segunda-feira, 20 de abril de 2009

GDF - Futebol - Jornada 23

Chris Waddle – Magic Chris

No contexto do futebol inglês (do antigo e até, atrevo-me a dizer, do actual), Chris Waddle era uma espécie raríssima. Alguém que fazia da técnica individual, do drible e da finta de corpo o seu cartão de visita não era exactamente o protótipo do futebolista inglês. Num futebol de “kick and rush”, bastava uma recepção de bola ou um duelo 1x1 para se perceber que ali o jogo devia para uns segundos para regalo do olhar. “King of the drible”, diziam eles, raramente tendo possibilidade de assistir ao futebol continental. Mas Waddle até no futebol continental marcava a diferença. Havia mais mas não havia mais virtuosismo.

Quem o percebeu rapidamente foi o então colosso europeu Olimpique Marselha. Na construção da sua melhor equipa de sempre, viram em Waddle alguém que podia fazer a diferença e, juntamente com JPP, Basile Boli, Abedi Pelé e afins formaram um conjunto que, esse sim, fazia jus ao lema do clube “Droit au But”. Em 3 anos no Velodrome (proveniente do Tottenham), Waddle venceu os 3 Championnats e chegou à final da Champions (derrota nas GP frente ao Estrela Vermelha) mas, mais que isso, ganhou o reconhecimento da exigente e fanática plateia marselhesa, sendo votado como o 2º melhor jogador do século do clube (atrás do inevitável JPP).

Só os ingleses não lhe deram o reconhecido valor, já que tudo o que se passe fora da ilha, não acontece. Pura e simplesmente não existe. Ainda para mais, naquela época onde, após o êxodo de Kevin Keegan para o Hamburgo e de Gary Lineker para o Barça, quase nenhum futebolista inglês jogava fora do reino de sua majestade. Mas Waddle jogava e não com um inglês, antes como um extremo latino, holandês ou sul-americano. Foi o primeiro (que me lembro) a jopgar com o pé trocado (como diria o grande Wilson Brasil), ou seja, a jogar no flanco contrário. Canhoto por natureza, alinhava no flanco direito marselhês, inventando fintas de corpo e ganhando metros em diagonais para o meio que desmontavam qualquer defesa. Muito sofreu o Glorioso naquela noite no Velodrome. Durante algum tempo, Wwaddle usou cabelo comprido e era ver os cabelos a balançar para um lado e para o outro, seguindo o seu movimento de corpo e em sentido contrário a um defesa já ansiando por compaixão. Imagens inesquecíveis.
Depois da aventura marselhesa e já com 32 anos regressou a Inglaterra para o modesto Sheffield Wednesday e aí assumiu completamente a equipa, mantendo-a na 1ª metade da tabela e chegando a 2 finais da taça e, a título individual, sendo reconhecido como futebolista do ano em 1993.

Na selecção esteve nas fases finais do Euro 88 e dos Mundiais 86 e 90, no último dos quais onde falhou 1 dos pontapés da marca da grande penalidade na semi-final com a Alemanha. Cá está mais uma prova da qualidade de Waddle: são sempre os grandes jogadores que falham nestes momentos.

Como legado futebolístico e tirando o caso excepcional de Ryan Giggs (esse é um fenómeno sem explicação), o mais parecido que vi surgir nos relvados britânicos foi Steve Macmanaman, que alinhoyu no Liverpool e no Real Madrid. Tinha um estilo semelhante, com mais velocidade e com maior sucesso imediato até, mas, para mim, sem aquele plus de toque de bola, de condução de bola, de sexy football e até um charme desengonçado que tinha Waddle. E ainda mais tinha a mania de se divertir em campo e fugir à rigidez táctica e afins, ou não se fosse “The Clown”, o outro dos seus nicknames. Para mim, era colar à televisão e desfrutar. Era ídolo mesmo.
See 4 yourself!

2 comentários:

FN disse...

Muito bem dito, um dos poucos virtuosos do futebol Inglês da altura mas que curiosamente foi para fora. O outro é o Eric Cantona que fez o percurso inverso de Waddle.

Lembro-me perfeitamente deste senhor, mais na selecção que propriamente no OM, pois na altura não tínhamos a oportunidade de ver desde a Premier League ao campeonato da Somália que temos agora. FF diz e bem que Waddle colava à televisão, é um daqueles jogadores que levava a malta aos estádios, uma verdadeira estrela desde o Cabelo ao temperamento. Acho que FF só se esqueceu de mencionar a forte meia distância que ele tinha (que se bem me lembro era uma das imagens de marca dele, correct me if I’m wrong).



Um Grande Fly que se aguardava.

LL disse...

Jogador atipico para o país onde nasceu.
Pé esquerdo fantástico e um penteado que assustava os defesas.

Faz-me lembrar o Paulo Futre, mas pior, na minha opinião.

Mais um belo Fly, FF.

Abraço