"Gostas de Fly?" porque houve alguém que o perguntou e houve outro alguém que fez disso mote para uma rubrica que já se estende à música, ao cinema e à bola. E por isso, um muito obrigado HD.
O Gostas de Fly Cinema, após longa ausência tem hoje um aguardado regresso, pois muitos desejaram, alguns pediram, poucos suspiraram, nenhuns suplicaram e zero choraram. Como sentimental que sou não pude ignorar tal apelo, tal suplica desesperada pelo que convido os co-autores deste pasquim, deste raio de sol semanal que ilumina as vossas almas, a seguirem as minhas pisadas e debitarem algumas linhas, RBF, FF, PS e LL o mundo aguarda-vos.
Depois deste mini prefácio, agora sim, sigamos em frente.
Sendo esta uma edição de regressos, tenho que vos falar de um filme de regressos. Do regresso de um Homem Mesquinho, Hipocondríaco, Franzino, Misantropo, Complicado, Brilhante e Genial à Cidade que ama, que o viu nascer. Woody Allen é o dono absoluto da Comédia Romântica Genial, é isso que que o move, isso e claro homenagear Nova Iorque.
Depois do Poker Europeu que iniciou com o obscuro e genial Match Point (Obra Prima indiscutível) e terminou com o artístico Vicky Cristina Barcelona, Woddy Allen delega no seu semelhante Larry David (Pai de Seinfeld e inspiração de Costanza) a responsabilidade de voltar a casa com Whatever Works, um filme de 2009.
Larry responde com uma personagem igual a tantas outras que Allen interpretou e esse é o maior elogio que se lhe pode fazer. A genialidade está lá, escondida em cada diálogo ou personagem que saíram do aparo do mestre.
Quanto ao filme, igual a tantos outros, é uma Comédia Romântica Genial das mais genuínas, com Hipocondria e Mesquinhez e Humor Negro garantidos, mas uma das melhores Homenagens que Woody Allen jamais fez à sua cidade, soa quase a pedido de desculpa pela ausência de 4 filmes. A mensagem está lá é só compreende-la.
Termino com um conselho, vejam pelo menos um filme de Woody Allen na Vida, pode-vos apetecer esbofetear-lo no final, mas garanto-vos que vale a pena.
Pode muito bem ser embirranço meu, especialmente porque pessoalmente nunca gostei muito do André Lima como treinador.
Chamem-me subversivo, intolerante, desconfiado ... mas nunca me saiu da cabeça que a transição dele para treinador principal de futsal do Benfica, despedindo no processo o Beto Aranha que até tinha ganho tudo o que havia internamente para ganhar no ano anterior, foi algo de muito suspeito.
Mas enfim ... tenho de dar o braço a torcer e neste momento é altura de comemorar ... e de o parabenizar ... a ele, aos jogadores e a toda a nação benfiquista.
A vitória de domingo, além de histórica, teve quase que algo de hercúlea ... quase que etéreo, pois até mesmo no Futsal muitos preferiram acreditar que a nós, lusos, ainda não temos condições nem mentalidade para estes voos.
No entanto, imediatamente após o triunfo sobre o Interviú teceu variadíssimos comentários, muitos deles ainda no calor da emoção e excitação normal de quem acaba de ser considerado o melhor da Europa na sua especialidade, mas um em particular caiu-me no goto ...
Já não é a primeira vez que alguém da nossa praça pública se refere ao Pavilhão Atlântico como “local tão emblemático”, e isso, meus amigos ... é algo que a minha moleirinha ainda não conseguiu atingir ...
Porque é que raio que o Pavilhão Atlântico há-de ser um local emblemático? O que é aquele espaço construído por alturas do Euro 2004 tem de tão especial para que tanta gente assim o considere?
Sinceramente não sei ... provavelmente por já lá terem tocado Elton John ou os Tokyo Hotel ... ou por já lá ter passado o Noddy e a Vila Moleza ...
Enfim ... não sei ... talvez algum de vós me possa elucidar sobre este assunto ...
É no estado do Colorado, nas Rocky Mountains (EUA) que em Pikes Peak, se disputa uma das corridas mais espectaculares para os pilotos, e mais dura para as maquinas, o “Pikes Peak International Hill Climb”, também conhecida como a corrida às nuvens.
Alguns dados: Distancia – 20km (sempre a subir) 156 curvas Inicio da prova aos 2.862 metros acima do nível do mar Final da prova já depois dos 4000 metros acima do nível do mar
Apesar de pouco divulgada na Europa, esta prova faz parte das corridas oficiais da FIA (Federação Internacional Desporto automóvel) e disputa-se deste o ano 1916.
Eu apenas "descobri" esta prova porque investiguei um pouco sobre um carro brutal que existia no jogo "Gran Turismo", o Suzuki Escudo Pikes Peak... que avião... enfim, adiante.
Nos últimos anos o número de participantes andou à volta de 150, sendo que o record oficial da subida mais rápida, cabe actualmente a um piloto… Japonês… num carro… Japonês… hehe Em 2007 com o tempo de 10:01.408, o Suzuki XL7 Hill Climb Special bateu o anterior record (feito em 2004), e quem pilotou este “mostro” de 1000cv foi Nobuhiro Tajima. Por curiosidade, o tempo do vencedor da primeira edição, em 1916, foi de 20:55.40.
A prova é dividida em “automóveis e trucks” e “motos e moto 4”, com a classe dos automóveis e trucks a ser sub-dividida em várias sub-classes, tais como: - Unlimited (vale tudo – é a classe principal e onde se tenta bater o record) - Pró Trucks - Time Attack 2wd - Time Attack 4wd - Vintage
É uma pena que não seja dada a devida atenção que esta prova merece. Quem sabe a Sport TV não nos surpreende já este ano, a corrida é no dia 19 de Julho.
Deixo-vos alguns vídeos para vos abrir o “apetite”:
Muito havia por dizer sobre esta mítica e emblemática marca italiana, talvez a marca transalpina mais iconografia, mas logicamente que este Fly não chega para vos dar toda a história nem todas as características que fizeram deste simples veiculo de duas rodas o que ele é e representa hoje.
Deixo-vos apenas algumas informações para vos abrir o “apetite” para se vos interessar pesquisarem um pouco mais.
A Vespa surgiu no ano 1946 no pós guerra. Na localidade de Pontedera, a fabrica de aviões foi devastada por bombardeamentos, pelo que foi como forma de aproveitar algum material não utilizado desta fabrica foi pedido que inventassem um veiculo simples, robusto, fiável e barato. O design foi inspirado na scooter militar de origem norte-america (quem diria...) Cushman.
O sucesso na Europa e America do Norte foi imediato, com o seu design com protecção frontal contra a chuva e vento, bem como o motor tapado, o que evitava a sujidade da roupa com óleo e afins. Este foi um motivo muito importante para que este modelo fosse muito bem aceite pelas mulheres.
