terça-feira, 17 de março de 2009

Gostas de Fly - Futebol - Jornada 18

Dragan Stojkovic – Piksi, Pixie ou Pixy

Se há motivo para os ex-jugoslavos serem, no futebol, muitas vezes apelidados de brasileiros da Europa, Dragan Stojkovic é, seguramente, um deles.
A este prodígio, com nickname retirado de cartoon de Hanna & Barbera, bastaram 3 treinos para assinar com um clube de 1º divisão, o local FK Radnički Niš, e, com 18 anos, era titular na selecção jugoslava no Euro 84.

Era um predestinado, com uma capacidade técnica e uma habilidade só ao alcance dos eleitos. Fazia do terreno de jogo um playground, como diriam os americanos, numa aura mais basquetebolista; ou, se quiserem, ao contrário da F1, onde, em determinadas curvas, se distinguem os homens dos rapazes, dentro nas 4 linhas, Piksi continuava a ser o menino que jogava futebol de rua com a malta mais crescida.

A esta altura e porque estamos a falar de alguém que não será Top of Mind para o adepto comum, vocês estão a pensar que estou a pintar demasiado a manta (lá está o Zé Barros do baixinho) e desejosos de ver o vídeo para tirarem as vossas conclusões...
Mas esperem mais um pouco e deixem-me colocar mais uma pitada de sal e pimenta para temperar a mussaca (prato típico sérvio).
É que estamos a falar de um menu que, tinha traços de Zidane como entrada, misturava um pouco de Del Piero e Roberto Baggio como prato principal e apresentava como sobremesa uns laivos de Laudrup.

5 épocas após a estreia, ingressou no mítico Red Star Belgrade, onde esteve 4 épocas, mas onde bastaram apenas 2 para se tornar capitão de equipa e uma lenda – o reconhecimento veio com a atribuição da Zvezdina Zvezda (a estrela do Estrela Vermelha), título apenas a tribuido a 5 jogadores em toda a história do clube (e nenhuma delas ao plantel que venceu a Champions em 1991 – fala-se em poderem vir a atribuir a Dejan “Il genio” Savicevic). Em Belgrado venceu 2 títulos e foi considerado MVP outras tantas vezes.
Saíu em 1990 para o fabuloso Olimpique Marseille de então, onde alinhavam, entre outros, Carlos Mozer, Manuel Amoros, Basile Boli, Abedi Pele, Chris Waddle e Jean Pierre Papin. Quis o destino que, meses depois, chegasse à Final da Champions...para defrontar o “seu” Estrela Vermelha, onde tinha deixado Belodedic, Jugovic, Savicevic, Mihajlovic, Prosinecky e Pancev. Piksi tinha começado o seu calvário de lesões no joelho direito e começou a partida no banco. Entrou no decorrer do jogo e, quando nomedo para cobrar uma das grandes pennalidades no desempate, recusou-se – contra o seu Estrela Vermelha não o fazia! Resultado: Estrela Vermelha campeão da Europa e Stojkovic emprestado ao Verona.
Regressou no ano seguinte ao Velodrome mas 2 anos depois fartou-se (há até quem fale em agressões dos franceses) e rumou, ainda com 25 anos, ao futebol japonês. Destino: o Nagoya Grampus Eight, treinado por Arséne Wenger (o homem está em todas) e onde alinhava o também mítico Gary Lineker. Aí permaneceu durante 7 épocas, conseguindo 1 distinção como MVP e várias nomeações para o 11 ideal da prova. Terminou aí carreira em 2001 e, após uma passagem como presidente do Red Star Belgrade, é actualmente, treinador do Nagoya – não é só João Simão da Silva que tem 2 amores.

Antes do vídeo apenas uma menção ao Mundial de 1990. Capitaneada por Stojkovic, o planeta viu das melhores selecções jugoslavas de sempre. Até aqui o vosso amigo já tinha a Jugoslávia como underdog da bella Italia quando, nos ¼ final, surgiu um tal de Goycochea e interrompeu o sonho da marca dos 11 metros...e porque os génios também falham, Stojkovic desperdiçou e Maradona perdeu a aposta para Ivkovic.

Agora sim, vejam o vídeo! Depois falamos.
Ah, e sim, há mais uns quantos destes.

4 comentários:

Master Aucrun disse...

Depois de ver as imagens, apenas uma expressão me vem à cabeça para descrever Pixie... "O Quebra-rins".

Tenho de admitir, no entanto, que não me recordava/recordo de o ver jogar ...

Mais um delicioso post de FF, que caso referisse a uma qualquer receita culinária, me levaria imediatamente às compras para a confeccionar logo para o jantar.

FN disse...

Os Posts de Nando apuram… apuram e apuram... qual José Barros qual quê?! Destes é que fazem falta a GDF, jogadores que a malta já não se lembrava e que só a cabecinha do nosso pequenino vai buscar.

Nós é que somos chamados os Brasileiros da Europa, mas os Juguslavos (ioguslavos como diria o prof. João Moutinho do Basket) na minha opinião sempre o foram mais que nós (e se aquilo não se tivesse separado tudo, eram uma potência do futebol diabólica). Quanto ao Stojkovic, lembro-me dele como cabeça de cartaz da poderosa Juguslávia de 1990, mas jamais poderia torcer contra a minha alvi celeste!!! Lembro-me também de ter sido muito massacrado com lesões (o calvário que falas).



Texto soberbo!

Anónimo disse...

Não me lembro deste jogador. Aí está FF a educar-nos.

2 considerações:
- Fintas e mais fintas
- Poucos golos para tantas fintas (pode ser da escolha de imagens)


LL

Anónimo disse...

Curioso, ontem fui ver um concerto dos Dazkarieh, banda de raiz portuguesa aprinhada por... José Barros. E agora vem ele ao texto. Sei que dos Navegante houve apenas 3 pessoas a ouvir as músicas (Puto, Fernando e Neves) e um deles gostou. O resto da malta fala por associação de ideias.

Quanto ao post, já não me lembrava do Stojkovic. Gostei de relembrar, até porque esta foi uma altura em que ligava muito mais a futebol do que ligo hoje - acho sinceramente que o desporto rei está a perder virtudes (muita paragem, muita fita, muito amuo, muita polémica, muitos bastidores, e muito pouca bola). Quando nos dias posteriores aos jogos se fala dos árbitros tanto ou mais do que se fala dos jogadores algum coisa está mal - não há nenhum desporto assim, nem um que seja. Enfim, um desabafo.

Já em relação a Mundiais e Selecções Jugoslavas, pois ainda bem que já não a temos de ver com essa designação. Ainda bem que há Sérvias e Eslovénias e Croácias e Montenegros. Só a Bósnia é que está mal.

É preferível uma Sérvia unida que não se qualifique para o Mundial do que uma Jugoslávia decadente que seja Campeã do Mundo.

Não preciso assino.

Abraço,