George Weah – Pérola Negra
Não sei se Daniela Mercury alguma vez viu jogar George Weah mas, se o fez, seguramente que o tema “Pérola Negra” lhe é dedicado, ou não fosse ele a maior pérola alguma vez nascida na Libéria. Aliás, não fosse Weah e provavelmente nem sabíamos da existência de tal nação.
E é curioso que, no ano em que a maior pérola negra do nosso futebol conquista definitivamente o planeta no campeonato do mundo, poucos meses depois nasce este nosso ilustre flyado de hoje. Foi uma espécie de sucessão ou, se quiserem até, de homenagem do nosso Eusébio, já que Weah nunca teve oportunidade de disputar um Mundial.
Este liberiano era um daqueles jogadores que aparecem de tempos a tempos, uma vez que reunia uma série de características que nos permitem rotulá-lo de fora de série. Como avançado, era um jogador completo.
Era rápido, incisivo e felino mas ainda assim elegante. Tinha o porte atlético e físico dos africanos, a que juntava uma capacidade técnica soberba, fosse através da recepção orientada, da rotação, da finta, do poder de explosão, da finalização, ou somente da finta de corpo, das danças de ritmos quentes, da kizomba ou do kuduro aplicadas ao desporto-rei.
Weah começou em desconhecidos clubes locais mas começa a dar cartas no velho continente no principesco AS Mónaco, ou não fosse o treinador monegasco alguém quem hoje reconhecemos como um dos maiores scouters do futebol mundial: Arséner Wenger. No estádio Louis II formou-se então uma equipa que muitos ainda se lembram e que incluia alguns dos históricos do clube monegasco: Ettori, Sonor, Petit, Thuram, Gnako, Passi, Djorkaeff, Rui Barros e a sua muleta de ataque, Youssuf Fofana.
Após 4 épocas mudou-se para a capital francesa, onde, orientado por Artur Jorge (ainda com cérebro) e acompanhado de Lama, Ricardo Gomes, Alain Roche, Paul le Guen, Guérin, Raí, Valdo e Ginola, se viveram os melhores momentos do PSG – conquistas da Ligue 1, da Coupe de France e presenças brilhantes na Champions.
Mas nem Paris tinha dimensão para o talento de Weah e como Milão ainda chorava o abandono prematuro de Van Basten, em 1995 rumou a San Siro para representar os rossoneri. Rei morto, rei posto!
Partilhava então o balneário com outros imortais do pontapé na bola como Franco Baresi, Paolo Maldini (assim se vê a longevidade desta lenda), Desailly, Donadoni, Savicevic, Boban ou Roberto Baggio.
E foi de tal ordem que, nesse ano, foi eleito Melhor Jogador de África, venceu a Bola de Ouro da France Football e seria consagrado pela FIFA como o Melhor Jogador do Mundo, tornando-se o primeiro e único jogador Africano de sempre a conquistar este troféu. Mas o palmarés não estaria completo sem ser colocado na lista dos futebolistas do Século FIFA, sendo-lhe mesmo atribuído o prémio “Melhor Jogador Africano de Todos os Tempos.
No ano seguinte e mesmo apesar de ter agredido barbaramente Jorge Costa num FCP x AC Milan (ou, se calhar, por isso mesmo), foi-lhe atribuido o Prémio Fair Play pela FIFA.
Permaneceu 4 anos e meio em San Siro e numa fase já descendente rumou ao Chelsea, depois ao Man City e ao Olympique Marselha, terminando a carreira seduzido pelos milhões árabes do Al Jazeera.
Depois de retirado, dedica-se única e exclusivamente ao seu país natal. Apesar de nunca ter conseguido a disputar um Campeonato do Mundo, a sua pátria é tudo. Na CAN 1996 na África do Sul, pagou do seu bolso todas as despesas da Selecção Liberiana na competição. Embaixador ONU desde 1997, é também presidente/fundador do Júnior Professionals, clube da cidade natal Monróvia, e um dos grandes impulsionadores do futebol no pais. A sua jornada patriótica conheceria novo episódio com a sua candidatura à presidência da Libéria em 2005, acabando derrotado pela economista Ellen Johnson Sirleaf, num acto eleitoral muito contestado ainda hoje, mas que não demoverá com certeza Weah de concretizar o sonho de presidir a sua pátria.
Observem então alguns momentos de puro deleite pelo jogo, devidamente comentando por outras estrelas milanistas da altura.
segunda-feira, 9 de março de 2009
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8 comentários:
E era bonito também, o gajo! :-)
Grande jogador, grande post, grande momento de futebol ...
Pessoalmente sempre gostei de Weah ... e do George também ... a classe, a ratice para estar no sitio certo, simplicidade de execução, facilidade de rematar, o remate assassino ... um grande jogador.
Não posso contudo deixar de afirmar que (fora a condenação que qualquer atitude anti-desportiva ou agressiva merece), que o "toque" que deu ao "nosso" Jorge Costa foi bem merecido pelo central, que certamente estaria habituado aos avançados do nosso campeonato, que apanhavam e não respondiam ...
Um grande post, dum pequeno postador.
CORRECÇÃO:
Por "pequeno postador", apenas me quero referir ao tamanho fisico do postador, e não ao tamanho do seu valor, pois esse nem ouso a tentar classificar.
A melhor palavra para definir Weah é Felino - Forte, Rápido, Elástico (quase tanto como o Pombo), Imprevisível... e porque se tivesse jogado com um Leão ao Peito não lhe tinha feito mal nenhum! Aliado a isso tinha um remate explosivo e uma técnica apurada... muito boa escolha do nosso pequenino.
O modelo das estrelas Africanas do nosso futebol actual.
Apenas um Add On ao grande post de FF - penso que ouvi numa entrevista Weah dizer que um dos jogador com quem fez melhor dupla de ataque, foi precisamente com o pequeno Rui Barros nos tempos do Mónaco.
Nandim, os Sitiados também tinham uma "Pérola Negra" (mas neste caso tratava-se de uma bela moça.)
Bom jogador, rápido, forte e letal. Modelo na epoca para os actuais Drogbas, Adebayors e Etos.
Mas a léguas de distancia da classe pura de Van Basten.
LL
Sendo sincero, acho que este foi o melhor post que escreveste. Bom conteúdo, muito bem escrito, com fluidez e boas malhas líricas.
Já conhecia a veia política do Weah, mas não a sabia tão vincada. Subiu na minha consideração que já não era pequena.
Hoje não sei se Weah não cairia na tentação de jogar por um país Europeu. Nunca saberemos...
RBF
RBF,
Acho que não cederia à tentação. Tivemos o exemplo do Drogba que preferiu a Costa do Marfim à França e julgo que o Weah é da mm estirpe.
LL,
Concordo que MVB tem mais classe mas atenção que este senhor foi considerado o melhor jogador africano de tds os tempos.
Não nos podemos esquecer que a agressão do Weah ao bicho se deveu ao jogo da primeira mão em que o JC teve uma entrada brutal ao joelho do liberiano, ainda hoje esse lance me arrepia.
I am sorry, it does not approach me. There are other variants?
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