Que Jack Nicholson é um génio toda a gente sabe, que é o melhor psicopata/louco/esquizofrénico da história do Cinema, não é novidade para ninguém, mas que deve agradecer o seu 1º de 3 Oscares à Rígida Alfandega da antiga Checoslováquia duvido que muita gente saiba. A prequela real de Voando Sobre um Ninho de Cucos, um filme predestinado que foi guardado para os génios certos no momento certo, é feita de contornos irreais provavelmente intrínsecos aos próprio filme.
Decorria o ano de 1963 quando Kirk Douglas após protagonizar a peça de teatro Voando Sobre um Ninho de Cucos na Broadway, parte com a mesma para a Europa do Leste. Na Checoslováquia conhece Milos Forman um jovem realizador Checo, convidando-o de imediato a realizar a peça no grande écran. Regressado aos Estados Unidos envia-lhe o livro por correio, Forman nunca respondeu.
Douglas não desiste, e mesmo sem Forman decide avançar com o filme, mas os direitos da peça estavam bloqueados. Os anos passaram e Kirk Douglas, já com os direitos da peça, viu-se sem idade para a protagonizar, e passa-a para o seu filho Michael Douglas produzir. Michael Douglas consegue financiar o projecto e ao procurar um realizador, descobre Milos Forman, entretanto a viver em Nova Iorque e já com currículo e fama. Quando o velho Kirk e Milos se reencontram mais de 10 anos depois, chegam à conclusão que Forman nunca recebeu o livro já que o mesmo foi confiscado pela Alfandega Checa, resultado: o filme foi realizado pelo mesmo Formam 13 Anos depois mas com uma diferença... Nicholson.
Quanto ao filme, passa-se num hospício onde McMurphy (Nicholson) dá entrada fazendo-se passar por louco para fugir à condenação por agressões diversas e abuso de menores ("...she was fifteen going on thirty-five...", desculpa-se). A partir daí o filme é pura genialidade, Forman tem esse hábito que é fazer grandes filmes, consegue-nos deslumbrar com a delicadeza com que nos conta cada cena, é inigualável, consegue através da frieza de um hospício e de uma dúzia de lunáticos que o habitam levar-nos num ápice da emoção à gargalhada. O final é memorável uma verdadeira lição de vida. Forman voltará certamente ao Gostas de Fly.
No meio de tudo isto, Nicholson no seu auge (aliás nunca saiu dele), simplesmente frenético, incendiando cada cena em que entra. Neste filme várias vezes nos questionamos se a loucura de McMurphy é real ou ensaiada, na minha opinião Nicholson nunca o revela.
Danny de Vito, Cristopher Lloyd entre outros compõem o insano elenco com interpretações notáveis. Louise Fletcher interpreta a enfermeira chefe que é o oposto à rebeldia de McMurphy e passa uma das mensagens principais do filme, personifica a opressão, a intransigência a tacanhez...e ao que tudo isso conduz.
Uma imperdível celebração da loucura.
Os Oscares de 1975 foram dominados por este filme, Melhor Actor Principal, Melhor Realizador, Melhor Filme, Melhor Actriz Principal e Melhor Argumento Adaptado (um best seller de Ken Kesey), estreia de um grande Oscarizado em Gostas de Fly, o vídeo abaixo é precisamente Nicholson a receber a devida e merecida estatueta:
6 comentários:
fantástico post. desconhecia tudo isto excepto que o filme decorria num hospício e que o actor principal era o grande Jack Nicholson. Nunca vi mas tá prometido. Assim mo disponibilizem.
Um óscar para Filipe Neves, sff.
Bem, aqui nada a dizer. O filme é genial, Forman é brilhante, Nicholson é um dos melhores actores de sempre, até Danny de Vitto tem uma interpretação enorme.
Não havia forma de não resultar.
RBF
Nunca vi este filme, porque tenho um trauma muito grande com este senhor Jack. Vi o filme Shining quando tinha uns 6,7 anos e ainda tenho um medo desgraçado deste senhor.eheheheh
Mais um para a lista.
Grande Post.
Pois é ...
Sinceramente não conhecia muito acerca do filme, nem mesmo que teria sido primeiramente interpretado por Kirk Douglas no teatro e que teria sido ele o grande incentivador da passagem da obra dos palcos para os ecrãs.
Mais uma exelente pérola escrita por FN, lapidada da forma a que já nos habituou.
Se um dos intuitos deste Gostas de Fly é "ensinar-nos" coisas novas, com este post descobri, sem margem para duvida , muito acerca deste oscarizado filme.
... muitos criticam Jack Nicholson, precisamente por ter diversos papeis, nos quais encarna pessoas (como dito no post) com laives de loucura/esquizofrenia/psicopatia.
Gostava de saber a opinião do autor FN, acerca destas criticas, tendo em conta filmes como Batman, Anger Management, também protagonizados pelo Jack.
Obrigado master aucrun, em resposta à tua questão:
Esqueceste-te do The Shining do Kubrik onde ele atinge o seu auge nesse tipo de papéis. É uma interpretação mais crua e brutal, do que a do Voando Sobre um Ninho de Cucos.
O papel de Anger Management é à semelhança do fantástico "As good as it gets" (outro Óscar) o refinar de Nicholson para papéis mais Humorísticos e menos cáusticos, e a prova da versatilidade de Nicholson para personagens menos densas.
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