quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Enter the Dragon - Bruce Lee


Se algum dia me perguntarem que actor de cinema gostaria de ser, a resposta só poderia ser uma, obviamente Bruce Lee. Este Sino-Americano que nasceu em São Francisco, não era simplesmente o herói dos filmes de artes marciais asiáticos do início dos 70's que fizeram a delícia dos nossos pais, era um verdadeiro super herói, um exímio mestre que em cerca de 35 anos após a sua morte jamais foi igualado na grande tela.

Pode-se dizer que masculinidade de um homem sai imaculada em admirar Bruce Lee. Admira-se um corpo de 1.70 e pouco mais de 60 Kg moldado às inúmeras técnicas de combate que estudou. Desde o Kung Fu à esgrima Lee bebeu de tudo, retirando ensinamentos de todas elas para criar o seu próprio estilo, o "Jeet Kune Do". Admira-se a beleza de movimentos, carregada por gritos animalescos que solta em cada golpe que dá, mas sobretudo admira-se o Homem, que tal como os predestinados bastaram-lhe pouco menos de meia dúzia de filmes para ser considerado um ícone, uma das grandes figuras da cultura moderna que se considera acima de tudo um artista de artes marciais.

A história de Bruce Lee é única e conta-se em breves linhas:
Nasceu nos Estados Unidos, foi muito novo para Hong Kong onde após ter sofrido às mãos de um gang local decidiu entrar numa escola de artes marciais. Mais tarde no final da sua adolescência, regressou aos Estados Unidos, estudou filosofia, abriu uma escola de artes marciais onde desenvolveu a sua arte. Entrou na pequena tela como Kato o sidekick do super herói da série Green Hornet (curiosamente Kato teve muito mais sucesso que o actor principal).

O volte-face da sua vida foi num regresso a Hong Kong já com alguma fama adquirida onde foi convidado para entrar numa produção local, The Big Boss (1971) o sucesso do filme foi proporcionalmente inverso ao seu budget (escasso) e às péssimas condições em que foi filmado, revelou-se um estrondoso sucesso que marcava o nascer de um ídolo entre o povo chinês. A loucura pelos filmes de Bruce Lee era total com 3 filmes em 2 anos batendo sucessivos recordes de bilheteiras, num deles viria a aparecer um lutador/actor de seu nome Chuck Norris, sim este senhor levou na tromba do melhor por isso teve o sucesso que tem...

Quando o seu sucesso na China ecoou no outro lado do Pacífico, em 1973, Bruce Lee viu um argumento escrito de propósito para si tendo a Warner Bros financiado "Enter the Dragon", um clássico com a pureza da arte chinesa bem latente, mas com máquina de Hollywood por trás que explorou da melhor forma as capacidades de Bruce Lee tornando-o num ícone mundial. Em Enter the Dragon, Bruce Lee protagoniza um agente secreto que entra numa ilha para participar num torneio de artes marciais, a partir daí é vê-lo a bater em tudo o que mexe, admirando a arte de um verdadeiro mestre. A incomparável disciplina da cultura asiática está bem latente não só no Homem mas também nas suas personagens. O filme culmina numa cena épica na história do cinema em que Bruce Lee defronta o vilão numa sala forrada com espelhos, memorável.
Diz-se que a meio deste filme um figurante desafiou Bruce Lee duvidando das suas capacidades de lutador, Lee mandou parar a filmagens, convidou-o a descer para uma pequena demonstração, deu-lhe uma sova e mandou-o de volta para o sítio onde estava.

Bruce Lee morreu no mesmo ano 1973 com 33 anos no auge da sua carreira após ter tomado um comprimido para a dor de cabeça, pelo menos é o que conta a história mal contada da sua morte. Deixou um filme semi completo The Game of Dead, onde apenas aparece nas cenas finais a lutar entre outros com o gigante Laker - Kareem Abdul Jabar (diz-se que tinha criado uma técnica defensiva para se contrariar golpes de adversários com maior alcance - caso de Kareem), o restante filme é feito com um sósia de Bruce Lee - resultado desastroso.

O cinema asiático de artes marciais e principalmente os filmes de Bruce Lee, influenciaram muitos estilos cinematográficos feitos a partir daí, foi descoberta uma fórmula que ainda hoje é utilizada.

Se alguma vez viram um filme do Steven Seagal, Van Damme, Chuck Norris ou do Jackie Chang merecem ser esmagados, se ainda não viram Enter the Dragon.

O Vídeo é uma entrevista de Bruce Lee, um dos raros momentos registados em público, intercalada com cenas de Enter the Dragon. Não é por acaso que a cultura Oriental é fascinante.




2 comentários:

Anónimo disse...

Destaco a estátua que há em Hong Kong em homenagem a Bruce Lee. Fui a Hong Kong variadíssimas vezes e passei por lá outras tantas - não houve uma única vez em que a estátua não estivesse a ser fotografada por alguém, seja ocidental ou oriental. A estátua está exposta na estrada da fama de Hong Kong e destaca-se de todas as outras personalidades que por lá passaram.

O Neves não o disse, mas pegando num outro Gostas de Fly por ele exibido, aproveito para dizer que outra homenagem óbvia feita a Lee foi a que Tarantino lhe prestou em Kill Bill - o fato amarelo vestido pela Uma não engana.

RBF

... disse...

Não sabia de tal adoração. Conheço muito, muito pouco e portanto, para além de embaraçado face ao Lourenço tb irei ser esmagado por Filipe Neves (desconfio que recorrendo a uma cabeçada imposta pelo Gamarra).
Não é muito a minha onda mas esta cativante prosa despertou-me a curiosidade.