A expansão por mercados emergentes tais como a India, Taiwan, Indonesia, etc, foi bem conseguida, tendo o baixo custo e alta fiabilidade como características essenciais. Nestes países, a marca mãe fez acordos com construtores locais de forma a que a produção da Vespa passasse a ser feita localmente, o que proporcionava um custo ainda melhor.
Até ao momento existiram 138 diferentes versões da Vespa, com transmissão manual ou automática e diferentes versões de design. Apesar de não ter evoluído muito a nível estético, que é realmente a imagem de marca, a nível técnico as evoluções têm sido constantes, com a passagem dos motores de 2 para 4 tempos, com as transmissões automáticas e com estudos para um futuro breve, tal como a Vespa híbrida (gasolina + eléctrica).
Quando a Vespa fez 50 anos, em 1996, já tinha vendido a nível mundial mais de 15 milhões de veículos... O numero actualmente vai em mais de 20 milhões... impressionante.
Quando alguém com o estatuto e méritos reconhecidos como Sir Alex Ferguson confessa que o maior erro da sua carreira foi não ter contratado Gascoigne ao Newcastle, então com 21 anos, parece-me um excelente certificado de qualidade, uma ISO 9001. Dizia o técnico escocês “we gotta have this boy, is the best I’ve seen for years and years”. Já nessa altura, Sir Alex estava certo. Desde o tempo de Bobby Charlton que não se viu um futebolista que encantasse e criasse tanto euforia no reino de sua Majestade. Nem mesmo Keegan conseguiu criar tanta excitação. E entre Charlton e os recentes casos de Beckam, Lampard, Gerard e Rooney, creio poder afirmar que Gascoigne foi o melhor jogador inglês desses 30 anos.
Olhando para o seu currículo a nível de clubes (Newcastle, Tottenham, Lazio, Rangers, Boro, Everton, Burnley e algum exotismo asiático) e a nível de títulos colectivos (1 FA Cup, 2 Scotish Leagues, 1 Scotish Cup e 1 Scotish League Cup) isso não é comprovável mas, a marca que deixou em todos aqueles que gostam de futebol, essa vai para além dos “canecos”. Fica para todo o sempre e na memória de cada um. Como diria António Oliveira “quem não viu, não volta a ver”.
Gascoigne era um jogador electrizante, de alta voltagem, de elevada rotação. Apesar de um talento LP, nas velhinhas aparelhagens teríamos que o ouvir com um single, em 45 rotações. O seu futebol era a extensão da sua personalidade, louca, imprevisível, insconsciente, com tudo o que isso tem de positivo e negativo. Se estamos perante um jogador que, se nem ele tem ideia do que vai fazer a seguir, então como será possível antecipar o movimento e contrariá-lo. Esqueçam as observações e os relatórios sobre os adversários. A lógica não será uma batata mas um louco inglês com fogo nas botas e corrente eléctrica por todo o corpo. Um médio todo o terreno, com velocidade, capacidade de drible, condução de bola e remate de meia distância com ambos os pés. Um rompedor mas também organizador e cobrador de bolas paradas. Sprint, drible, tackle, pressing, tudo a 100 à hora.
O Mundial de 90 foi talvez o seu ponto mais alto, antes de todas as lesões que condicionaram a sua ida para a Lazio e a restante carreira (em 91 sofre uma grave lesão nos ligamentos cruzados e um ano depois, quando começava a voltar a jogar, fractura num treino a tibia e o perónio). Carregou a selecção inglesa até ás meia finais, onde viria a perder frente à Alemanha no desempate por grandes penalidades. Mas o que mais ficou desse jogo não foi o resultado final, foram as lágrimas, em pleno relvado, que Gascoigne verteu quando foi admoestado com o cartão amarelo que o afastava da final, assim a Inglaterra lá chegasse. São imagens inesquecíveis, que correram mundo, ao nível das de Eusébio no Mundial de 66. Era a Gazzamania no seu auge, assim descrita por LF Lobo, “finalmente a Inglaterra tinha um jogador capaz de tirar o fôlego a toda uma nação que tradicionalmente contêm as suas emoções. Com ele, a “velha albion” exultou, sofreu, riu, chorou e descobriu que o futebol dos tempos modernos é paixão, génio, noite e dia, crespúsculo e alvorada, tudo ao mesmo tempo, durante noventa minutos”.
Tento retratar todos estes capítulos e convertê-los a esta causa, através de 3 vídeos: pelas palavras de Sir Alex Ferguson, pelos olhos do amante do futebol e pelo coração do povo inglês.
Luc Besson é um dos meninos rebeldes do Cinema Europeu, actualmente completamente “Hollywoodizado” trata-se do realizador Francês (e um dos Europeus) com maiores créditos firmados no Cinema de Acção. Distinguido-se por planos vertiginosos, em filmes repletos de movimento como o são as Sagas Taxi e Transporter ou o “Gaultiézado” Quinto Elemento, teve em 1994 o ponto alto da carreira com um Fantástico Leon. Um filme que ultrapassando a barreira dos Action Movies acaba por ser uma das mais improváveis histórias de amor que o cinema viu, apesar da censura americana ter proibido algumas cenas que achou impróprias para uma garota e um assassino a soldo. A versão europeia está como Besson a pôs ao mundo.
Leon é um Hit Man, interpretado por Jean Reno (um dos actores fetiche de Besson) que se vê obrigado a acolher uma garota impedindo que esta fosse executada por uns polícias corruptos (inesquecível essa cena). A ambiguidade da história é notável pois por um lado é-nos mostrada a relação quase Edipiana entre Mathilda e Leon, e por outro é-nos dado a conhecer Leon na sua pura crueldade (assassino sem remorsos cuja única relação que tinha era uma planta), matando a soldo e treinando Mathilda para que esta possa vingar a sua família.
A bela Natalie Portman (a Princesa Leia dos novos Star Wars) nasce para o Cinema às mãos de Besson como Mathilda e brilha bem alto (apesar de demasiado nova arrasou no casting). Jean Reno confirma os créditos que fazem dele o mais famoso actor francês da Actualidade. O mau da fita (que alguns anos mais tarde voltaria a ser vilão de Besson como o Tirano Zorg no 5º Elemento) é Gary Oldman talhado para este tipo de papéis eleva claramente a fasquia do filme.
Não esperem um filme de acção carregado de tiros, mortes e perseguições (à boa maneira de Besson), adicionem-lhe o factor surpresa que é uma garota de 12 anos e um assassino que a adora, entra claramente nos filmes que este vosso amigo declara como “ Must ver antes de falecer”, um elogio à sétima arte.
