Marco Van Basten – O Leonardo Da Vinci
Silêncio...que se vai falar de MVB
Dos que vi jogar, foi seguramente o melhor nº9 e, talvez, a par de Zizou, o melhor jogador de sempre a seguir a Dom Diego.
Fino, elegante, rápido, incisivo e decisivo, porque aparecia sempre nos momentos de grande pressão, nas grandes finais, onde, como se diz no circo da F1, “se distinguem os homens dos rapazes”. E com uma eficácia de finalização idêntica com ambos os pés e no jogo aéreo. Tinha a grande área como habitat natural mas todo os m2 do terreno de jogo lhe eram familiares. Com instinto de golo, não desdenhava uma boa assistência de um colega mas também ele inventava oportunidades.
MVB é natural de Utrecht mas despontou na fábrica do Ajax a nível sénior a partir de 1982. Aí já não enganava, conseguindo a melhor média de golos de sempre dos lanceiros e vencendo 3 Campeonatos, 3 Taças e 1 Taça dos Vencedores das Taças (golo da vitória sobre o Leipzig).
Daí rumou a San Siro, em 1987, numa transferência recorde na época e com a maglia rossoneri conquistou os tiffosi milanistas e todo o calcio italiano e mundial. Nas grandes equipas de Sacchi e Capello, com a constelação de estrela encabeçado pelo trio das tulipas (MVB, Gullit e Rijkaard, exprimiu toda sua classe, conquistando 3 Scudettos, 3 Taças, 2 Champions Leagues (1 ao Glorioso), 2 Supertaças Europeias e 2 Taças Intercontinentais.
A título pessoal, a juntar a infindáveis prémios da FIFA, UEFA e afins, assinou o primeiro poker de sempre na Champions League na goleada do Milan ao Gotemburgo do frenético Tomas Ravelli, com direito a golo de pontapé de bicicleta e tudo
Mas apesar de já estar em Milão foi em 1988 que o seu talento foi mundialmente reconhecido num cenário que, à partida, lhe era desfavorável. No Euro 88, na Alemanha, a Holanda chegava com uma equipa poderosíssima, ao nível da laranja mecânica de Cruiff, Neeskens, Resenbrink e afins, comandada igualmente pelo pai do futebol total, o malogrado Rinus Michels.
A armada holandesa incluía Van Breukelen, Van Tiggelen, os Koeman bros, Rijkaard, Van Aerle, Wouters, Muhren, Vanenburg (o Geraldinho, dado o seu futebol claramente brasileiro), Van’t Schip, Gullit, Bosman, Kieft...um autêntico hall of fame. De tal forma que MVB era suplente de Johnny Bosman, não se antevendo grande epopeia do nosso flyado.
Mas como no jogo inaugural a Holanda saiu derrotada pela URSS, no jogo seguinte, frente à Inglaterra, MVB teve a sua chance e, como sempre, respondeu presente: hat-trick. Daí para a frente, marcou o golo decisivo das meias-finais e um dos melhores golos de sempre a Final, na revanche frente à URSS.
Acabou por terminar a carreira apenas com 31 anos (na verdade acabou com 29 porque nas últimas 2 épocas acabou por não jogar), fruto de uma lesão complicadíssima na zona do calcanhar que obrigou a várias cirurgias sem pleno sucesso. Este seu infortúnio levou a que seja ainda hoje um dos impulsionadores de uma maior punição aos chamados tackles, tendo estado na origem de algumas decisões da FIFA a este respeito.
Deixo-vos com uma das muitas compilações possíveis de golos e também com o vídeo da despedida oficial de San Siro, onde vão poder ver o duro Capello como nunca imaginaram. Como disse Galliani na altura, naquele dia “o futebol perdeu o seu Leonardo da Vinci”...ainda bem que a obra continua exposta.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
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7 comentários:
Para mim foi um dos melhores jogadores do mundo (como disseste e bem), acho que avançados como ele até hoje aindã não encontrei um.
Ah Granda VAN BASTEN
Duarte
Classe... pura classe é o que define este senhor. Um dos melhores, senão o melhor ponta de lança de sempre.
O 2º vídeo é impressionante.
Obrigado FF
Muita classe ... muito estilo ... muita elegância ...
Na Laranja Mecânica, era com certeza o Gomo central ... a autentica Vitamina C.
Grande MVB!!
Mais um grande post da nossa Nandopedia!!
Indo um pouco atrás das palavras de FN, queria acrescentar que o 2º video é ÉPICO!!
Para não correr o risco de me parecer um porco imundo sem opinião própria, queria deixar a minha opinião ...
Não há muito a acrescentar ao que foi escrito por FF, acerca da categoria deste Grande jogador, que tive o prazer de ver (TV) jogar inumeras vezes ... e de temer pelo Benfica/Portugal quando o encontrava pela frente.
Sentia um misto de admiração e receio sempre que o via jogar, especialmente na Laranja ... onde o trio Rijkaard, Gullit Van Basten eram o autentico tridente de Neptuno.
Sem duvida o melhor avançado da sua altura (década de 80/90) e um dos melhores avançados de sempre.
sabem que ao fazer a rubrica veio-me á memória, em alguns movimentos e salvo as devidas distâncias, um grande nome dos palcos nacionais: Rui Jordão. aqueles movimentos felinos e elegantes, a habilidade a jogar com ambos os pés e de cabeça e até alguns golos de MVB à la Jordão no Euro 84, não me são totalmente estranhos. Acho que MVB viu o Euro 84 com atenção.
Aquele golo à meia volta contra a URSS é qualquer coisa do outro mundo. Para mim, o melhor golo que já vi.
Grande Jogador, uma pena a curta carreira.
Grande post.
FF em grande
LL
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