Jean Pierre Papin – Droit au But
Nunca o lema marselhês, Droit au But (Directo ao Golo) foi tão apropriado como para Jean Pierre Papin, ou JPP, para os amigos...que não devem ser muitos, pelo menos entre os GRs (Vitor Baía e Neno “Iglésias” que o digam).
JPP foi Bola de Ouro em 1991 e está na lista dos 100+ da FIFA (a propósito, de Portugal estão, King Eusébio, Luis Figo e Rui Costa) mas, acima de tudo, foi considerado o jogador do século do Olimpique Marselha, o que, seguramente valerá mais que os muitos golos que facturou. E se eles foram muitos. Em 6 épocas no Velodrome (com passagens anteriores pelo Vichy, Valenciennes e Club Brugge), conquistou, a nível colectivo, 4 Championnats consecutivos e, a título pessoal, foi o artilheiro da Ligue 1, em 5 épocas seguidas, com mais de 100 golos marcados.
Para além de uma grande mobilidade e um sentido de oportunidade notáveis, o grade predicado de Papin era claramente o seu pontapé fulminante de pé direito, uma autêntica certidão de óbito para as redes contrárias. Quando embalado e com a bola à mercê desse pé direito, era uma questão apenas de saber se entrava pelo lado direito ou esquerdo, rente à relva ou no cimo da baliza. O seu volley ainda hoje é recordado como o mais letal do futebol mundial, uma espécie de Stefan Edberg do desporto rei. Vários são os exemplos mas logo salta à memória aquele executado no antigo estádio das Antas, já como a camisola do AC Milan. Só por isso já merece a nossa homenagem.
Mas também o Glorioso provou do veneno de JPP. Na meia final da Taça dos Campeões Europeus bateu Neno na vitória marselhesa por 2-1 na 1ª mão. Valeu à lampiada o inferno da Luz, que fez tremer JPP como nenhum guarda-redes o conseguir fazer, e a mão de Vata, para carimbar o passaporte vermelho para Viena.
De Marselha saiu, após a derrota na Final dos Campeões Europeus frente à maravilhosa equipa do Estrela Vermelha de Belgrado (Prosinecky, Pancev, Jugovic, Savicevic e afins), para San Siro. A ideia? Juntar os 2 mais temíveis goleadores da altura: JPP e MVB. Mas as lesões de MVB e alguma inadaptação de JPP não o permitiram na plenitude. Ainda assim, fez 18 golos em 40 jogos no calcio, e foi a 2 finais da Champions. A 1ª perdeu-a... precisamente frente ao Marselha (golo de Basile Boli e fim de carreira de MVB) e a 2ª venceu-a (embora não jogando) na goleada de 4-0 do Milan de Capello ao Dream Team do Barça de Cruijff.
Depois de Itália ainda passou pelo Bayern Munique (Taça UEFA) e Bordeaux, terminando a carreira no modesto Guingamp, já na Ligue 2.
Na selecção apanhou o período negro entre Platini e Zidane, onde a selecção gaulesa falhou os Mundiais de 1990 e 1994 mas, ainda assim, em 54 jogos oficiais, foi Droit au But em 30 ocasiões.
Sejam goleados com o vídeo abaixo (é tanto golo que até cansa), lamentando não estar disponível o volley que fulminou Baia. Mas julgo que com esta amostra, conseguem imaginar.
Allez JPP!
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
4 comentários:
Antes do mais ... tenho de confessar que nunca fui um admirador apaixonado de JPP.
Talvez pelo cabelo tão encaracolado que mais pareciam pelos pubicos ... talvez por não ter uma corzinha mais rosada ... enfim ...
Mesmo vogando um pouco contra os factos ... e eles foram bem expostos em mais um estrondoso Post de FF ... continuo a apreciar jogadores mais elegantes no trato com a bola, tal como o Gostas de Fly anterior ... MVB.
Creio no entanto, que se o Liédson é um "rato de área", JPP, poderá ser considerado um verdadeiro "hamster do golo".
No entanto, tenho de também considerar que JPP é, sem qualquer tipo de duvidas, um dos nomes incontornaveis do futebol mundial.
Lembra um pouco o Postiga. Na cor dos olhos, digo.
RBF
Este gajo era um avançado mortal, mas sem a classe do MVB. Lembro-me de ouvir (acho que por altura do Milan) que este senhor tinha a bonita média de 7 Golos em 10 Remates... é obra!!
Quanto ao texto de FF, mais um remate certeiro ao ângulo sem hipótese de defesa....
Antes de mais... excelente texto. Grande remate em prosa de FF.
Quanto ao JPP, marcava muitos golos, é certo, tem um curriculo fantástico, correcto, mas não me entusiasmava grandemente, em oposição ao grande MVB. Como FN disse, e muito bem, faltava-lhe classe... e não ser francês.
LL
Enviar um comentário