Pep Guardiola – O Passe
A par do já flyado Fernando Redondo, estamos perante o melhor pivot defensivo que já vi jogar. Sim , porque isso do Trinco ou Cabeça de Área é para os jogadores normais, não para Pep Guardiola.
Este menino que, com 19 anos, Cruyff escolheu para comandar o seu batalhão de estrelas, foi o verdadeiro patrão do Dream Team. Inteligente, fortíssimo mentalmente, era um autêntco prolongamento do treinador no campo. E isto, recordo, com apenas 19 anos e numa constelação com Laudrup, Stoichkov, Romário, Bakero, Beguiristain, etc.
O seu posicinamento defensivo era logo um primeiro passo para lançar o ataque. Nada era feito ao acaso. Cada pedaço de relva que pisava tinha um propósito. Mas tudo era feito em soupless. Estamos a falar de um pivot defensivo que, ao invés de se preocupar com a marcação era, ele sim, alvo da marcação do médio ofensivo ou avançado contrário, por forma a cortar à nascença a fonte de todo o jogo blaugrana.
Posso até dizer que Guardiola é o meu tipo de jogador. Não driblava, não fazia muitos golos, não desarmava de carrinho, não “voava sobre os centrais” como diria Rui Veloso e, ainda assim, era um jogador fantástico.
Onde os outros viam pernas, Guardiola via relva, onde os outros viam ruelas, Guardiola via avenidas. Era uma espécie de robot do passe, com um telecomando personalizado, qual primeiro espécime da tribo Meo tão em voga hoje em dia.
Foi o inventor do olhar para um lado e fazer o passe para o outro mas, ao contrário da ostentação dos craques da actualidade que o fazem, para Guardiola era algo tão natural como apertar as botas, fazendo-o unica e exclusivamente para ludibriar os adversários. O mérito dos golos e as estatistícas que ficam nos anais são para os outros. O passe preencia-lhe a alma como os golos preenchiam a de Romário.
No futebol europeu actual vejo 3 jogadores que possuem algo de Guardiola.
Xavi, que foi o seu herdeiro natural numa 1ª fase, possui algumas das suas características mas acabou por não se fixar como pivot defensivo, tornando-se num fantástico médio all around. Andrea Pirlo, que recuou 20 metros no campo mas mantém os pés de veludo de fantasista, a inteligência acima da média e uma capacidade de passe notável.
Miguel Veloso, que, em termos de passe de ruptura e intuição, alternar o jogar curto com o jogar longo, tem alguma coisa de Pep naquele pé esquerdo.
Ao longo da carreira, foi sempre fiel ao seu Barça e assim lá passou quase toda a carreira, de 1990 a 2001, conquistando uma série de títulos, entre eles a, até então, inatingível Taça dos Campeões Europeus, 1 Taça das Taças, 2 Supertaças Europeias e 6 Ligas Espanholas.
Pelo meio liderou a selecção espanhola rumo à medalha de ouro do torneio olímpico do Barcelona 92, numa equipa que tinha também Cañizares, Luis Enrique, Ferrer, Abelard e Kiko.
Depois dos catalães, passou ainda uns anos no calcio (Brescia e Roma), terminando a carreira nos relvados mexicanos.
Hoje em dia, fruto do talento e da saudade que deixou em Camp Nou (e de continuar a ser um protegido de Johan Cruyjff), e após orientar as equipas primavera do Barça, é o treinador da equipa principal. Espera a afficion que deixe, como técnico, um legado semelhante ao que deixou como jogador. Agradece o Barça e o adepto do futebol total.
Se o Barça é “més que un club” Guardiola foi, seguramente, “més que un jugador”.
Deixo-vos 2 vídeos imperdiveis: a arte de Guardiola e um depoimento de Cruyff sobre os elementos que compuseram o Dream Team.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
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9 comentários:
"O mérito dos golos e as estatistícas que ficam nos anais são para os outros."
FF, gostei desta tua observação acerca de Guardiola. Realmente traduz tudo aquilo que me lembro desse grande jogador.
Ainda diria mais, Guardiola era um senhor em campo, nunca perdendo as "estribeiras" nem dando "pau" nos adversários.
Sempre foi um jogador que admirei e que adorava vê-lo jogar.
Era um encher de olho ver a magistralidade com que Guardiola "guardava" e comandava aquele meio campo, deixando o resto para os "tecnicistas" (Figo, Ronaldo, Geovanni, Rivaldo, Romário, Stoichkov, ... alguns destes que tiveram a honra de jogar a seu lado, creio)
No entanto, sempre pensei que ele tinha jogado num clube qualquer no médio-oriente antes de terminar a carreira.
Gostaria de acrescentaria à lista que apresentas como semelhantes a Josep Guardiola, um outro jogador que sempre admirei e que sempre achei muito semelhante:
- Demetrio Albertini
Exelente post, sobre um "rei menor"! E digo menor, pois os numeros que falas são os que ficam para a história dos menos atentos.
Exelente Fly.
Jogou no Médio Oriente sim senhor, entre o calcio e o futebol mexicano. Por pouco tempo mas jogou.
Muito bem, Paulo Silva
Grandissimo jogador. Fica bem na constelação de estrelas do Gostas de Fly.
LL
Tenho a acrescentar que no 2º Video, Cruyff se esquece de dizer quando aparece escrito "Nando", "autor de mais um excelente post em Gostas de Fly".
Guardiola por tudo o que disseste merece estar entre os melhores. Repetindo o dito por MA, nunca perdia as estribeiras nem dava "pau", um senhor.
Obrigado FF por mais um fantástico post.
Grande jogador!!!!!
Esqueceste de um grande jogador que lhe fez companhia no Barça.
Emanuel Amunike. ehehehehe
Excelente trabalho
Grande post,
muitos parabéns!!
FF de facto tem qualquer coisa de Pepe Guardiola no seu modo de jogar futebol.
Lembro-me bem dos passes do Guardiola, em que levantava a cabeça e pronto já se sabia que a bola ia parar exactamente aquele jogador desmarcado e que passado 1 minuto Guardiola estava com aquele sorrisso meio envergonhado na cara por saber que o passe tinha sido brutal!!
bom post sem dúvida, PEPE é grande
sorry, esqueci-me de assinar.
abraços,
duarte
Belo texto. Este acompanhou-me no crescimento.
E gostei de teres falado em Catalães e não em Espanhois. Haja alguém.
Deixa-me adivinhar ..
Este ultimo comentário foi do RBF!!
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