Franco Baresi – L’ Eterno Piscinin
Com 14 anos apenas chegou a Milanello alguém que haveria de marcar toda história do AC Milan, de tal modo que foi nomeado o jogador do Século dos rossoneri. Devido à sua baixa estatura, apelidaram-no de “Il Piscinin” (“baixinho”, no dialecto milanês). Pura aparência!
Nas 4 linhas, Franco Baresi foi um gigante, de tal modo que foi titular durante 19 épocas consecutivas no único clube da sua carreira. É que ainda há quem saiba exactamente o que é essa coisa do “amor à camisola” que os mais velhos falam...
Durante todo esse período passaram pelo San Siro vários companheiros de sector. Afortunatos, deveriam dizer todos os dias ao partilhar o balneário com Baresi. Afinal, devem ao eterno capitão serem hoje relembrados como grandes jogadores, quando o seu talento não poderia aspirar a tanto. É que Baresi, para além do que jogava, ou, atrevo-me até a dizer, mais do que aquilo que jogava, tinha o dom de elevar ao máximo a qualidade dos seus colegas. Qual Rei Midas, tudo o que tocava virava ouro. Fazia que quem jogava junto de si se transcendesse, talvez pela proximidade do toque divino.
Era como que um maestro ou como aqueles que comandam as marionetas, bastando um gesto ou um agitar de cordas para todo o sector se movimentar e fazê-lo de forma harmoniosa. Era a defesa em linha e a marcação à zona em todo o seu esplendor. E sem esforço, apenas inteligência. Por alguma razão Baresi retirou-se apenas aos 37 anos...e ainda como titular (30 jogos na última época)
Ainda hoje, todos os que tiveram o prazer de ver a máquina milanesa do final dos anos 80 e década de 90, consegue articular de seguida a linha defensiva que comandava todo o futebol total de Arrigo Sachi. Ora vamos lá: Mauro Tassoti, Franco Baresi, Alessandro Costacurta e Paolo Maldini (o único realmente com a dimensão de Baresi). Fabuloso!
Normalmente, lembramo-nos dos trios atacantes (Futre, Gomes e Madjer), dos 4 avançados do louco futebol dos anos 60 (José Augusto, Eusébio, Torres e Simões) ou dos 5 violinos do futebol lírico (Jesus Correia, Albano, Travassos, Vasques e Peyroteo) mas aqui, apesar de Gullit, Rijkaard e Van Basten, é Baresi e seus discípulos quem marca a história.
A mesma história que o compara ao kaiser Beckenbauer e que depois inspirou as gerações vindouras, levando até o então treinador do Benfica, Sven Goran Eriksson, a apelidar o então emergente Rui Bento como “o pequeno Baresi”.
E a história traduz-se em 6 scudettos, 4 supertaças italianas, 3 champions, 2 taças intercontinentais e 3 supertaças europeias, sendo que o maior título de todos é ainda vivido dia-a-dia: o Milan decidiu retirar a eterna maglia 6 como forma de homenagem (também Maldini será alvo de tal distinção com a camisola 3, embora aqui com a hipótese de a mesma vir a ser recuperada caso o seu filho ascenda à primeira equipa milanesa).
Atentem então em 19 anos de carreira e no adeus ao calcio nos vídeos abaixo.
terça-feira, 7 de abril de 2009
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2 comentários:
Mais um Italiano para a prateleira de FF, desta vez possivelmente o melhor que vi envergar a "azurra". Baresi exemplificou o puro e genuíno futebol Italiano, pode-se resumir a um simples adjectivo que o nosso Piscinin FF se esqueceu de incluír no seu excelente Post: Classe... (isto vem de quem não gosta assim muito dos Italianos, mas pronto).
Obviamente que me lembro na perfeição de Baresi e a sensação que tinha quando o via jogar, é que não era justo para as outras equipas terem que jogar contra um jogador daqueles...
FF foi buscar um Italiano que me conseguiu emPOLGAr (num post sobre Baresi, a referência a Polga - O Campeão do Mundo - é obrigatória).
Franco Baresi, para mim, poderia ser perfeitamente um qualquer elemento da série "Os Sopranos" .. ou pelo menos foi assim que sempre o vi ...
Talvez por ressentimentos antigos referentes a uma célebre final da Liga dos Campeões (1989) ...
Mas enfim ... olhando para trás, agora vejo que afinal havia mais de Baresi que apenas um mafioso de primeira ... era também um emblema e um simbolo daquilo que sempre caracterizou o Calcio - disciplina táctica ... mesmo quando se reformou com duzentos e tais anos, continuava a ser a "voz de comando" na defesa milanista ...
Mais um bom post de FF, mantendo a sua bitola, mas desta vez acerca dum jogador que nunca me caiu no goto ....
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