Fernando Hierro – La Locomotiva
Um jogador como Hierro nunca será consensual para a tribo do futebol. Como Roy Keane ou Patrick Vieira a nível mundial ou como Humberto Coelho, Oceano ou Jorge Costa à nossa escala, ora serão idolatrados (pelos seus) ora serão odiados (pelos adversários...a não ser que depois se transfiram para esses rivais). Se estivéssemos no GDF Música, teria que citar RBF e dizer que nem todos estão preparados para entender Hierro.
Mas para os madridistas (e para mim) será sempre, El Gran Capitán, uma lenda Merengue, com um registo absolutamente fantástico no Bernabéu (desta vez as conquistas vêm no vídeo para que percebam melhor) e que valeu tanto na cabine como nas 4 linhas.
Após a estreia em La Liga com as cores do Valhadolid, logo se percebeu que havia qualidade para muito mais. Percebeu o Real Madrid, percebeu o Atlético Madrid e percebeu o Barcelona. Um ainda novato nestas lides, Gil y Gil, tentou torná-lo colchonero mas o Calderon era palco menor, um Joan Gaspart, ao que consta, enganou-se no irmão e contratou outro Hierro para a Catalunha e quem adquiriu La Locomotiva foi mesmo o Real Madrid.
Mas se Hierro é uma Locomotiva então terá que ser um Alfa Pendular...e na classe Conforto. É que para além de uma grande envergadura e ter um forte jogo de cabeça, Hierro era elegante, tinha sobriedade, colocação no terreno e capacidade para sair a jogar de trás como poucos. Simplicidade e Inteligência, dois dos aspectos mais decisivos para um futebolista de top (vidé Guardiola, Makelelé ou Paulo Sousa)
Começou como médio defensivo mas com tamanha capacidade para ler o jogo, depressa recou uns metros no terreno, onde refinou ainda mais toda a sua capacidade. Cobrava bolas paradas com mestria e fazia lançamentos de longa distãncia dignos de um Bret Favre dos tempos áureos. Quem seguia os blancos ou a furia espanhola só tinha que esperar pelo passe longo para um tal de Raul Gonzalez compor o ramalhete. Tinha uma noção global do jogo que ia muito para além do defesa tradicional, se quiserem, era Un Defensa com Alma de Delantero.
Com alma e capacidade de liderança, pois impõs-se rapidamente em Madrid. De tal forma que até eu, com uns imberbes 14 anos, me lembro da estreia deste senhor. Ficou em Chamartin durante 14 anos, saindo depois para 1 ano nas Arábias mas, querendo terminar no Velho Continente, alinhou ainda 1 ano no Bolton (recusou a renovação), o suficiente para levar o clube à Taça UEFA.
Ao serviço da então Fúria Espanhola (hoje trocaram a Fúria pelo Carrossel), registou 89 internacionalizações, sendo um dos poucos a conseguir alinhar em 4 Mundiais (Italia ’90, Estados Unidos ’94, França ’98 e Coreia-Japão 2002) e sendo, à data da sua saída, o melhor marcador de sempre de La Roja com 29 golos (foi depois ultrapassado...sim, pelo Raul, quién más?!).
Transpondo Hierro para o nosso futebol, seria um Coluna. Daqueles que acabam por pesar mais que a camisola, que têm Alma até Almeida, que permitem que haja Eusébio, que haja Raul, que nos mostrem que a Mística não é apenas um conceito abstracto.
terça-feira, 24 de março de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
2 comentários:
Nunca fui grande fã do futebol deste senhor, mas é indesmentível que são estes os jogadores que entram na história, e mais importante que isso tornam os seus clubes históricos.
Nisso o Real, apesar das maiores ou menores invasões de galácticos, tem sempre os históricos nas suas equipas, os já flyados Michel e Buitre são disso exemplo a par de muitos dessas décadas.
Actualmente quando se diz que o Real está carregado de estrangeiros, tem na sua equipa os já históricos Raul (o melhor marcador da história do clube) e Casillas e outros prontos a tornarem-se como Sérgio Ramos por exemplo... e muitos mais que virão. Mas uma das bandeiras mais altas é sem dúvida o senhor Hierro (pelo menos pela altura)...
Mais um grande post de FF.
Exelente post, sim senhor ...
Lembro-me perfeitamente de ver este senhor jogar ... e de adorar ver este senhor jogar ...
Lembro-me muito vagamente dos seus primeiros anos de Real Madrid. Dessa altura muito inicial da década de 90s, lembro-me mais das meias descidas caracteristicas de outro grande jogador ... Gordillo.
Bem, mas voltando ao nosso La Locomotiva, sempre o considerei um senhor dentro e fora de campo, com uma postura inatacável, e uma sobriedade invejável, apenas atraiçoada nos ultimos anos finais de carreira pela normal falta de pernas.
Era um jogador que sabia defender sem dar demasiado pau, ou demasiado visivel, e que sabia sair a jogar ... fosse através de passes longos, quer fosse de jogadas rápidas ...
Um grande post, de um grande jogador.
Enviar um comentário