Gianluca Vialli e Roberto Mancini - Gemelli del Gol
Quem viu seguramente não esquece a grande Samp da 2ª metade da década de 80 e início dos anos 90: o palhaço Pagliuca na baliza, o velho Vierchowod no cadeirão central, o eterno Toninho Cerezzo e o esguio Katanec no meio-campo, a lebre Attílio Lombardo na ala direita e os gémeos do golo no ataque - Gianluca Vialli e Roberto Mancini.
Gémeos, mas não muito. Se Mancini era o talento, a souplesse, os pés de veludo, a estética, com o look tipicamente cuidado como um bello ragazzo, Vialli era o oposto: o músculo, a força, a raça e um look completamente indiferente para quem só se enamorava das redes adversárias. Boskov, treinador da altura, descrevia-o assim: "Ele defende como um tigre, ataca como um leão e é ágil como um puma".
Juntos fizeram mais de 700 jogos e quase 250 golos pela Samp. Colocaram o, na altura, 2º clube de Génova no topo do futebol italiano e europeu. 1 Scudetto (o único do seu historial), 3 taças de Itália, 1 Taça das Taças (2-0 ao Anderlecth de Marc DeGryse e Luc Nillis - 2 golos de Vialli) e ainda 3 finais europeias perdidas - Taça das Taças frente ao Barça; Taça dos Campeões tb frente ao Barcelona, mas agora o do Dream Team; e Supertaça Europeia frente ao Milan. Fantástico! A tal ponto que conseguiram que eu, um fervoroso romano, andasse dias e dias, nos chamados jogos de rua, com la maglia da Samp vestida (com o mítico sponsor ERG). Ainda hoje é o meu Estrela da Amadora no calcio.
Apesar de Mancini ser mais o meu tipo de jogador, Vialli era o meu fétiche (e Gianluca um dos meus nomes de guerra das peladinhas). Talvez por não ter nada a ver com o meu tipo de jogador preferido, isso fascinava-me: o odioso belo. E o desenrolar das suas carreiras acabaram por conferir alguma razão á escolha do meu coração.
Vialli tinha chegado do modesto Cremonese, passou 8 anos na Samp e após conseguir o milagroso título rumou à vecchia signora. O velho Trap esperava-o mas o seu trajecto no clube não foi pacífico. Para combater o portento alemão Lothar Matthaus do Inter, quiseram fazer de Vialli um jogador de meio campo, por ser um líder (e um líder deve jogar no meio campo), alguém que, com a força que Vialli tinha, viesse de trás e explodisse na área. Não resultou e chegou a afirmar-se Vialli Finito. Puro engano! O puma renasceu para uma 2ª vida e sob o comando de Marcello Lippi e com a companhia de Ravanelli, Paulo Sousa, Deschamps e afins, chegaram ao scudetto, a 1 Taça UEFA e a 1 Liga dos Campeões. Apesar da idade, ainda sentia falta da adrenalina e por isso foi em busca dela onde ela mais está presente: Inglaterra. Passou pelo Chelsea e aí venceu 2 FA Cups, a Carling Cup, a Community Shield, a Taça das Taças e Supertaça Europeia. Terminou a carreira nos blues e foi tb aí que iniciou as funções de treinador mas sem grandes resultados.
Já Mancini, chegou à Samp muito novo, vindo do Bolonha. Permaneceu em Génova durante 15 épocas (quando saíu, comprou 1 página no jornal para agradecer e pedir desculpa aos adeptos da Samp), até decidir tentar ganhar mais uns títulos na Lázio de Roma, o que conseguiu. Pelos laziale, venceu o 2º scudetto da carreira, 1 Taça UEFA e mais 2 Taças de Itália. Nunca chegou a afirmar-se como titular da squadra azzura (a concorrência tb era feroz) e acabou a carreita tb em Inglaterra, no modesto Leicester mas apenas efectuando 4 jogos. Começou a carreira de técnico na Lazio e dps de alcançar o tri nos nerazurri foi substituido pelo nosso Speciale.
Segue um 1º pequeno vídeo de quando a Samp batia os colossos de Itália e incendiava o já de si fervoroso Luigi Ferraris e, para quem tiver mais saudade ou curiosidade, um 2º vídeo com o resumo da final da Taça das Taças (o 2º golo é o exemplo perfeito da sociedade Gianluca & Manco). Forza Doria!
terça-feira, 2 de setembro de 2008
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