segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 7

Fernando Redondo – A Classe não tem posição

Depois de tantas rubricas em torno de avançados ou médios ofensivos, chega agora a homenagem a alguém que jogou numa posição de menor mediatismo. Mas isso só seria verdade se não estivéssemos a falar de Fernando Redondo.

Redondo reduziu a cinzas as teorias sobre o clássico trinco, que servia para destruir ou, em linguagem do pontapé na bola à antiga, “para varrer o meio campo”. Mas com Redondo não era assim. Iniciou a era do pivot defensivo (para mim, a posição devia mesmo chamar-se Redondo), o jogador que ocupa bem os espaços, que é o pêndulo de toda a equipa, que a equilibra (sim, até aqui há vários jogadores que o fazem), mas era também o homem do primeiro passe, um tecnicista, um desequilibrador, um pivot defensivo que jogava até de sola. Era craque! Transpirava classe e impunha respeito. E não era preciso mais ninguém ao lado. Segundo ele, “ter alguém ao lado, é como se me taparem um olho”.

Para além de todos os atributos técnicos, era um líder com uma personalidade fortíssima. Para quem não se lembra, estamos a falar de alguém que recusou ceder às imposições absurdas do então seleccionador nacional argentino, Daniel Passarela, que exigiu que, quem quisesse jogar o Mundial de 98, tinha de cortar o cabelo. Redondo não cortou e ficámos assim privados de o ver em França (só por curiosidade, Passarela, enquanto jogador, também exibia uma farta cabeleira)

Nas 4 linhas, Redondo começou no Argentino Jrs, chegando a Espanha através das ilhas Canárias, jogando 4 anos no Tenerife, até chegar a um clube da sua dimensão: o Real Madrid. Aí, em 6 anos, venceu 2 Ligas Espanholas, 2 Champions League e 1 Taça Intercontinental, sendo considerado o MVP da Champions em 2000.
À procura de outro desafio, transferiu-se para o Milan, mas aí foi vencido pelas lesões. Em 4 anos não chegou a fazer 20 jogos. É certo que ainda ganhou 1 Scudetto, 1 Copa Itália e 1 Champions mas o seu contributo foi mínimo.
Mas se foi mínimo dentro de campo, o mesmo não se pode dizer fora dele. Fez história em Itália ao recusar-se a receber o salário por, segundo ele, não ser merecedor de tal, fruto da sua longa incapacidade física para ajudar a equipa.

Termino com a justificação de Redondo para ocupar a posição de trinco, convidando-vos a ver o vídeo abaixo. Um pouco longo, é certo (à dimensão do jogador que foi), mas um regalo para o olho.

“Sou trinco porque é a melhor posição. Ali se cruzam todos os caminhos. Se Cristo tivesse jogado futebol escolheria esse lugar.”



4 comentários:

FN disse...

Grande post... grande jogador! É arrepiante ver a torcida madrileña a prestar aquela homenagem a um jogador da outra equipa. Eu sou suspeito porque a antiga ausência da nossa selecção nos mundiais, levou-me a apoiar a alvi celeste.

PMC disse...

Este tipo fazia com que eu gostasse de ser trinco qd jogava à bola nos intervalos da escola. Grande jogador!

FN disse...

E deve ser também por causa dele que agora estás a ficar redondo.

Master Aucrun disse...

Um dos melhores do Mundo na posição ...

Um Patrick Vieira que sabia organizar jogo...
Um Rui Costa com uma cultura táctica defensiva invejável ...

O verdadeiro médio Completo ...

Grande post, Fernando Figueiredo CFO (Chief Football Officer) do Gostas de Fly.