A escolha de Ruud Gullit para ser um dos flyados demorou algum tempo porque me é muito complicado falar sobre ele, descrevê-lo. Isso sucede pela admiração e, sobretudo, pela dificuldade em catalogá-lo ou rotulá-lo como jogador. É que mais que um jogador, Gullit era, sobretudo um grande atleta. Creio sinceramente que, se não fosse no desporto rei, Gullit pode ter sido um atleta de eleição em várias outras modalidades. Tinha uma compleição física, uma coordenação motora, uma inteligência e concentração ao nível da elite. Era uma mistura de culturas e influências (pai oriundo do Suriname e mãe holandesa) que resultaram num cocktail explosivo e de difícil definição. Não é seguramente por acso que foi um dos grandes jogadores da história do futebol laranja (e dos anos 80 em particular) que não tinha a escola, o rigor, o modus operandi do Ajax. Era esse lado de "bom selvagem" que eu tanto apreciava no Bob Marley do pontapé na bola.
A sua versatilidade era tal que jogou em posições tão diferentes como médio ofensivo, pivot defensivo, líbero, ala direito ou ponta de lança. E sempre com rendimento de alto nível. Ainda hoje não sei exactamente em que posição rendia mais ou, visto por outro ângulo, em que dava mais espectáculo. Talvez não fosse nota 10 em nenhum dos capítulos do jogo mas também não conhecia classificações abaixo da nota 8. Digamos que, se fosse um país, seria um qualquer país tropical, com baixa amplitude térmica e destino para todo o ano. Impulsão, jogo aéreo, remate, técnica qb, capacidade de pressão, velocidade e perfil de liderança, ou não tivesse sido capitão da Samp, da Chelsea e da selecção Holanda (no Milan havia um tal de Franco Baresi). Embora com características bem diferentes, só me recordo de outro jogador de tão difícil descrição, o espanhol Luis Enrique. Também jogava de lateral direito a ponta esquerda e com uma intensidade de jogo que fazia jus á lendária fúria espanhola, tão habitué da roja.
A nível de clubes, a sua carreira começou no modesto HFC Haarlem, ingressando depois no Feyenoord (1 campeonato), onde alcançou o reconhecimento doméstico. Daí rumou ao PSV (2 campeonatos), clube que lhe permitiu o reconhecimento internacional e levou a que o Milan abrisse os cordões à bolsa para o contratar. No AC Milan, Gullit atingiu o auge da carreira, fazendo parte da, para mim, melhor equipa de sempre (3 scudettos, 2 champions leagues, 2 taças intercontinentais, 2 supertaças europeias e outros títulos domésticos). Era o futebol total do trio holandês adaptado ao futebol científico de Arrigo Sacchi que havia introduzido a marcação à zona. Após 6 anos em San Siro, o seu joelho direito começou a ceder e acabou saindo para a Samp. Ídolo novamente em Génova (taça de Itália, 3ª posição na Serie A e golo decisivo na remontada de 3-2 da Samp frente ao seu Milan), levou a que os rossoneri o resgatassem. Ainda assim, ficou somente meia época, regressando a Génova. Terminava o seu périplo no calcio...mas não no futebol de alta competição. Como pioneiro da tentativa do futebol inglês começar a resgatar grandes talentos europeus para dar outra dimensão e beleza ao seu futebol, Gullit ingressou no Chelsea. Aí permaneceu durante 3 épocas, terminando até como jogador-treinador e vencendo a FA Cup nessa condição. Apesar da idade, ainda deu outro estatuto à então ainda emergente Premier League. Abriu as portas a Zola, Vialli e Bergkamp entre outros e acabou até nomeado com 2º melhor jogador da competição, logo atrás do intratável Eric Cantona.
Também na Selecção deixou a sua marca, capitaneando a selecção laranja para a sua maior (e única) conquista de sempre a nível de selecção A: o Euro 1988. Comandou as tropas e na final, puxou dos galões, marcando o golo inicial e depois, seguramente, batendo palmas ao mais famoso volley da história do futebol, protagonizado por Marco Van Basten.
Longas mas merecidas linhas para alguém que marcou o futebol moderno. Para além dos títulos colectivos, Gullit coleccionou inúmeros prémios individuais, dos quais se destacam 2 FIFA World Player of the Year, 1 Bola de Ouro da France Football e presença nos 100 melhores jogadores de sempre nomeados pela FIFA.
A juntar a tudo isto, estamos perante um dos primeiros fenómenos de marketing. Quem não se lembra dos bonés laranjas, com longas tranças, que invadiram a Alemanha no Euro 88 e que ainda gerou uma bela disputa judicial aquando do seu divórcio (alegava a esposa que a ideia tinha sido dela)?
Para vos tentar passar um pouco da minha admiração e para que a compreendam, deixo-vos 3 vídeos que mostram o quão completo era Gullit e permitem ver a evolução da carreia. Um 1º vídeo com o seu início no PSV, um 2º vídeo com um medley Milan/Samp/Holanda e um vídeo final alusivo à sua estadia em Stamford Bride (último minuto e meio). Total Footbal do inventor da expressão Sexy Football (adjectivando a seleção portuguesa no Euro 96)
Esta mítica competição, também chamada de olimpíadas do 4x4, teve inicio em 1980. Mundialmente conhecida pela sua dureza física para os condutores e muito exigente para as maquinas, esta competição foi um dos suportes da notoriedade da Land Rover no final do século passado.
A para alem da componente “desportiva”, a competição tinha também objectivos de imagem, principalmente pela defesa do meio ambiente e das populações dos locais remotos por onde passava, tais como Sumatra, Madagascar, Tanzania, Papua Nova Guiné, El Salvador, Honduras, Zaire, Burundy, Guyana, Borneu e muitos outros locais longe da civilização.
Apesar das imagens principais serem a transposição de obstáculos “impossíveis” pelas robustas maquinas 4x4 inglesas, pintadas naquele amarelo tão característico, a competição envolvia também provas de bicicleta de montanha, escalada, kayake, etc, por isso a camaradagem e o trabalho de equipa eram fundamentais para o sucesso.
As equipas eram seleccionadas através de pré-eliminatorias locais em cada um dos países que pretendia participar, sendo que os candidatos eram seriamente testados a nível de condução 4x4, engenharia e resistência física.
Para verem a ligação umbilical que existia entre o Camel Trophy e a Land Rover, em 2000 a organização entendeu fazer uma edição em que o transporte não se fazia em 4x4 mas sim em barcos insufláveis a motor.
A competição desportiva foi um sucesso, mas o retorno para os patrocinadores não foi o esperado porque os espectadores não associavam as imagens ao Camel Trophy.
Resultado deste fraco retorno (ou não) a competição acabou, sendo o seu substituto anunciado em 2003, com a competição G4 Challenge.
No entanto esta nova competição perdeu o “charme” da sua antecessora e em virtude da crise económica mundial, em dezembro de 2008 foi anunciado o seu fim.
