Acho piada a quem dorme de pijama. Não sei ao certo a razão. Talvez pelo ridículo de alguém perder tempo a vestir-se para se ir esfregar num colchão durante umas oito horas em estado de subconsciência profunda. Talvez pelo lado anti-sexual que o pijama representa, a par com as meias puxadinhas bem acima do joelho. Talvez por o pijama ter quase sempre um padrão um quanto infantil e próprio ao uso de diminutivos – com “ursinhos”, ou “gatinhos”, ou “patinhos”. Talvez por associar o pijama a qualquer coisa de flanela, e associar a flanela a qualquer coisa de maricas. Talvez por achar que alguém que o use goste de piadas sem malícia (o António Sala, por exemplo, usa pijama de certezinha). Talvez por tudo isto que acabei de dizer.
O que realmente me espanta é o facto desta vestimenta ter aparecido. O que é que aconteceu que levasse alguém a pensar que um pijama seria solução. Se alguém alguma vez me dissesse que tinha uma ideia para um negócio que consistia em vestir as pessoas que se queriam ir deitar, eu, além de me rir à gargalhada, acusaria tal pessoa de ser uma pobre lunática que sofria de parvoíce aguda e imprimiria a cara de parvo dele para mostrar ao resto do mundo como exemplo de patologia neurológica. Mas pelos vistos enganar-me-ia. Não só existe, como vende. Naquela flanela amaricada, vende. Naqueles padrõezinhos de ursinhos e gatinhos e patinhos, vende. Naquele anti-climax tão sinónimo de empata-fodas, vende. Vende, meu Deus, vende.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
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2 comentários:
Eu concordo. se temos sapatos vela e camisa que são trajes universais, para quê o pijama?
Na minha opinião as pessoas antes de se irem deitar deviam fazer o oposto de vestir o pijama, ou seja tirar a pele e pô-la a arejar para no outro dia não andarem a cheirar mal.
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