segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Gostas De Fly - Futebol - Jornada 11

Fernando Gomes – O Bi-Bota

Eis o maior predador de sempre do futebol português. Aquilo a que os mais antigos chamam de número 9, matador ou avançado centro.
Fernando Gomes era letal. Bastavam 2 metros de espaço na grande área e era seguro que a rede ia abanar. O único que vi que com ele concorreu foi Super Mário Jardel mas, ainda assim, the oscar goes to Fernando Gomes.

Gomes era um animal de área mas era, ao mesmo tempo, um jogador elegante e de fino toque. Tinha apenas 1,74 cm mas jogava de forma soberba no espaço aéreo (JVP é um digno sucessor em termos de técnica de cabeceamento). Com movimentos curtos e rápidos em pequenos espaços de terreno, era incisivo, atacava a bola e conseguia quase sempre a antecipação (já Jardel escondia-se nas costas do defesa, no limite do offside). Tinha o faro do golo e normalmente jogava a um só toque, o do golo.

A sua carreira está intimamente ligada ao FC Porto, o seu clube de coração. Aí jogou durante 13 épocas, em 2 períodos distintos, com um par de épocas de permeio, em Gijon, no Sporting local.
Nessas 13 épocas conquistou, a título colectivo, 5 Campeonatos Nacionais, 3 Taças Portugal, 4 Supertaças, 1 Taça Campeões Europeus, 1 Supertaça Europeia e 1 Taça Intercontinental.
Mas a título individual não fez por menos: venceu 6 vezes a chamada Bola de Prata para o melhor marcador do campeonato nacional e consegui 2 Botas de Ouro para o melhor marcador da Europa (daí a alcunha do Bi-Bota). Foi o primeiro português após Eusébio (agora há também Cristiano Ronaldo) e ainda é o único lusitano a vencer o prémio por 2 vezes.
E ainda conquistou a filha de José Maria Pedroto, o treinador....Era ou não letal?

Mas como todas as histórias de Super Heróis, há sempre uns vilões que os tentam destruir. E nesta ele também existiu. Em 1989, Tomislav Ivic (sim, o mesmo que pediu para encurtar o relvado da Luz 2 ou 3 metros em cada lado antes de um jogo com o Salgueiros, para o Benfica pressionar melhor), coadjuvado pelo mítico Octávio Machado, declarou “Gomes Finito!”.
Mas Gomes não concordou e com o brio que sempre se lhe reconheceu durante anos a fio como capitão dos azuis e brancos, foi á procura de outras redes com quem conversar. Encontrou-as em Alvalade e, já com 33 anos, em 2 épocas de leão ao peito, fez 30 golos em 63 jogos no Campeonato...Para croata ver, como diz o povo. (ah, é verdade, esse jogo com o Salgueiros terminou 0-0, como é óbvio).

Remato com 2 pequenos vídeos que não lhe fazem a mínima justiça (o Youtube devia ter surgido 10 anos mais cedo) mas, se quiserem saber como era um golo à Fernando Gomes, vejam o golo de Nuno Gomes ao Nápoles (bónus track). Troquem a camisola vermelha por uma azul e branca, troquem o Nuno pelo Fernando (by the way, Nuno é Gomes no meio futebolístico em homenagem ao nosso herói desta semana), e troquem o Carlos Martins pelo Jaime Magalhães e...voilá!

Afinal estamos a falar de alguém que no campeonato nacional, em 405 jogos, fez 318 golos, ou seja, uma média de 0,78 golos por jogo... Números só de matador, para quem, e passo a citar uma célebre frase sua, “Marcar um golo é como ter um orgasmo”.






2 comentários:

FN disse...

Que classe de jogador que ainda tive o prazer de ver jogar de Leão ao peito... É o ponta de lança que falta no actual futebol português. É incrível como aquela geração de jogadores fantásticos não chegou mais longe de quinas ao peito... Gomes, os já "flyados" Carlos Manuel e Futre o Manecas, o André, o Bento, o Damas etc, etc...

Master Aucrun disse...

E até tinha estilo o gajo ...

Lembro-me muito pouco dos jogos dele, e dos seus golos. Mas conheço um pouco da sua história, e dos seus numeros.

Grande Post FF, fazendo homenagem, a um dos maiores pontas da história do futebol europeu e quiçá tuga.