terça-feira, 26 de agosto de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 3

David Ginola – Le magnifique

A história conta-se em simples mas decisivas palavras para o que haveria de ser a carreira do maior talento francês entre as fases de Michel Platini e Zinedine Zidane (sim, mais talentoso que Eric Cantona).
Ano de 1993, Parque dos Príncipes, último jogo de qualificação da França para o Mundial de 1994 nos EUA, França x Bulgária. À França basta um empate para se qualificar, a Bulgária necessita de vencer. A França sai na frente com um golo de Cantona mas ainda no 1º tempo, Kostadinov restabelece a igualdade. Na 2ª parte, aos 44m e ainda com resultado em 1-1, livre lateral para a França no lado direito do ataque (o chamado canto de mangas arregaçadas), Ginola recebe a bola e, em vez de a segurar até final do jogo, decide cruzá-la para a área. Fá-lo mal e...3 passes depois, Kostadinov faz um golo fabuloso, chuta os gauleses para fora do Mundial (alguém que nos vingue!) e apura os búlgaros para o que viria a ser uma campanha fantástica nos states: semi-finalistas, na tal equipa comandada pelo Cristo búlgaro (Hristo Stoitchkov – melhor marcador da prova), devidamente secundado por Balakov (SCP), Kostadinov (FCP), Penev, Ivanov, Letchkov e Mihailov (CFB).

No balneário francês foi a loucura, Cantona ao seu melhor estilo e Ginola morto com o olhar pelos colegas. O seleccionador Aimé Jacquet decide afastar os 2 jogadores da selecção e priva-os dos sucessos dos bleus nos anos seguintes: campeões do Mundo em 1998 e da Europa em 2000. Decisão muito controversa mas diz-se que foi aí que a França começou a ganhar o Mundial de 1998. Analisando friamente, os resultados falam por si mas para os amantes do futebol, ver a fina-flor sem Ginola e Cantona será sempre um má decisão. Vejam os 3 minutos decisivos do “Ginolagate”.



Mas voltando a Ginola e à sua carreira, ele foi descoberto por Artur Jorge quando esteve a 1ª vez em França, no Matra Racing de Paris, tendo-o depois levado quando orientou o PSG. Aí foi o despontar de Ginola, já com cerca de 26 anos e ocupando a ala esquerda da fabulosa equipa parisiense que contava com Lama, Ricardo, Valdo e Weah. Conseguiram o título e excelentes participações na Europa (memoráveis os 4-1 ao Real Madrid).
Transferiu-se depois para terras de sua Majestade onde todo o seu talento foi aclamado pelo ingleses, tal a diferença do estilo de jogo de Ginola para os tradicionais jogadores ingleses da altura. Um extremo esquerdo (ou melhor, que partia da extrema esquerda) que, embora pudesse ser considerado ambidestro, privilegiava o pé direito (o chamado jogador de pé trocado que agora é frequente mas que, na altura, era raro), e que jogava, passava, marcava, assistia, tudo isto com uma elegância, um beleza estética, um porte, que, com o longo cabelo solto, mais parecia um daquele cavalos selvagens com longa crina.
Comparando com Laudrup, a fasquia está bem elevada e só os Sergei Bubkas do futebol a conseguirão ultrapassar. Ginola não tinha a classe de Laudrup nem teve a carreira que poderia ter tido mas, esteticamente, o seu jogo transmitia um sensação de liberdade, de felicidade, pouco comum no futebol táctico dos nossos dias.

Jogou primeiro no Newcastle de Keegan onde perdeu o campeonato nos últimos jogos para o Man Utd já então de sir Alex, tendo-se transferido 2 anos depois para o Tottenham. Magpies e Spurs seguramente não se esquecerão dele.
Daí transferiu-se para o Villa mas já tinha 33 anos e já estava em curva descendente. Ainda passou depois pelo Everton mas apenas jogou alguns jogos e terminou a carreira. À falta de títulos (apenas na PSG) e presença na grande montra dos Mundiais e Europeus, deixa-nos um legado artístico ao alcance apenas dos eleitos. Aqui ficam 2 vídeos (Tottenham e Newcastle). Have Fun (até a banda sonora é porreira)!




3 comentários:

FN disse...

O Pedro Costa também tem uma bonita crina!!

... disse...

é a chamada crina calva

PMC disse...

O Piçarra sempre que lá vou diz o seguinte: "Tens ai um cabelinho de fazer inveja a muito careca!" Pensando bem, talvez seja mesmo só por isso que lá vou...