
A Época de Ouro do cinema Português jamais será esquecida. Nomes como António Silva, Vasco Santana, Fernando Ribeiro (Ribeirinho) e principalmente António Lopes Ribeiro deveriam encher de orgulho toda uma Nação. Nos anos 30 e inicio dos anos 40, foram escritos, produzidos e filmados em Portugal e por Portugueses as mais deliciosas comédias feitas na língua de Camões, que em nada ficam a dever aos Loucos Marx ou até mesmo ao brilhantismo de Chaplin, estrelas da comédia da altura. À cabeça vêm-nos filmes como Canção de Lisboa (1933), o Pátio das Cantigas (1942) ou o Leão da Estrela (1947), carregados de genuinidade, inteligência (fuga à censura) e sobretudo um humor que aproveita ao máximo as curvas e contracurvas da língua Portuguesa, o que os torna de facto filmes só nossos.
De todos esses filmes o meu preferido é sem dúvida O Pai Tirano (1941), realizado e escrito por António Lopes Ribeiro e abrilhantado pelos Enormes Vasco Santana e Ribeirinho, só peca por não contar com António Silva (provavelmente o melhor actor Português de comédia). Trata-se de uma comédia que conta a História de uma farsa, onde Francisco Mega (Ribeirinho) faz-se passar por um Aristocrata para conquistar o coração da sua amada Tatão, para isso utiliza o elenco da companhia de Teatro onde actua (Os Grandelinhas) para se fazerem passar pela sua suposta Abastada Família.
Todo o filme é recheado de linhas, gestos e expressões do mais delicioso que se possa imaginar, para quem conhece relembro o "Oh inclemência! Oh martírio! Estará por ventura periclitante a saúde desse nobre e querido menino que eu ajudei a criar?" ou então "- Pastéis de Bacalhau não temos. - Então são dois copinhos de vinho branco.". Mais de 6 décadas depois dessas linhas serem filmadas, em termos de efeito ainda se mantém actuais, ainda nos fazem rir, ainda nos divertem e isso confere-lhes todo o valor. Engana-se quem toma estes filmes por meras comédias brejeiras, trata-se de humor aveludado...imbeliscável...
Um dos momentos mais altos dos filmes desta geração é o Fado do Estudante, cantado bem afinado e a rigor pelo Vasquinho da Anatomia na Canção de Lisboa.
Se virem o vídeo de certeza que vos traz boas recordações.
3 comentários:
Fabuloso!
Todo este cinema português é incontornável e incomparável, concordando que o Pai Tirano é o expoente máximo da espécie. é para ver, rever, decorar e recitar a preceito. timeless!
Este post vale uma mini...se não houver, serão 2 copinhos de água ardente.
Ah, outros tempos, Neves, outros tempos.
- Vasquinho, arranjei uma maneira de ganhares a vida.
- Como é?
- Já vais ver.
- Vou beber? Fixe.
- Não! Vais cantar o fado.
- Eu? Cantar o fado? Nunca. Morte ao fado. O fado é a vergonha da raça.
Quantos anos já lá vão?
Um dos grandes marcos do cinema tuga .... mas que nunca vi inteiro.
Um dos filmes (quase que diria de culto) da década de 40, e que iluminou gerações e gerações futuras, e um dos filmes predilectos do meu pai ... que só por isso lhe confere enorme qualidade.
Por nunca o ter visto completo, prometo autoimolar-me com silicio (Silas style) durante as próximas semanas.
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