Pessoalmente adorava participar numa prova destas.
Em 1997 o Realizador Austríaco Michael Haneke escreve e realiza Funny Games, um polémico filme com dúbias interpretações onde a violência e a crueldade espreitam em cada milímetro de película. Sendo mais que pura e gratuita violência, neste filme Haneke tece uma dura crítica à sociedade, foi como que uma antevisão ao cada mais frequente número de jovens psicóticos que entram (por em exemplo) em escolas e desatam a matar, aqui os principais visados são claramente os media com toda a violência que fazem entrar nas nossas casas. Para visões menos periféricas - OK mais um filme violento.
A história é a de dois Jovens que tomam de refém uma família de turistas (Mãe, Pai e um Garoto) e com toda a sobriedade (sentados nos sofá como se assistissem à novela da noite) lhes vão propondo jogos cujo prémio é a vida, chega a ser desesperante assistir a esta tortura. No entanto Haneke consegue momentos brilhantes, em curtos espaços consegue levar-nos da luz ao fundo do túnel de volta ao fundo do poço, relembro (para quem viu) e recomendo (aos restantes) a cena do rewind no telecomando (mais uma clara alusão aos media), brilhante. Todo elenco é alemão composto por actores desconhecidos para o comum do mortal.
Este não é certamente um filme consensual que toda a gente adora, mas mérito seja dado a Haneke pois conseguiu todo o reconhecimento por este filme, entre outros prémios destaca-se a nomeação para a Palma de Ouro 97 de Cannes e um dos Vencedores do nosso Fantasporto 98, no entanto demasiado cruel e crítico para chegar à margem Oeste dos Estados Unidos.
Em 2007 Haneke repete a formula na versão americana do filme, com a diva Naomi Watts, Tim Roth (já era tempo de ser ele a sofrer) e Michael Pitt, um jovem actor que parece talhado para papéis de assassino psicótico. Perdeu-se o glamour, a novidade e a crueza do original.
Não é certamente um filme para todos os gostos, mas vê-lo será uma experiência inesquecível, o trailer deixa um cheirinho:
Ora iniciemos então este primeiro Gostas de Fly - On Weels.
Como já descobriram, esta primeira escolha não é nada obvia e de certo que alguns de vós (se não todos) ficaram desiludidos com a escolha, apesar de achar que no final concordarão comigo. - Não tem história - Não é bonito - Não é performance - Não marcou uma época - Ninguém famoso o celebrizou
O que torna este carro estão especial?
Julgo que, em vez de revolucionar, vai fazer-nos olhar de uma outra forma para os veículos, de duas formas: 1 - O preço de venda 2 – O previsível impacto no ambiente
Este pequeno veiculo de +- 3 metros de comprimento, 1.5 de largura e 580kg de peso é produzido na Índia e destinado essencialmente ao mercado interno. O seu preço... 1500€. O sonho de grande parte dos Indianos está muito próximo. Adeus andar à chuva em duas rodas Adeus grandes molhas na época das monções Olá transporte familiar (razoavelmente) confortável
Claro que isto é à custa de equipamento e materiais básicos, para alem do equipamento de segurança... ser fraquinho
Agora imaginem a Índia, com a sua imensa população, grande parte dela a andar de bicicleta (pollution free), a mudar em grande escala para um veiculo a motor, com tecnologia antiquada. Por outro lado os defensores invocam que o Nano é bastante menos poluente do que as motorizadas e os riquexós, o que será verdade, mas o perigo do aumento exponencial da poluição parece real.
Está prevista também uma versão adaptada ao mercado europeu, a ser lançada em 2010, adaptada para cumprir as normas anti-poluição e de segurança. O seu preço... nunca menos de 5000€. Ainda assim bastante mais barato do que a concorrência actual.
Deixo-vos alguns vídeos, onde podem verificar prós e contras do “bicho”:
No contexto do futebol inglês (do antigo e até, atrevo-me a dizer, do actual), Chris Waddle era uma espécie raríssima. Alguém que fazia da técnica individual, do drible e da finta de corpo o seu cartão de visita não era exactamente o protótipo do futebolista inglês. Num futebol de “kick and rush”, bastava uma recepção de bola ou um duelo 1x1 para se perceber que ali o jogo devia para uns segundos para regalo do olhar. “King of the drible”, diziam eles, raramente tendo possibilidade de assistir ao futebol continental. Mas Waddle até no futebol continental marcava a diferença. Havia mais mas não havia mais virtuosismo.
Quem o percebeu rapidamente foi o então colosso europeu Olimpique Marselha. Na construção da sua melhor equipa de sempre, viram em Waddle alguém que podia fazer a diferença e, juntamente com JPP, Basile Boli, Abedi Pelé e afins formaram um conjunto que, esse sim, fazia jus ao lema do clube “Droit au But”. Em 3 anos no Velodrome (proveniente do Tottenham), Waddle venceu os 3 Championnats e chegou à final da Champions (derrota nas GP frente ao Estrela Vermelha) mas, mais que isso, ganhou o reconhecimento da exigente e fanática plateia marselhesa, sendo votado como o 2º melhor jogador do século do clube (atrás do inevitável JPP).
Só os ingleses não lhe deram o reconhecido valor, já que tudo o que se passe fora da ilha, não acontece. Pura e simplesmente não existe. Ainda para mais, naquela época onde, após o êxodo de Kevin Keegan para o Hamburgo e de Gary Lineker para o Barça, quase nenhum futebolista inglês jogava fora do reino de sua majestade. Mas Waddle jogava e não com um inglês, antes como um extremo latino, holandês ou sul-americano. Foi o primeiro (que me lembro) a jopgar com o pé trocado (como diria o grande Wilson Brasil), ou seja, a jogar no flanco contrário. Canhoto por natureza, alinhava no flanco direito marselhês, inventando fintas de corpo e ganhando metros em diagonais para o meio que desmontavam qualquer defesa. Muito sofreu o Glorioso naquela noite no Velodrome. Durante algum tempo, Wwaddle usou cabelo comprido e era ver os cabelos a balançar para um lado e para o outro, seguindo o seu movimento de corpo e em sentido contrário a um defesa já ansiando por compaixão. Imagens inesquecíveis. Depois da aventura marselhesa e já com 32 anos regressou a Inglaterra para o modesto Sheffield Wednesday e aí assumiu completamente a equipa, mantendo-a na 1ª metade da tabela e chegando a 2 finais da taça e, a título individual, sendo reconhecido como futebolista do ano em 1993.
Na selecção esteve nas fases finais do Euro 88 e dos Mundiais 86 e 90, no último dos quais onde falhou 1 dos pontapés da marca da grande penalidade na semi-final com a Alemanha. Cá está mais uma prova da qualidade de Waddle: são sempre os grandes jogadores que falham nestes momentos.
