Paulo Futre – Nascido fora de tempo
Paulo Futre foi o único jogador de classe mundial que Portugal teve após a geração dos Patrícios e antes da chamada Geração de Ouro. Iniciou a verdadeira emigração do jogador português, fazendo-o com sucesso e deixando as portas abertas para que outros tivessem oportunidade de o seguir. Nesse aspecto, é justo dizê-lo, Rui Barros também teve um papel importante, sobretudo na Juve, onde ainda conseguir estar alguns anos, com sucesso, numa época em que ainda havia a limitação de 3 estrangeiros (e a Juve era, talvez, o clube que mais mudava os seus jogadores estrangeiros). Mas nunca gostei de Rui Barros apesar de lhe reconhecer algum valor.
Voltando ao furacão do Montijo, o seu maior problema foi ter nascido sozinho, ou seja, apanhou mesmo o final de uma geração e, quando os meninos de ouro apareceram, já Futre começara o seu calvário de lesões. Se nos Patrícios houve o pequeno Genial (o ídolo de Futre, by the way), a Geração de Ouro sempre teve essa lacuna. Folha ainda deu um salpicos mas, tivéssemos nós o melhor Futre na ala esquerda e o fado lusitano mudaria seguramente de refrão.
Foi um jogador explosivo, imprevisível, de contagiar público e colegas de equipa. Era imparável quando lançado. Não tinha a classe nem a condução de bola de Chalana, mas tinha uma velocidade com bola que assustava. Este era daqueles que ganhava jogos sozinho. E ganhou muitos...
O sucesso de Futre começou, como muitos outros, quando chega ao FCP em mais uma grande decisão do SCP. “Não aumentamos o ordenado e é para emprestar à Académica”, disseram na altura os seus responsáveis. Mas afinal, a história tinha outro final – uma espécie de Futre Decide (mas sem apresentação do António Sala).
De dragão ao peito, em 3 anos, conquistou 2 Campeonatos (com 2 eleições como melhor jogador da prova) e 1 Taça dos Campeões, rumando depois ao Atlético Madrid como bandeira eleitoral de Gil y Gil, perdendo a hipótese de ser campeão intercontinental pelo Porto.
No Atlético ficou tempo demais. À semelhança de Rui Costa nos Viola, pensou demasiado no clube e pouco em si. Em 5 épocas e meia, ganhou apenas 2 Taças do Rei (uma delas em pleno Santiago Bernabéu...frente ao Real) mas garantiu a imortalidade na história colchonera e granjeou o respeito de toda a afficion espanhola. Fez com que Baltasar e Manolo, parceiros de ataque, passassem de jogadores normais a grandes figuras e foi a muleta do Atlético vezes sem conta. Quem viu não esquece os duelos com Chendo, uma espécie do duelo Figo vs Roberto Carlos dos anos 80. Explosivo!
De Madrid para o conturbado Benfica de Jorge de Brito, onde fez meia época na melhor equipa do Benfica dos últimos 15 anos. Paulo Sousa, Mozer, Paneira, Rui Costa, JVP, etc, pontificavam na Luz e o verdadeiro Futre, de águia ao peito, apareceu de quando em vez. Mas terminou a sua passagem de 6 meses pela Luz deixando a sua marca, ao estraçalhar o Boavista na Final da Taça de Portugal por 5-2 com uma exibição soberba.
Daí em diante o joelho direito não mais lhe deu descanso e percorreu vários clubes e campeonatos, deixando em todos eles a sua marca mas apenas a espaços. 6 meses em Marselha, 1 ano e meio na Regiana e novo salto para um palco à sua dimensão: AC Milan. Poucos jogos realizados mas com um Scudetto no bolso, ingressa no West Ham (abrindo a porta a Dani e Porfírio). Aí ficou também 1 época para depois voltar ao Atlético Madrid para se despedir junto dos seus.
Mas a aventura tinha mais uma etapa e, depois de Portugal, Espanha, França, Itália e Inglaterra, terminou no Japão, no Yokohama Flugels.
Carreira a 100 à hora, à mesma velocidade com que jogava, já que a sua caixa de velocidades só tinha 4ª e 5ª.
Deixo-vos alguns vídeos curtos de diversas fases da sua carreira, entre os quais o grande golo da final da Copa do Rei, o fantástico “quase-golo” na Final da Taça dos Campeões e Futre vs Boavista na final da Taça de Portugal. Desfutrem!
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
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4 comentários:
Apesar de me trazer à memória os tempos de má gestão do meu clube, não há como deixar de o admirar. Este senhor foi nos anos 80 / início de 90 um dos principais responsáveis que os Portugueses passassem a ser vistos com outros olhos mundo fora, não só pelas simulações, mas pela classe. Uma justa homenagem a um dos melhores de sempre.
Ai, ai...era o meu jogador preferido e está tudo dito!...Se bem que acho que os videos não ilustram o talento dele. Mas acredito que me não deva haver muitos mais no Youtube. Lembro-me de um jogo fantastico dele já em final de carreira pelo West Ham em que SOZINHO levou a equipa às costas...depois lesionou-se e nunca mais o vi a jogar. Era um grande jogador
Futre, um dos maiores de Portugal. Quem sabe ainda cumpre o antigo desejo de ser presidente do SCP...
LL
Fernando,
Foi com sincera emotividade que li estas palavras que me dedicou. São os pequenos gestos que tornam uma carreira grande.
Abraço sincero para ti.
Paulo Futre
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