Michel Preud’Homme – Le Saint
Com a devida permissão de Manuel Galrinho Bento (pausa para uma vénia por parte dos lamps), 1994 viu chegar à Catedral, o melhor guarda-redes da história do Glorioso. Tinha então 35 anos (daí o teaser ter 35 MPH) e vinha de um Mundial dos EUA onde tinha brilhado a grande nível, tendo-lhe sido atribuído o troféu Lev Yashin para melhor guarda-redes da competição e terminando o ano com o título de UEFA Goalkeeper of the Year
Veio pela mão de Artur Jorge e deixou muitos estupefactos. Afinal, o que vinha um jogador de 35 anos fazer para o Benfica?! Vinha marcar uma época nas redes portuguesas. Foi o primeiro guarda redes estrangeiro do Glorioso e justificou claramente esse privilégio (ao contrário de um tal Jorge Gomes que foi o primeiro estrangeiro da história do clube e que, aposto, a maioria de vocês nunca ouviu falar). Afinal Artur Jorge, nessa altura, ainda tinha cérebro!
O problema veio depois, que lhe colocou as piores equipas da história do clube á sua frente. Ai, o que seria MPH com Ricardo, Mozer como torres de controlo?!
E se, ao fazer um dream team da história das papoilas saltitona, MPH seria o nº1, é porque acredito que, no futebol, há vida para além dos títulos, tal como, em cada fim de semana, para mim, há jogo para além do resultado. Acredito que, há jogadores, há equipas, há jogos que marcam uma época, tanto ou mais que um título. Há quem me faça ver futebol sem vencer e quem, vencendo, não me cativa minimamente.
É que Preud Homme, pelo Benfica, apenas venceu uma Supertaça e, no total da carreira, entre Standard Liége e Malines, venceu 3 Ligas belgas, 1 Taça das Taças e 1 Supertaça Europeia (e mais alguns títulos menores na Bélgica), enquanto o “homem de borracha” conta com 8 títulos nacionais e 6 Taças de Portugal no seu palmarés.
Mas MPH era primus inter pares. Tinha um qualidade tão grande que, tímido, quase a tentava esconder. Não era modelo fotográfico, quando muito, modelo de mãos. Era ágil, com reflexos espantosos entre os postes (como muitos) mas dominando também o espaço aéreo (como poucos). Também o jogo com os pés lhe era familiar, apenas com o azar de uma vez colocar a redondinha nos pés de Balakov (agora uma vénia da lagartagem). Elástico mas sóbrio, elegante mas discreto, numa palavra, Classe. E sem idade, porque os Santos, como ficou conhecido Saint Michel, não têm idade. E a prová-lo está o facto de ainda ter ficado 5 épocas, sempre em grande plano, como titular das redes encarnadas. Só saíu aos 40 anos, pelo próprio pé...e com jogo de despedida com direito a 80 mil na Catedral para ver o último milagre do único Santo reconhecido pela lampiada. Na freguesia de Benfica, os santos populares comemoram-se a 24 Janeiro, data do seu nascimento.
Tomem a óstia e vejam a missa abaixo. Há muito milagre para certificar.
terça-feira, 14 de abril de 2009
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3 comentários:
Homenagem mais que merecida a um dos melhores Guarda Redes que vi jogar… No entanto na minha (pouco dúbia) opinião lembro-me de mais 2 Guarda Redes que vi jogar no nosso campeonato e que podem perfeitamente ombrear com MPH, Peter Schmeichel - The Great Dane e Vitor Baia (principalmente na sua fase inicial). Mas como o jogo é de FF respeito e obviamente saúdo este post.
A minha opinião é que um guarda redes com aquele tipo de Cabelo está talhado para o Sucesso – à cabeça Jean Marie Pfaff, Harald Schumacher e Joel Batts...
2 Ressalvas do Vídeo – A Caga que ele teve naquele mundial que defendia tudo para os postes (apesar das monumentais defesas), e o ultimo lance é típico por mais que defendas do Porto mamas sempre...
Creio que a letra "Fly Like an Eagle" nunca se enquadrou tão bem num jogador ...
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