Como legado futebolístico e tirando o caso excepcional de Ryan Giggs (esse é um fenómeno sem explicação), o mais parecido que vi surgir nos relvados britânicos foi Steve Macmanaman, que alinhoyu no Liverpool e no Real Madrid. Tinha um estilo semelhante, com mais velocidade e com maior sucesso imediato até, mas, para mim, sem aquele plus de toque de bola, de condução de bola, de sexy football e até um charme desengonçado que tinha Waddle. E ainda mais tinha a mania de se divertir em campo e fugir à rigidez táctica e afins, ou não se fosse “The Clown”, o outro dos seus nicknames. Para mim, era colar à televisão e desfrutar. Era ídolo mesmo. See 4 yourself!
Na linha dos filmes "Must ver antes de falecer" o Fly desta semana é a obra prima do Francês Frank Darabont - "The Shawshank Redemption" de 1994, uma adaptação do livro do Super Seller Stephen King, Rita Hayworth and The Shawshank Redemption - Aliás dos cinco Filmes realizados por Darabont, quatro são adaptações de obras do seu amigo pessoal Stephen King (The Woman in the Room, Shawshank Redemption, The Green Mille e o mais recente The Mist).
O habitat natural de Darabont é o Sobrenatural, a Fantasia, o atro, é esse o seu mundo de eleição para escrever/adaptar e realizar. O seu próprio nascimento parece saído de um dos livros de King, pois nasceu num campo de concentração Nazi (Pombo é este o termo?), sendo provavelmente daí que em alguns dos seus filmes os prisioneiros não são criminosos mas sim "anjos".
Pegando no pequeno martelo de escultor e começando a moldar o Fly desta semana, The Shawsahnk Redemption é a História de Andy Dufresne (Tim Robbins) contada pelo seu melhor amigo Red (Morgan Freeman). Dufresne é injustamente atirado para a prisão de Shawshank pela morte da sua mulher onde conhece Red a cumprir pena e é aí o ponto de partida.
Apesar de 95% deste filme se passar na prisão, todo ele é assente numa história muito boa e sobretudo bem contada, que foge muito além das paredes de cimento do pátio da Prisão. Darabont tem o mérito de ser minucioso, pegar em cada personagem (desde os prisioneiros aos guardas) e conferir-lhe uma personalidade única, além disso os pequenos pormenores do filme (desde a presença de Hayworth na tela muito bem relembrada por RBF, ao esvaziar os bolsos no Pátio) não são descurados, tudo faz sentido (chega quase a fazer lembrar Kubrick). Tudo isto é recheado de planos fantásticos (veja-se a foto acima), mas pesando todos estes factores é sem dúvida a História que faz deste filme imponente.
Das estrelas que brilham na tela os créditos principais vão para credível inocência de Tim Robbins, manipulado pelo Director da Prisão e amedrontado por prisioneiros e guardas (está aí a outra chave do filme), mas Morgan Freeman confere-lhe a estabilidade, tal como um velho capitão não deixa o filme ir para águas muito agitadas e deixa que a história siga o seu rumo natural (nomeado para Óscar de melhor actor, entre as 7 nomeações que este filme teve). Morgan Freeman é um actor fantástico, apenas talhado para este registo mas fantástico.
Pela história de King e Darabont e sobretudo pelo final, este filme deve ser visto e revisto. Um dos melhores filmes jamais feitos.
E porque nem tudo tem que ser sério, para quem já viu o filme o video abaixo é imperdível, de ir às lágrimas:
Com a devida permissão de Manuel Galrinho Bento (pausa para uma vénia por parte dos lamps), 1994 viu chegar à Catedral, o melhor guarda-redes da história do Glorioso. Tinha então 35 anos (daí o teaser ter 35 MPH) e vinha de um Mundial dos EUA onde tinha brilhado a grande nível, tendo-lhe sido atribuído o troféu Lev Yashin para melhor guarda-redes da competição e terminando o ano com o título de UEFA Goalkeeper of the Year Veio pela mão de Artur Jorge e deixou muitos estupefactos. Afinal, o que vinha um jogador de 35 anos fazer para o Benfica?! Vinha marcar uma época nas redes portuguesas. Foi o primeiro guarda redes estrangeiro do Glorioso e justificou claramente esse privilégio (ao contrário de um tal Jorge Gomes que foi o primeiro estrangeiro da história do clube e que, aposto, a maioria de vocês nunca ouviu falar). Afinal Artur Jorge, nessa altura, ainda tinha cérebro! O problema veio depois, que lhe colocou as piores equipas da história do clube á sua frente. Ai, o que seria MPH com Ricardo, Mozer como torres de controlo?!
E se, ao fazer um dream team da história das papoilas saltitona, MPH seria o nº1, é porque acredito que, no futebol, há vida para além dos títulos, tal como, em cada fim de semana, para mim, há jogo para além do resultado. Acredito que, há jogadores, há equipas, há jogos que marcam uma época, tanto ou mais que um título. Há quem me faça ver futebol sem vencer e quem, vencendo, não me cativa minimamente. É que Preud Homme, pelo Benfica, apenas venceu uma Supertaça e, no total da carreira, entre Standard Liége e Malines, venceu 3 Ligas belgas, 1 Taça das Taças e 1 Supertaça Europeia (e mais alguns títulos menores na Bélgica), enquanto o “homem de borracha” conta com 8 títulos nacionais e 6 Taças de Portugal no seu palmarés.
Mas MPH era primus inter pares. Tinha um qualidade tão grande que, tímido, quase a tentava esconder. Não era modelo fotográfico, quando muito, modelo de mãos. Era ágil, com reflexos espantosos entre os postes (como muitos) mas dominando também o espaço aéreo (como poucos). Também o jogo com os pés lhe era familiar, apenas com o azar de uma vez colocar a redondinha nos pés de Balakov (agora uma vénia da lagartagem). Elástico mas sóbrio, elegante mas discreto, numa palavra, Classe. E sem idade, porque os Santos, como ficou conhecido SaintMichel, não têm idade. E a prová-lo está o facto de ainda ter ficado 5 épocas, sempre em grande plano, como titular das redes encarnadas. Só saíu aos 40 anos, pelo próprio pé...e com jogo de despedida com direito a 80 mil na Catedral para ver o último milagre do único Santo reconhecido pela lampiada. Na freguesia de Benfica, os santos populares comemoram-se a 24 Janeiro, data do seu nascimento.
Tomem a óstia e vejam a missa abaixo. Há muito milagre para certificar.
Com 14 anos apenas chegou a Milanello alguém que haveria de marcar toda história do AC Milan, de tal modo que foi nomeado o jogador do Século dos rossoneri. Devido à sua baixa estatura, apelidaram-no de “Il Piscinin” (“baixinho”, no dialecto milanês). Pura aparência! Nas 4 linhas, Franco Baresi foi um gigante, de tal modo que foi titular durante 19 épocas consecutivas no único clube da sua carreira. É que ainda há quem saiba exactamente o que é essa coisa do “amor à camisola” que os mais velhos falam...
