Enzo Scifo – O Príncipe Belga
Se formos, agora a posteriori, analisar o que foi a carreira de Enzo Scifo, terei de aceitar que considerem que possa não merecer estar junto a alguns dos flyados com os quais aqui nos temos deliciado. Mas quem, em 1983, com apenas 17 anos, o viu pegar de estaca no então tubarão europeu RSC Anderlecht e, 1 ano depois, o viu comandar os Diabos Vermelhos no Euro 84, não pode, ainda hoje, ficar indiferente a um talento natural como o deste italo-belga (era filho de imigrantes italianos e também por isso, o seu futebol era produtos destas 2 escolas)
Um dos que compartilha a minha paixão é Luis Freitas Lobo que se refere assim a Scifo no seu site: “parecia ter olhos nos pés, jogava com a precisão de um relógio suíço, driblava com a malícia dos latinos e ocupava os espaços com o frio sentido táctico anglosaxónico. Todos o viram como o novo príncipe do futebol europeu”. Lapidar! Era o meu jogador de eleição da época. De tal forma que invejava solenemente um puto lá da escola que tinha a maglia 14 do Inter já com o nome Scifo (era o início da febre das camisolas personalizadas).
Mas após 4 épocas e 3 Ligas Belgas ao serviço do Anderlecth e disputado por mais de meia Europa, a sua ligação a Itália falou mais alto e ingressou no Inter. Aí começou a esfumar-se o seu encanto e a perder-se a sua magia. Lamentou-se o velho Trap que o terá contratado demasiado cedo.
Daí em diante a sua carreira assemelhou-se a uma montanha russa, com mais baixos que altos em clubes de 2ª linha da Europa como Bordéus, o Auxerre (Championnat), o Torino (Copa Itália) e o Mónaco, regressando ao seu Anderlecht em 1997 para terminar a carreira (embora depois ainda tenha tentado fazer 1 época no Charleroi mas sem efeito devido a lesão).
Só ao nível da selecção se manteve sempre em alta. Depois do debut no Euro 84, participou ainda 4 Mundiais (86, 90, 94 e 98), com especial destaque na terra dos Aztecas, onde na fabulosa equipa de Jean Marie Pfaff, Eric Gerets, Georges Grun, Leo Clijsters (o pai da Kim Clijsters), os irmãos Franky e Leo van der Elst, o fabuloso Vercauteren, o letal Vanderbergh e o mítico Jan Ceulemans, apenas foi parado por El Dios na semi-final. Verdadeiros Diabos Vermelhos que me marcaram a imberbe juventude.
Que este post seja também uma devida homenagem ao futebol belga dos eighties que muitos de vocês não tiveram hipótese de ver e, dificilmente, voltará a honrar a tradição. (agora apenas um parêntesis para insultar o Lozano, um maldito espanhol que, na altura no Anderlecht, roubou ao glorioso a Taça Uefa de 1983).
Deixo-vos então com 3 curtíssimos vídeos que mais não são senão o espelho do que foi a carreira de Scifo, ou seja, um tremendo potencial do qual não verão seguimento...se Scifo fosse português, eu baptizá-lo-ia de Hugo Leal.
segunda-feira, 30 de março de 2009
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2 comentários:
Tudo o que vem de bom dos anos 80/90 vem com aquele toque de classe especial, uma classe pura e intrínseca e completamente natural, não como as estrelas de hoje em dia que são compradas por milhões não só para jogar mas também para vender camisolas, parecem quase artificiais.
Rever a selecção Belga desses anos é um sentimento ambíguo, por um lado é bom porque revemos grandes equipas e jogadores desses anos (com o tal requinte e classe), por outro é mau porque Portugal estava sempre de fora e revíamo-nos mais nessas selecções que na nossa (a minha referência, volto a frisar, é a eterna alvi-celeste).
Scifo foi mais um nos nomes que brilharam nesses tempos entre nós, (se calhar por falta de referências nossas), mas um nome sempre a recordar de um grande jogador, mais uma vez com a grandeza de FF.
3 apartes:
Vídeo 1 – QUE JOGADA!!!
Video 2 - Demonstra a carreira de Scifo, 1º um baixo com aquele pontapé na atmosfera e depois um grande alto.
Video 3 – O comentador faz lembrar o nosso Gabi Alves, mas na língua de Cervantes.
Certamente que devo padecer de qualquer doença que me afecte a memória, pois lembro-me muito vagamente de ver Enzo Scifo jogar nas suas equipas.
Lembro-me, no entanto, perfeitamente dele e da sua selecção, onde pontilhavam também outros grandes jogadores da altura, tais como os já citados Pfaf, Gerets, Grun (para mim um dos melhores jogadores belgas de sempre), mas outros também que me recordo de ver jogar mais ou menos nessa altura, tais como VanderLinden e o seu cabelinho comprido atrás à Marco Paulo, o nosso bem conhecido Preud’Homme (mais tarde) e o nosso outro tão conhecido Stefan Demol.
Subscrevo totalmente as palavras do LL, quando diz que é urgente que, quem tenha capacidade de decisão na FPF, e clubes e afins, de ver o que se passa com o futebol português …
Em relação aos videos … são ambos uma delicia … numa altura que se contam os kns corridos por cada jogador, gostava de saber quantos passes consecutivos sem intercepção pelo adversário terá a selecção da Bélgica dado no lance do primeiro golo? Grande jogada…. E melhor finalização.
Mais um grande post de FF, sobre um jogador cuja carreira me passou um pouco ao lado …
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