diacho ... o interruptor é mesmo importante, faz parte da minha vida e sem ele sentir-me-ia incompleto ...”

Pois é ... seja de noite, seja de dia ... seja em casa, seja no trabalho ... seja para ler, seja para escrever, ... seja para acordar, seja para adormecer ... o interruptor está presente.
E já pensaram no erotismo associado ao interruptor ... e não ... não me refiro apenas ao acto de apagar as luzes para o trungalhunga (como diz o nosso amigo Markl), .... refiro-me a algo muito mais intimo .... algo que está subjacente à própria existência do interruptor ... o estado de ON e OFF.
Acho fascinante o simbolismo do interruptor ligado e desligado. O interruptor quase que se pode dizer que é como um portão ... um portão que tem o poder de nos afastar da luz, ou de nos mostrar o caminho. (bem ... isto se as lampadas não estiverem fundidas)
Bem ... acho sinceramente o interruptor faz parte das nossas vidas e sem ele faltar-nos-ia a luz que nos alumiasse o caminho ...
Um grande bem haja a todos os leitores e ....porque não ... a todos os interruptores deste Mundo.

3 comentários:

... disse...

cá está a minha rubrica de eleição. Só este non sense do já de si pouco sense do nosso Piglet para me fazer tar aqui a esta hora.
Não ao nível dos 2 anteriores pq a fasquia estava á dimensão de um Sergei Bubka, mas ainda assim, delicioso.
PS: pior que ansiedade no interruptor para ver o Glorioso, e qdo um gajo quer mandar um faz às tartarugas ninja

Anónimo disse...

Enfim, um post ao nível do estádio da luz.


LL

FN disse...

Gostei muito... mais um fantástico post que Aucrun deu à luz. Sem duvida para continuar...