Durante todo esse período passaram pelo San Siro vários companheiros de sector. Afortunatos, deveriam dizer todos os dias ao partilhar o balneário com Baresi. Afinal, devem ao eterno capitão serem hoje relembrados como grandes jogadores, quando o seu talento não poderia aspirar a tanto. É que Baresi, para além do que jogava, ou, atrevo-me até a dizer, mais do que aquilo que jogava, tinha o dom de elevar ao máximo a qualidade dos seus colegas. Qual Rei Midas, tudo o que tocava virava ouro. Fazia que quem jogava junto de si se transcendesse, talvez pela proximidade do toque divino. Era como que um maestro ou como aqueles que comandam as marionetas, bastando um gesto ou um agitar de cordas para todo o sector se movimentar e fazê-lo de forma harmoniosa. Era a defesa em linha e a marcação à zona em todo o seu esplendor. E sem esforço, apenas inteligência. Por alguma razão Baresi retirou-se apenas aos 37 anos...e ainda como titular (30 jogos na última época)
Ainda hoje, todos os que tiveram o prazer de ver a máquina milanesa do final dos anos 80 e década de 90, consegue articular de seguida a linha defensiva que comandava todo o futebol total de Arrigo Sachi. Ora vamos lá: Mauro Tassoti, Franco Baresi, Alessandro Costacurta e Paolo Maldini (o único realmente com a dimensão de Baresi). Fabuloso! Normalmente, lembramo-nos dos trios atacantes (Futre, Gomes e Madjer), dos 4 avançados do louco futebol dos anos 60 (José Augusto, Eusébio, Torres e Simões) ou dos 5 violinos do futebol lírico (Jesus Correia, Albano, Travassos, Vasques e Peyroteo) mas aqui, apesar de Gullit, Rijkaard e Van Basten, é Baresi e seus discípulos quem marca a história. A mesma história que o compara ao kaiser Beckenbauer e que depois inspirou as gerações vindouras, levando até o então treinador do Benfica, Sven Goran Eriksson, a apelidar o então emergente Rui Bento como “o pequeno Baresi”.
E a história traduz-se em 6 scudettos, 4 supertaças italianas, 3 champions, 2 taças intercontinentais e 3 supertaças europeias, sendo que o maior título de todos é ainda vivido dia-a-dia: o Milan decidiu retirar a eterna maglia 6 como forma de homenagem (também Maldini será alvo de tal distinção com a camisola 3, embora aqui com a hipótese de a mesma vir a ser recuperada caso o seu filho ascenda à primeira equipa milanesa).
Atentem então em 19 anos de carreira e no adeus ao calcio nos vídeos abaixo.
Este trata-se provavelmente do filme mais marcante que até hoje foi flyado. Escrever sobre este filme trás a responsabilidade de não conseguir passar o choque, a crueza, toda a brutalidade que só o ser humano consegue ter. Depois de ver American History X (aka América Proibida), tem-se uma sensação de atropelamento, de dormência, faz-nos parar e meditar no que acabámos de ver.
Este é um filme de 1998 que nos conta a história de Derek Vinyard, um puro e convicto Skin Head (ou Neo Nazi) e a sua viagem que começa no ódio até à tolerância. Toda uma ideologia Nazi é-nos mostrada frontalmente, não em jeito recriminatório, mas de uma forma quase documental, não julgando mas mostrando, deixando o julgamento ao nosso critério. Paralelamente é contada a história da própria família e do jovem irmão de Derek que segue cegamente as suas pisadas, e que acaba por ser a personagem chave do filme.
O destaque vai todo para o ponto de viragem do filme, uma famosa cena protagonizada por uma bota e por um lancil de passeio, não querendo adiantar mais para evitar “spoilers” para quem não viu (porque quem não viu tem mesmo que ver este filme).
À cabeça está Edward Norton num papel notável. Com a precisão de um metromono, Norton consegue fazer evoluir Derek Vinyard numa Paleta de sentimentos distintos, desde o ódio com que exibe as suas tatuagens, do espirito animalesco da cena do lancil, ao desapontamento e à redenção (estou a tentar evitar os spoilers ao máximo). De certa forma Edward Norton volta a repetir a dose de a Raiz do Medo (Primal Fear), dessa vez o hiato entre a(s) sua(s) personagem(s) era esquizofrénico, desta vez a transformação de Derek Vinyard quase o foi (tal como em Fight Club, posteriormente). Os dois primeiros valeram nomeações para Óscar. Destaque também para outro Edward, desta vez Furlong (o John Connor do Inesquecível Terminator II – possível futuro Fly) no papel de jovem Danny, poderoso.
O realizador é o Tony Kaye, mas reconhecido pelos seus documentários sendo esta sem duvida a sua obra prima.
Esta semana o Holofote de Fly volta a incidir sobre a década de 80 iluminando mais uma das suas pérolas, The Ferris Bueller Day Off ou o Rei dos Gazeteiros na tradução (quase à letra) para as nossas salas.
O Rei dos Gazeteiros é um daqueles clássicos de culto da nossa juventude, trata-se de um filme que segue uma linha diferente das então comédias de adolescentes da altura, sem o despudor de Lemon Popsicle (Gelado de Limão) ou Porky’s, abandona a Brilhantina, as golas levantadas e as insinuações sexuais (que na altura faziam a delícia da malta nova – grande oportunidade de ver gajas nuas), deixa os 70 de vez na gaveta e encontra uma nova juventude mais sofisticada. Ferry Bueller é o exemplo claro disso, imediatamente nos provoca aquele click de “I wanna be that guy!”.
The Ferry Bueller’s Day Off, mostra-nos a epopeia de um jovem durante um bizarro dia em que se balda às aulas com todos os esquemas que monta para não ser apanhado por Ed Rooney (o director da escola cujo objectivo de vida é apanhá-lo) nem denunciado pela malévola irmã. Matthew Broderick é a alma do filme, talhado para este tipo de papéis está como peixe na água, deliciosos os pormenores em que fala para a câmara em jeito de documentário, inesquecível. Abandona a capa de Nerd e Inocente que vestiu em WarGames (grande post de Pombo), mantém o ar de inocente mas passa a ser um típico cool – capa que nunca mais despiu.
O Realizador era um então desconhecido John Hughes, o típico Family Movies Guy, produziu posteriormente o sucesso de bilheteiras Home Alone (e respectiva saga) e Beethoven. Em termos de realização pouco mais fez, jamais conseguiu duplicar o Fly de hoje.
Qualquer gajo que ronde os 30 anos que se preze jamais esquecerá o dia em que Ferris Bueller se baldou às aulas, o Ferrari escavacado (que nem era um Ferrari porque não havia $$), os esquemas, o Ed Rooney e o desfile que vos deixo abaixo (confesso que o desfile ainda tem um bocadinho de 70’s mas é só esta parte):
Se formos, agora a posteriori, analisar o que foi a carreira de Enzo Scifo, terei de aceitar que considerem que possa não merecer estar junto a alguns dos flyados com os quais aqui nos temos deliciado. Mas quem, em 1983, com apenas 17 anos, o viu pegar de estaca no então tubarão europeu RSC Anderlecht e, 1 ano depois, o viu comandar os Diabos Vermelhos no Euro 84, não pode, ainda hoje, ficar indiferente a um talento natural como o deste italo-belga (era filho de imigrantes italianos e também por isso, o seu futebol era produtos destas 2 escolas)
Um dos que compartilha a minha paixão é Luis Freitas Lobo que se refere assim a Scifo no seu site: “parecia ter olhos nos pés, jogava com a precisão de um relógio suíço, driblava com a malícia dos latinos e ocupava os espaços com o frio sentido táctico anglosaxónico. Todos o viram como o novo príncipe do futebol europeu”. Lapidar! Era o meu jogador de eleição da época. De tal forma que invejava solenemente um puto lá da escola que tinha a maglia 14 do Inter já com o nome Scifo (era o início da febre das camisolas personalizadas). Mas após 4 épocas e 3 Ligas Belgas ao serviço do Anderlecth e disputado por mais de meia Europa, a sua ligação a Itália falou mais alto e ingressou no Inter. Aí começou a esfumar-se o seu encanto e a perder-se a sua magia. Lamentou-se o velho Trap que o terá contratado demasiado cedo. Daí em diante a sua carreira assemelhou-se a uma montanha russa, com mais baixos que altos em clubes de 2ª linha da Europa como Bordéus, o Auxerre (Championnat), o Torino (Copa Itália) e o Mónaco, regressando ao seu Anderlecht em 1997 para terminar a carreira (embora depois ainda tenha tentado fazer 1 época no Charleroi mas sem efeito devido a lesão).
Só ao nível da selecção se manteve sempre em alta. Depois do debut no Euro 84, participou ainda 4 Mundiais (86, 90, 94 e 98), com especial destaque na terra dos Aztecas, onde na fabulosa equipa de Jean Marie Pfaff, Eric Gerets, Georges Grun, Leo Clijsters (o pai da Kim Clijsters), os irmãos Franky e Leo van der Elst, o fabuloso Vercauteren, o letal Vanderbergh e o mítico Jan Ceulemans, apenas foi parado por El Dios na semi-final. Verdadeiros Diabos Vermelhos que me marcaram a imberbe juventude. Que este post seja também uma devida homenagem ao futebol belga dos eighties que muitos de vocês não tiveram hipótese de ver e, dificilmente, voltará a honrar a tradição. (agora apenas um parêntesis para insultar o Lozano, um maldito espanhol que, na altura no Anderlecht, roubou ao glorioso a Taça Uefa de 1983).
Deixo-vos então com 3 curtíssimos vídeos que mais não são senão o espelho do que foi a carreira de Scifo, ou seja, um tremendo potencial do qual não verão seguimento...se Scifo fosse português, eu baptizá-lo-ia de Hugo Leal.
Um jogador como Hierro nunca será consensual para a tribo do futebol. Como Roy Keane ou Patrick Vieira a nível mundial ou como Humberto Coelho, Oceano ou Jorge Costa à nossa escala, ora serão idolatrados (pelos seus) ora serão odiados (pelos adversários...a não ser que depois se transfiram para esses rivais). Se estivéssemos no GDF Música, teria que citar RBF e dizer que nem todos estão preparados para entender Hierro. Mas para os madridistas (e para mim) será sempre, El Gran Capitán, uma lenda Merengue, com um registo absolutamente fantástico no Bernabéu (desta vez as conquistas vêm no vídeo para que percebam melhor) e que valeu tanto na cabine como nas 4 linhas.
Após a estreia em La Liga com as cores do Valhadolid, logo se percebeu que havia qualidade para muito mais. Percebeu o Real Madrid, percebeu o Atlético Madrid e percebeu o Barcelona. Um ainda novato nestas lides, Gil y Gil, tentou torná-lo colchonero mas o Calderon era palco menor, um Joan Gaspart, ao que consta, enganou-se no irmão e contratou outro Hierro para a Catalunha e quem adquiriu La Locomotiva foi mesmo o Real Madrid.
Mas se Hierro é uma Locomotiva então terá que ser um Alfa Pendular...e na classe Conforto. É que para além de uma grande envergadura e ter um forte jogo de cabeça, Hierro era elegante, tinha sobriedade, colocação no terreno e capacidade para sair a jogar de trás como poucos. Simplicidade e Inteligência, dois dos aspectos mais decisivos para um futebolista de top (vidé Guardiola, Makelelé ou Paulo Sousa) Começou como médio defensivo mas com tamanha capacidade para ler o jogo, depressa recou uns metros no terreno, onde refinou ainda mais toda a sua capacidade. Cobrava bolas paradas com mestria e fazia lançamentos de longa distãncia dignos de um Bret Favre dos tempos áureos. Quem seguia os blancos ou a furia espanhola só tinha que esperar pelo passe longo para um tal de Raul Gonzalez compor o ramalhete. Tinha uma noção global do jogo que ia muito para além do defesa tradicional, se quiserem, era Un Defensa com Alma de Delantero.
Com alma e capacidade de liderança, pois impõs-se rapidamente em Madrid. De tal forma que até eu, com uns imberbes 14 anos, me lembro da estreia deste senhor. Ficou em Chamartin durante 14 anos, saindo depois para 1 ano nas Arábias mas, querendo terminar no Velho Continente, alinhou ainda 1 ano no Bolton (recusou a renovação), o suficiente para levar o clube à Taça UEFA.
Ao serviço da então Fúria Espanhola (hoje trocaram a Fúria pelo Carrossel), registou 89 internacionalizações, sendo um dos poucos a conseguir alinhar em 4 Mundiais (Italia ’90, Estados Unidos ’94, França ’98 e Coreia-Japão 2002) e sendo, à data da sua saída, o melhor marcador de sempre de La Roja com 29 golos (foi depois ultrapassado...sim, pelo Raul, quién más?!).
Transpondo Hierro para o nosso futebol, seria um Coluna. Daqueles que acabam por pesar mais que a camisola, que têm Alma até Almeida, que permitem que haja Eusébio, que haja Raul, que nos mostrem que a Mística não é apenas um conceito abstracto.
The Good Will Hunting revela em todos os seus contornos toda a magia do Cinema, sendo a sua génese por si só uma história digna de um filme.
Matt Damon e Ben Affleck eram então dois jovens amigos de infância de Boston, com fugazes entradas num ou outro filme. Entretanto escrevem um argumento, que a Miramax (conhecida pelos seus filmes mais independentes) aceita produzir, resultado: um filme soberbo, não só escrito mas protagonizado pelos 2 jovens, que marcou a edição de 1998 dos prémios máximos do cinema. Nomeado para 9 Óscares (entre eles melhor filme), onde arrecadou 2 estatuetas (3 em abono da verdade), uma para Robin Williams (à quarta foi de vez - melhor actor secundário) e uma (duas) para o melhor argumento original (adivinhem para que dupla), garantindo assim a entrada nos eternos de Hollywood, relembro que isto não é o filme.
O filme conta-nos a história do jovem sobredotado Will Hunting (Matt Damon), que prefere trocar o seu génio matemático, por uma vida boémia igual à dos seus medíocres amigos, e a tentativa de um professor Universitário e de um psicólogo o levarem a assumir aquilo para que foi predestinado, obviamente com Boston e todo o mundo académico como pano de fundo.
Os diálogos do filme são fabulosos conseguindo até tornar a própria representação (mais ou menos atabalhoada) de Affleck convincente. Mas os momentos que nos levam a querer ver e rever o filme, são os duelos entre Robin Williams e Matt Damon, todo filme converge para essas cenas, tornando-as de facto inesquecíveis. Williams no papel do psicólogo prova mais uma vez que não é só no registo cómico que é brilhante, já o tinha feito no Clube dos Poetas Mortos e volta a fazê-lo. De vez em quando gosta de levantar o dedo entre Flubbers, Jacks e Jumangis e chamar-nos para vermos grandes lições de representação, mostrando-nos a sua versatilidade (já em Good Morning Vietnam tinha atingido o auge). Damon é imaculado no papel que escreveu, valeu-lhe uma nomeação para melhor actor (muito superior a Affleck). Minnie Driver (também nomeada para Oscar neste filme) além do jovem Will, consegue-nos seduzir implacavelmente, Skylar é a simbiose perfeita entre dureza e doçura, cada plano dela transpira sensualidade.
O filme é realizado por Gus Van Sant (nomeado para melhor realizador), que tentou desenhar o mesmo modelo em Finding Forrester (um filme simpático) e voltou à escola com Elephant (Palma de Ouro em Cannes).
De certo que muitos de vocês já viram O Bom Rebelde - título com o qual fomos presenteados - se não viram é obrigatório, um filme que vale mesmo a pena ver.
Quem visse os dois miúdos abaixo a receber o Óscar, jamais pensaria que era para melhores argumentistas, num filme que eles próprios protagonizaram, mas é essa a Magia do Cinema:
Se há motivo para os ex-jugoslavos serem, no futebol, muitas vezes apelidados de brasileiros da Europa, Dragan Stojkovic é, seguramente, um deles. A este prodígio, com nickname retirado de cartoon de Hanna & Barbera, bastaram 3 treinos para assinar com um clube de 1º divisão, o local FK Radnički Niš, e, com 18 anos, era titular na selecção jugoslava no Euro 84.
Era um predestinado, com uma capacidade técnica e uma habilidade só ao alcance dos eleitos. Fazia do terreno de jogo um playground, como diriam os americanos, numa aura mais basquetebolista; ou, se quiserem, ao contrário da F1, onde, em determinadas curvas, se distinguem os homens dos rapazes, dentro nas 4 linhas, Piksi continuava a ser o menino que jogava futebol de rua com a malta mais crescida.
A esta altura e porque estamos a falar de alguém que não será Top of Mind para o adepto comum, vocês estão a pensar que estou a pintar demasiado a manta (lá está o Zé Barros do baixinho) e desejosos de ver o vídeo para tirarem as vossas conclusões... Mas esperem mais um pouco e deixem-me colocar mais uma pitada de sal e pimenta para temperar a mussaca (prato típico sérvio). É que estamos a falar de um menu que, tinha traços de Zidane como entrada, misturava um pouco de Del Piero e Roberto Baggio como prato principal e apresentava como sobremesa uns laivos de Laudrup.
5 épocas após a estreia, ingressou no mítico Red Star Belgrade, onde esteve 4 épocas, mas onde bastaram apenas 2 para se tornar capitão de equipa e uma lenda – o reconhecimento veio com a atribuição da Zvezdina Zvezda (a estrela do Estrela Vermelha), título apenas a tribuido a 5 jogadores em toda a história do clube (e nenhuma delas ao plantel que venceu a Champions em 1991 – fala-se em poderem vir a atribuir a Dejan “Il genio” Savicevic). Em Belgrado venceu 2 títulos e foi considerado MVP outras tantas vezes. Saíu em 1990 para o fabuloso Olimpique Marseille de então, onde alinhavam, entre outros, Carlos Mozer, Manuel Amoros, Basile Boli, Abedi Pele, Chris Waddle e Jean Pierre Papin. Quis o destino que, meses depois, chegasse à Final da Champions...para defrontar o “seu” Estrela Vermelha, onde tinha deixado Belodedic, Jugovic, Savicevic, Mihajlovic, Prosinecky e Pancev. Piksi tinha começado o seu calvário de lesões no joelho direito e começou a partida no banco. Entrou no decorrer do jogo e, quando nomedo para cobrar uma das grandes pennalidades no desempate, recusou-se – contra o seu Estrela Vermelha não o fazia! Resultado: Estrela Vermelha campeão da Europa e Stojkovic emprestado ao Verona. Regressou no ano seguinte ao Velodrome mas 2 anos depois fartou-se (há até quem fale em agressões dos franceses) e rumou, ainda com 25 anos, ao futebol japonês. Destino: o Nagoya Grampus Eight, treinado por Arséne Wenger (o homem está em todas) e onde alinhava o também mítico Gary Lineker. Aí permaneceu durante 7 épocas, conseguindo 1 distinção como MVP e várias nomeações para o 11 ideal da prova. Terminou aí carreira em 2001 e, após uma passagem como presidente do Red Star Belgrade, é actualmente, treinador do Nagoya – não é só João Simão da Silva que tem 2 amores.
Antes do vídeo apenas uma menção ao Mundial de 1990. Capitaneada por Stojkovic, o planeta viu das melhores selecções jugoslavas de sempre. Até aqui o vosso amigo já tinha a Jugoslávia como underdog da bella Italia quando, nos ¼ final, surgiu um tal de Goycochea e interrompeu o sonho da marca dos 11 metros...e porque os génios também falham, Stojkovic desperdiçou e Maradona perdeu a aposta para Ivkovic.
Agora sim, vejam o vídeo! Depois falamos. Ah, e sim, há mais uns quantos destes.